Com Gary Cherone em grande forma e um público em sintonia, banda entrega show vibrante que equilibra nostalgia, técnica e paixão pelo rock
Fotos por Ricardo Matsukawa
A apresentação do Extreme no Monsters of Rock foi um daqueles momentos que conectam passado e presente de forma quase automática. Com décadas de estrada, a banda norte-americana subiu ao palco carregando, além de seus instrumentos, também uma história sólida dentro do hard rock, construída desde o fim dos anos 1980. E bastaram poucos minutos para que ficasse claro que o grupo continua sabendo exatamente como dialogar com grandes plateias.
O repertório foi um verdadeiro desfile de clássicos. Canções como “Get the Funk Out”, “Decadence Dance” e “Hole Hearted” surgiram com força e precisão, soando tão vibrantes quanto em suas versões originais. Cada riff e cada virada carregavam aquele DNA característico da banda, que mistura peso, groove e um toque de irreverência. O público, por sua vez, respondeu à altura, cantando em coro e transformando o espaço em uma grande celebração coletiva.
Um dos pontos mais marcantes da apresentação foi, sem dúvida, a performance do vocalista Gary Cherone. Carismático e incansável, ele dominou o palco do início ao fim, alternando entre momentos de intensidade e interação direta com os fãs. Sua voz, ainda potente, passeou com naturalidade entre os trechos mais agressivos e as melodias mais suaves, mostrando que o tempo não diminuiu sua capacidade técnica nem sua presença cênica.
Quando os primeiros acordes de “More Than Words” ecoaram, o clima mudou completamente. A balada, um dos maiores sucessos da banda, criou um momento quase íntimo em meio à grandiosidade do festival. Celulares erguidos e uma atmosfera de nostalgia tomaram conta do público, que acompanhou cada verso com emoção.
Mas o Extreme não vive apenas de nostalgia e isso também ficou evidente no show. A banda trouxe energia renovada para o palco, com execuções afiadas e uma entrega que reafirma sua relevância. A química entre os integrantes segue intacta, refletindo anos de parceria e uma paixão genuína pela música.
O guitarrista Nuno Bettencourt, em especial, merece destaque. Seus solos foram executados com maestria, equilibrando técnica impressionante e feeling apurado. Em vários momentos, ele arrancou aplausos espontâneos da plateia, consolidando sua posição como um dos grandes nomes da guitarra no rock. Além disso, Nuno, que é português, interagiu diversas vezes com o público falando em português, o que criou uma conexão ainda mais próxima e calorosa com os fãs presentes.
A resposta do público foi calorosa do começo ao fim. Não havia distinção entre gerações: fãs antigos e novos dividiram o mesmo entusiasmo, mostrando como a música do Extreme atravessa o tempo com facilidade. Cada refrão era devolvido em coro, cada pausa preenchida por gritos e aplausos.
O Monsters of Rock, conhecido por reunir grandes nomes do gênero, encontrou no Extreme uma apresentação à altura de sua tradição. A banda soube equilibrar técnica, emoção e entretenimento, entregando um show completo.
No fim, o Extreme mostrou que segue em boa fase e ainda muito relevante. Mesmo em um line-up forte, a banda entregou um show consistente e bem executado, com presença de palco segura. O público acompanhou do começo ao fim, cantando e participando bastante. O repertório equilibrou bem os clássicos com momentos mais recentes, mantendo o ritmo da apresentação. No geral, foi um show redondo, que funcionou bem sem depender só da nostalgia.
Extreme – Allianz Parque – 05/04/2026
- It (‘s a Monster)
- Decadence Dance
- #REBEL
- Play With Me
- Am I Ever Gonna Change
- THICKER THAN BLOOD
- Hole Hearted
- Midnight Express
- More Than Words (Acustico)
- Get the Funk Out
- RISE




















