Em sua primeira passagem pelo Brasil, banda da Pensilvânia faz show intenso, emocional e histórico
Fotos por Fotos por Daniel Agapito (@dhpito) gentilmente cedidas pelo Rato de Show (https://www.ratodeshow.com.br/)
Depois de um tempão aparecendo como pedido obrigatório em comentários de anúncios de shows alternativos no Brasil, o Balance and Composure finalmente desembarcou em São Paulo para uma apresentação histórica no Cine Joia. Com casa cheia, fãs emocionados e um setlist que atravessou diferentes fases da carreira da banda, o grupo transformou uma tarde quente no bairro da Liberdade em uma celebração coletiva sobre memória, crescimento e pertencimento.
Bandas como Balance and Composure carregam um peso muito especial. Elas viram trilha sonora de uma fase inteira da vida, estão ali nos piores términos, nas crises dos vinte e poucos anos, nos momentos felizes e também nos momentos em que ninguém consegue explicar exatamente o que sente. Por isso, talvez, o primeiro show da banda no Brasil carregasse uma expectativa tão alta: era o encontro entre músicas profundamente íntimas e pessoas que cresceram sobrevivendo através delas.
Em meio a uma sequência de dias frios na cidade de São Paulo, a capital resolveu abrir um céu com sol e deixar o calor entrar. A combinação caiu perfeitamente para a aguardada matinê organizada pela New Direction Productions no Cine Joia. Show começando às 15h, público chegando cedo… A configuração perfeita para o emo adulto: curtir o show durante a tarde e ainda conseguir ir embora cedo o suficiente para emendar outro rolê pela cidade — seja o Korn no Allianz Parque, como foi o caso do último sábado, ou algum after perdido entre os lugares duvidosos de Pinheiros e Vila Madalena.
Mais sobre Balance and Composure
Formada em 2007 na Pensilvânia, a banda construiu uma das discografias mais respeitadas do emo e post-hardcore dos anos 2010, transitando entre peso, melodia e vulnerabilidade de uma forma muito própria. Com quatro álbuns de estúdio – Separation (2011), The Things We Think We’re Missing (2013), Light We Made (2016) e o recente with you in spirit (2024) – o grupo sempre ocupou um espaço especial dentro da cena alternativa: pesado sem precisar performar brutalidade, melancólico sem soar artificial.
Shows de abertura com Pedro Lanches e Bullet Bane
Quem abriu os trabalhos foi Pedro Lanches, um dos nomes mais interessantes da nova safra alternativa nacional. Há dois dias do próprio aniversário, Pedro ganhou um palco gigantesco para comemorar, com um público curioso e receptivo e a oportunidade de apresentar músicas do disco lançado no fim de 2024 e do novo EP sementes, que ganha show oficial de lançamento no próximo dia 3 de junho, no icônico Hangar 110 – compre ingressos clicando aqui.
Ao lado de sua banda, Pedro entregou um show acolhedor e emocional, daqueles que funcionam tanto para quem já acompanha cada lançamento quanto para quem está conhecendo ali pela primeira vez. Não demorou para o clima ficar leve, quente e genuinamente confortável, sendo um começo ideal para uma tarde construída em torno de conexão emocional.
Depois veio a Bullet Bane, estreando sua nova formação. Banda fundamental para entender os caminhos do hardcore melódico e do emo brasileiro nos últimos quinze anos, o grupo claramente tinha uma parcela significativa do público esperando por aquele momento. Assim que o palco começou a ser montado, dava para perceber a movimentação dos fãs se aproximando da frente.
Agora com Lucas Guerra, ex-Pense, nos vocais, a Bullet entregou um show tecnicamente impecável, pesado e energético. Os clássicos funcionaram exatamente como esperado e as faixas novas do próximo disco, previsto para o dia 29 de maio – mostraram uma banda confortável nessa nova fase. Ainda assim, havia uma pequena sensação de desencontro entre a intensidade mais agressiva da apresentação e a carga emocional quase contemplativa que tomaria conta do resto da tarde. Não por falta de qualidade – longe disso – mas porque o Balance and Composure pede um tipo diferente de clima.
O tão aguardado show do Balance and Composure
Depois de passar parte do dia conhecendo a Liberdade, Jon Simmons (vocal) apareceu no palco poucos minutos antes do início do show para ajustar os instrumentos. Bastou isso para a pista entrar em combustão. O público foi se comprimindo cada vez mais perto da frente enquanto ocupava as laterais do palco sem grades do Cine Joia – detalhe clássico das produções da NDP que pode render momentos mágicos ou testes extremos de paciência dependendo de quem resolve subir.
Quando “Restless” abriu o set, ficou claro que qualquer ansiedade acumulada nos últimos anos desapareceria rápido. O som da banda veio enorme, limpo e pesado na medida certa. Mesmo doente, Simmons entregou uma performance profundamente honesta, sustentada o tempo inteiro por um coro coletivo que praticamente carregava cada verso junto dele.
Já a partir do primeiro acorde, não existia mais plateia assistindo passivamente: as pessoas gritavam as letras olhando no olho umas nas outras, choravam abraçadas, se jogavam no palco, se chocavam no meio da roda e sorriam com aquela expressão muito específica de quem percebe estar vivendo algo que talvez nunca se repita igual.
E talvez não se repita mesmo. Ao parar por um momento para declarar o amor ao público e agradecer pela oportunidade de estar tocando no Brasil, o próprio Jon comentou que não sabia quando voltariam, frase suficiente para aumentar ainda mais a urgência emocional da noite. Justamente por isso, cada música parecia ganhar um peso extra.
Um dos momentos mais marcantes veio em “Postcard” – talvez o ápice emocional da apresentação -, quando o vocalista se ajoelhou na beira do palco para cantar diretamente com os fãs. Instantaneamente, dezenas de braços se esticaram numa tentativa quase desesperada de participar daquele momento específico.
No fim, “Tiny Raindrop” e “Notice Me“ encerraram a tarde com aquele gostinho de conquista: Balance and Composure no Brasil finalmente aconteceu. Depois de tantos anos pedindo, esperando e imaginando como seria, eles vieram e entregaram exatamente o tipo de apresentação que justificava toda a expectativa. Mal acabaram de ir embora e o público já começou a pedir a volta.
Supresinha: Tigers Jaw no Brasil!
Como se a tarde ainda precisasse de mais um presente, também foi anunciado o aguardadíssimo retorno do Tigers Jaw ao Brasil. Em São Paulo, o show acontece pela NDP; em Curitiba, pela Belvedere com apoio da NDP e banda de casinha; e no Rio de Janeiro, as informações ainda serão anunciadas. Os ingressos estão voando, então vale correr para garantir presença em mais uma noite – ou tarde, porque o povo gostou da matinê – histórica.
Para comprar os ingressos de São Paulo, clique aqui. Agora, se quiser ver em Curitiba, clique aqui.
Agradecimentos à NDP e à Tedesco Mídia pela parceria.
Setlist — Balance and Composure (Cine Joia, São Paulo, 16 de maio de 2025)
- Restless
- Reflection
- Parachutes
- Back of Your Head
- Void
- Quake
- Any Means
- Cut Me Open
- Body Language
- Cross to Bear
- Postcard
- Stonehands
- I’m Swimming
- Tiny Raindrop
- Notice Me



























































