Liderado pela intensa Lzzy Hale, quarteto entrega show explosivo, conecta gerações do rock e se consolida como um dos grandes nomes do hard rock contemporâneo
Fotos por Ricardo Matsukawa
O retorno do Halestorm ao Brasil, no Monsters of Rock, foi mais do que um show em um festival consagrado; foi a reafirmação de uma trajetória construída com resistência, autenticidade e ruptura de padrões dentro de um universo historicamente dominado por homens. Após anos longe dos palcos brasileiros, a banda voltou mais madura, mais pesada e ainda mais conectada com uma identidade que transcende a música.
Desde sua formação, o Halestorm carrega consigo uma característica que, por muito tempo, foi tratada como exceção no hard rock: uma mulher à frente da banda. Lzzy Hale ocupa o posto de vocalista e guitarrista, redefinindo o que significa liderar uma banda dentro desse gênero. Sua presença é marcada por potência vocal, domínio técnico e uma postura de palco que não pede espaço, ela simplesmente ocupa, com autoridade e naturalidade.
A trajetória do grupo é, em muitos aspectos, um reflexo das transformações do próprio rock nas últimas décadas. Em um cenário que consagrou nomes como Led Zeppelin e AC/DC, a presença feminina frequentemente esteve relegada a papéis secundários ou estereotipados. O Halestorm surge, então, como parte de uma nova geração que desafia essa lógica, trazendo uma narrativa em que a mulher não é coadjuvante, mas protagonista.
No palco do Monsters of Rock, isso ficou evidente em cada detalhe. As músicas não são apenas performances técnicas bem executadas , são declarações. Letras que abordam autonomia, desejo, vulnerabilidade e força ganham ainda mais peso quando interpretadas por uma artista que vivencia, na prática, o rompimento de barreiras. Não se trata apenas de representatividade simbólica, mas de vivência concreta dentro de uma indústria que, por muito tempo, impôs limites invisíveis.
O empoderamento feminino, nesse contexto, não aparece como discurso vazio ou tendência passageira. Ele se manifesta na atitude, na estética e na sonoridade da banda. Lzzy Hale não suaviza sua presença para se encaixar, ela amplia o espaço que ocupa, abrindo caminho para outras artistas que hoje encontram no rock um terreno mais fértil para expressão.
Essa postura também reverbera no público. Durante o show, era possível perceber a identificação de diferentes gerações de fãs, especialmente mulheres, que encontram no Halestorm não apenas uma banda, mas uma referência. O Monsters of Rock, conhecido por celebrar a tradição do gênero, se transforma, nesse momento, em um espaço de renovação, onde novas narrativas ganham força sem apagar o legado do passado.
Musicalmente, o grupo mantém raízes firmes no hard rock clássico, mas com uma abordagem contemporânea que dialoga com o presente. Riffs marcantes, refrões fortes e uma execução precisa sustentam uma identidade sonora que equilibra peso e melodia. No entanto, é a carga simbólica que eleva a experiência: cada música carrega consigo um posicionamento.
O Halestorm prova que o rock continua sendo um território de transformação. Se antes o gênero era associado a uma estética quase exclusivamente masculina, hoje ele se expande, incorporando novas vozes e perspectivas. E essa mudança não acontece de forma abstrata, ela ganha corpo em artistas como Lzzy Hale, que transformam presença em impacto.
Halestorm – Allianz Parque – 05/04/2026
- Fallen Star
- Mz. Hyde
- I Miss the Misery
- Love Bites (So Do I)
- WATCH OUT!
- Like a Woman Can
- I Get Off
- Familiar Taste of Poison
- Rain Your Blood on Me
- Freak Like Me
- Wicked Ways
- I Gave You Everything






















