Katatonia: Com formação renovada, a banda encerrou a turnê latina com um show cheio de intensidade sonora e emoção.

Fotos por Daniel Agapito (@dhpito)

Desde a última passagem da banda em novembro de 2024, muita coisa mudou no universo do Katatonia. Com a saída definitiva do cofundador Anders Nyström, uma nova formação foi consolidada com o álbum Nightmares as Extensions Of Waking State, lançado em junho de 2025.

Com isso, esta nova fase da banda precisava de uma apresentação devida aos fãs brasileiros, que aconteceu no Cine Jóia no dia 21 de março com a produção da Powerline

Com a abertura das portas pontualmente às 18h, o público foi ocupando o espaço, mas sem aquela frieza típica de início de evento. Por volta das 18h30, já era possível perceber que não seria uma noite morna, havia expectativa no ar, inclusive para o show de abertura.

MUSICALIDADE E TÉCNICA APURADA APRESENTADA POR FALCHI

A banda Falchi subiu ao palco, às 19h, já com uma casa consideravelmente preenchida — algo que nem sempre acontece com bandas de abertura. O que se viu foi um público atento, curioso e, principalmente, receptivo.

A banda formada por Jessica Falchi, João Pedro Castro, Guilherme Carvalho e Luigi Paraventti. Apresentaram o EP Solace na íntegra, com uma pegada totalmente instrumental e cheio de atmosferas. Dois pontos que foram de destaque

veio com o cover de “The Call of Ktulu”, do Metallica, que dialogou diretamente com a proposta instrumental da banda e reforçou a identidade sonora do set. Além de uma mar de lanternas de celular durante a música “Sunflare”, que iluminou o salão do Cine Jóia.

O mais interessante, no entanto, foi a resposta da plateia. Diferente do que costuma acontecer em muitos shows de abertura, onde o público ainda está disperso, o quarteto encontrou um ambiente já engajado. Havia atenção, movimento e uma troca real entre palco e pista, elevando a apresentação para além do papel de aquecimento do show principal.

RESSURGIMENTO DA BANDA EM PLENITUDE MUSICAL

Pouco depois, às 20h10, foi a vez do Katatonia assumir o palco. A introdução abriu caminho para a entrada da banda O setlist trouxe como base o material do novo álbum, mas sem deixar de lado momentos importantes da trajetória da banda ao longo dos últimos 20 anos.

“Thrice” abriu o show com uma vibe quase bipolar, carregada de tensão e emoção. Um início que não impactou de imediato, mas que construiu uma narrativa que se desenvolveria ao longo da apresentação. Na sequência com “Soil Song”, que rapidamente aqueceu o público com entusiasmo, marcando o primeiro grande momento de conexão coletiva da noite. Sem perder o ritmo, o grupo voltou ao material mais recente com “The Liquid Eye”, que trouxe uma energia mais agressiva, mas com nuances que flertavam com uma estética quase jazzística, que é um dos DNAs da sonoridade da banda. Destaque a Sebastian Svalland, que assumiu muito bem o papel de backing vocals guturais e limpos divididos con Jonas Renkse

O equilíbrio entre passado e presente seguiu como fio condutor do set. Faixas como “Austerity” e “Rein” ajudaram a manter o público envolvido, transitando entre momentos mais densos e outros mais melódicos, sem quebrar a imersão construída desde o início. “Leaders”, novamente elevou a energia da casa, com o público cantando alto, criando um daqueles momentos onde palco e plateia praticamente se fundem. Na sequência, “Dead Letters” manteve essa conexão viva, reforçando a força emocional do repertório.

Entre as surpresas da noite, a pesada“Nephilim” (do álbum Night Is the New Day) apareceu como um resgate inesperado, havia mais de dez anos que não tocavam. Já na reta mais avançada do show, “Wind of No Change”, também do novo álbum, se destacou com o refrão sendo cantado de maneira cativa pelos fãs.

PERFORMANCE E ESCOLHA DE SET DEFINIU A RESPOSTA DO PÚBLICO

Na reta final, o show ainda reservou momentos importantes que ajudaram a consolidar o espetáculo. Outro resgate certeiro aconteceu com “The Longest Year”, reacendendo a conexão com o público. “Old Heart Falls” manteve o nível emocional elevado, com a plateia cantando em peso, enquanto “July” surgiu como um dos ápices da noite — um daqueles momentos em que tudo converge: atmosfera, entrega e resposta do público. Na sequência, “Lethean” seguiu sustentando essa energia em alta. Já nos momentos finais antes do bis, “No Beacon To Illuminate Our Fall” e “In the Event Of” encerraram o set principal com uma proposta mais introspectiva. Ainda que funcionem dentro do contexto do show, fica a sensação de que escolhas mais conhecidas poderiam ter potencializado ainda mais esse fechamento. O retorno para o bis veio sob forte aclamação, com o público entoando o nome da banda em coro, até que o encerramento com “Forsaker” selou a noite de forma intensa e definitiva.

REDENÇÃO E RESSURGIMENTO DEFINEM O ESTADO ATUAL DA BANDA

No balanço geral, o setlist mostrou uma banda em sintonia com sua fase atual, promovendo o novo material com segurança, mas sem ignorar a própria trajetória. Ainda assim, fica a impressão de que clássicos como “For My Demons”, “My Twin” e “Teargas” poderiam ter sido incorporados sem comprometer a coesão da apresentação — pelo contrário, ampliariam ainda mais o impacto emocional do show.

Mesmo com esses pontos, a passagem pelo Cine Joia se mostra como uma espécie de redenção definitiva em relação às duas últimas apresentações anteriores no país, entregando um espetáculo consistente, envolvente eesteticamente marcante.

SETLIST DO KATATONIA – Nightmares as Extensions of the Waking State Latin America 2026 (21/03/26) – Cine Joia

  1. Thrice
  2. Soil’s Song
  3. The Liquid Eye
  4. Austerity
  5. Rein
  6. Leaders
  7. Dead Letters
  8. Nephilim
  9. Wind of No Change
  10. The Longest Year
  11. Old Heart Falls
  12. July
  13. Lethean
  14. No Beacon to Illuminate Our Fall
  15. In the Event Of

Encore:

16.  Forsaker

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