A Flock of Seagulls: de Liverpool dos anos 80 à aguardada estreia no Brasil

A banda liderada por Mike Score desembarcará em São Paulo para seu primeiro show no país.
Poucas bandas conseguiram transformar simultaneamente música, imagem e tecnologia em uma identidade tão reconhecível quanto o A Flock of Seagulls.

Surgido em Liverpool na transição entre os anos 1970 e 1980, o grupo encontrou nos sintetizadores, nas guitarras atmosféricas e na estética futurista uma maneira própria de interpretar a “nova onda” que tomava conta do Reino Unido. Mais de quatro décadas depois, a banda finalmente fará sua primeira apresentação no Brasil: o encontro acontece em 7 de outubro de 2026, no Cine Joia, em São Paulo, em show único realizado pela Maraty e com turnê da Resistência Booking.

OS PRIMEIROS PASSOS EM LIVERPOOL

A história começa em 1980, quando o vocalista e tecladista Mike Score, seu irmão Ali Score, na bateria, e o baixista Frank Maudsley formaram o grupo. Poucos meses depois, oguitarrista Paul Reynolds completou aquela que se tornaria a formação clássica. Antes mesmo de alcançar o grande público, a banda lançou, no início de 1981, um EP pelo selo Cocteau Records. Embora o trabalho não tenha entrado nas paradas, “Telecommunication” ganhou espaço nos clubes de euro-disco e new wave, indicando que havia algo diferente acontecendo.


A combinação era incomum para a época: sintetizadores com uma abordagem quase espacial, guitarras cheias de ambiência, linhas de baixo pulsantes e uma estética visual que parecia apontar para um futuro imaginado pela ficção científica. E havia ainda Mike Score, cujo penteado volumoso e assimétrico se transformaria em uma das imagens mais imediatamente reconhecíveis da década.

“I RAN” E A INVASÃO DA MTV

O grande salto aconteceu em 1982. Após assinar com a Jive, o grupo lançou seu primeiro álbum, A Flock of Seagulls, que apresentou ao mundo músicas como “I Ran (So Far Away)”,

“Space Age Love Song” e “D.N.A.”. O videoclipe de “I Ran” encontrou na recém-expandida MTV um veículo perfeito para aquela combinação de música eletrônica, estética futurista e visual incomum. A exposição foi decisiva, especialmente nos Estados Unidos, onde a faixa chegou ao Top 10.
Curiosamente, “I Ran” teve desempenho bem mais modesto no Reino Unido, mas a força do grupo nos Estados Unidos cresceu rapidamente. O sucesso ajudou a consolidar o A Flock of Seagulls como parte da chamada Segunda Invasão Britânica, movimento que levou uma nova geração de artistas britânicos ao mercado norte-americano durante os anos 1980.


O reconhecimento não ficou restrito ao pop. “D.N.A.”, instrumental presente no álbum de estreia, conquistou o Grammy de Melhor Performance Instrumental de Rock em 1983, demonstrando que a banda também possuía uma dimensão experimental que ia além dos singles mais conhecidos.

“WISHING” E A CONSOLIDAÇÃO DO GRUPO

Em 1983, o A Flock of Seagulls lançou Listen, segundo álbum da carreira. O trabalho trouxe outro de seus grandes clássicos, “Wishing (If I Had a Photograph of You)”, que alcançou o Top 10 britânico e posteriormente também entrou nas paradas norte-americanas. “Space Age Love Song”, do primeiro álbum, também ganhou força comercial nos Estados Unidos.
No ano seguinte veio The Story of a Young Heart, terceiro álbum de estúdio, que apresentou “The More You Live, the More You Love”. Pouco depois, Paul Reynolds deixou o grupo, encerrando a formação clássica que havia definido sua sonoridade mais característica.

MUDANÇAS, ESTADOS UNIDOS E UM NOVO CAMINHO

Após a saída de Reynolds, Mike e Ali Score se estabeleceram nos Estados Unidos, enquanto o grupo continuou como trio. Em 1986, surgiu Dream Come True, um trabalho que representou uma mudança significativa em relação aos primeiros discos e acabou não alcançando o mesmo impacto comercial.
Nos anos seguintes, novas mudanças de formação aconteceram. Ali Score e Frank Maudsley deixaram o projeto, enquanto Mike Score manteve o nome A Flock of Seagulls em atividade. Em 1995, ele lançou Light at the End of the World, continuando uma trajetória que, embora distante do fenômeno comercial do início dos anos 1980, jamais significou um desaparecimento completo da banda.

UMA BANDA QUE NUNCA DESAPARECEU COMPLETAMENTE

Ao contrário de muitos artistas associados à new wave, o A Flock of Seagulls nunca desapareceu totalmente. Mike Score continuou excursionando com diferentes músicos e, ao longo das décadas, o repertório da banda encontrou novas gerações de ouvintes.


A cultura pop também ajudou a manter esse legado vivo. “I Ran” apareceu em videogames, filmes e programas de televisão, enquanto o visual de Mike Score se tornou uma referência cultural por si só — chegando a ser parodiado e homenageado em produções como Friends e Apenas Um Show.
Em 2003, a formação original se reuniu para uma participação no programa Bands Reunited, da VH1. No ano seguinte, os quatro integrantes voltaram a tocar juntos em uma breve turnê pelos Estados Unidos. Embora a reunião não tenha se transformado em uma retomada permanente da formação clássica, o encontro reforçou o interesse pelo legado construído quatro décadas antes.

DA NOSTALGIA À RELEITURA DO PRÓPRIO LEGADO

A banda também encontrou maneiras de revisitar sua própria história. Em 2018, os quatro integrantes originais apareceram juntos em uma gravação pela primeira vez desde 1984 para o álbum Ascension, que apresentou novas versões orquestrais de seus clássicos com participação da Orquestra Filarmônica de Praga.


O projeto mostrou que aquelas composições concebidas no início dos anos 1980 ainda poderiam assumir novas formas sem perder sua identidade. Posteriormente, outros trabalhos de releitura ampliaram essa proposta, mantendo o repertório do grupo em circulação para públicos que nem sequer haviam nascido quando “I Ran” chegou às rádios e à MTV.

“SOME DREAMS” E UM NOVO CAPÍTULO

Em 2024, Mike Score apresentou Some Dreams, sexto álbum associado ao A Flock of Seagulls e o primeiro trabalho de músicas inéditas em quase três décadas. O disco trouxe novas composições e mostrou que, mesmo décadas depois de seu auge comercial, Score continua interessado em produzir material autoral.


A formação que acompanha o vocalista atualmente conta com Pando, no baixo, Kevin Rankin, na bateria, e Gord Deppe, na guitarra. É com esse quarteto que o A Flock of Seagulls chega ao Brasil para finalmente realizar uma apresentação que, durante anos, parecia improvável.

QUATRO DÉCADAS DEPOIS, O PRIMEIRO ENCONTRO COM O BRASIL

A relação do A Flock of Seagulls com o Brasil começa oficialmente apenas agora. Segundo Mike Score, houve oportunidades anteriores para que a banda viesse ao país, mas as negociações não chegaram a se concretizar. Em entrevista recente, o vocalista afirmou que a ausência nunca esteve relacionada a uma falta de interesse da banda e destacou a expectativa de finalmente tocar para os fãs brasileiros.


A espera termina em 7 de outubro de 2026, quando o Cine Joia receberá o primeiro show brasileiro do quarteto. O repertório deve percorrer diferentes momentos da carreira, passando por clássicos como “I Ran (So Far Away)”, “Space Age Love Song”, “Wishing (If I Had a Photograph of You)” e “The More You Live, the More You Love”, além de material mais recente.

Mais do que uma simples celebração nostálgica dos anos 1980, a estreia brasileira representa o fechamento de um capítulo que levou mais de quatro décadas para ser escrito. Uma banda que nasceu em Liverpool quando sintetizadores começavam a redesenhar a música pop, atravessou transformações tecnológicas, mudanças de formação e diferentes ciclos da indústria fonográfica — e que agora finalmente encontra o público brasileiro.

SERVIÇO:

A Flock of Seagulls – São Paulo
Data: 7 de outubro de 2026
Local: Cine Joia
Endereço: Praça Carlos Gomes, 82 – Liberdade, São Paulo/SP
Realização: Maraty
Turnê: Resistência Booking
Abertura dos portões: 19h
Classificação: 18 anos

Nos sigam e deêm um like na gente \m/
error
fb-share-icon

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *