Visions of Atlantis une o poder do power metal ao entretenimento lúdico em uma jornada pautada pelo fôlego temático  

Texto por Jessica Valentim (@jessvlntm) e Fotos por Diego Padilha e Marcos Hermes – MHermes Ar

Se no dia anterior o Sun Stage já havia sofrido com a interferência do palco principal, o domingo (26) não foi diferente. Escalados para abrir os trabalhos, os austríacos do Visions of Atlantis encontraram não apenas o sol escaldante esperado para o horário, mas também uma excelente ocupação de público e um velho inimigo: a invasão sonora. O Project 46, que abria o Ice Stage simultaneamente, reverberava com força pelo Memorial, tornando os primeiros minutos da navegação do Visions um desafio acústico.

Com uma discografia vasta que atravessa nove álbuns de estúdio (entre outros lançamentos ao vivo, EPs e com orquestra) e diversas trocas de formação, a banda mantém sua essência no power metal sinfônico, flertando abertamente com o chamado pirate metal. No visual, os vocalistas Clémentine Delauney e Michele Guaitoli lideram uma tripulação de bucaneiros que leva o lúdico a sério, ostentando vestes inspiradas diretamente no imaginário da pirataria. É o universo de Jack Sparrow transposto para o metal, com piratas por todos os lados.

“Master the Hurricane” abriu o set de aproximadamente uma hora, entregando um refrão melódico e toda a intensidade característica do gênero. Antes de “Monsters”, os vocalistas tentaram uma interação vocal com a plateia que resultou em uma desafinada sofrível — resta saber se pelo retorno prejudicado devido ao som vizinho ou se ainda buscavam o norte da bússola no palco.

Erros de tiro à parte, o set seguiu focado em seus trabalhos mais recentes: “Pirates” (2022), seu sucessor “Pirates II – Armada” (2024) e “Wanderers” (2019). Honestamente, muitas composições parecem navegar em águas similares e soam parecidas entre si, mas ao vivo a fórmula funciona. Toda essa estética pirata, por mais caricata que seja, cativa ou, no mínimo, desperta uma curiosidade genuína.

Os pontos altos ficaram com “Tonight I’m Alive”, que ostenta uma batida rítmica peculiar para o metal — arrancando risos de surpresa dos desavisados —, além de “Heroes of the Dawn”, que bebe da fonte do Nightwish e entregou a melhor performance vocal da tarde. Já a folclórica “Pirates Will Return” preparou o terreno para o encerramento. Enquanto isso, Christian Douscha (guitarra), Herbert Glos (baixo) e Thomas Caser (bateria) cumprem o papel de marujos experientes: entregam o que é esperado, sem grandes sobressaltos, mas com precisão.

A apresentação do Visions of Atlantis evidenciou uma banda que, embora tecnicamente prejudicada por fatores externos e oscilações pontuais de execução, possui o domínio necessário sobre sua proposta estética. Sob o sol impiedoso de São Paulo e o inevitável conflito sonoro entre os palcos, o grupo sustentou a performance através do carisma e de um repertório que, apesar de homogêneo em suas estruturas, comunica-se com eficácia junto ao público.

Setlist

1 – Master the Hurricane

2 – Monsters

3 – Clocks

4 – Tonight I’m Alive

5 – Legion of the Seas

6 – Heroes of the Dawn

7 – Hellfire

8 – Pirates Will Return

9 – Armada

10 – Melancholy Angel

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