Em noite fria em São Paulo, banda liderada por Johanna Platow mistura peso, misticismo e clássicos do repertório, consolidando nova fase diante de um público fiel e intenso
Fotos por Andre Santos (@andresantos_mnp)
O Hangar 110 recebeu, sob uma noite fria na capital paulista, o encerramento da recente turnê sul-americana do Lucifer, e o clima parecia feito sob medida para a atmosfera sombria e envolvente proposta pela banda. Em meio a mudanças significativas desde a última passagem pelo Brasil, o grupo liderado por Johanna Platow mostrou que sua nova fase não apenas se sustenta, como também aponta para um futuro promissor.
A abertura da noite ficou a cargo da Space Grease, que vem se consolidando como um nome interessante da cena paulistana. Misturando hard rock setentista, stoner, psicodelia e elementos latinos, o grupo apresentou um show dinâmico e criativo. Com presença de palco marcante, a vocalista Jú Ramirez conduziu a apresentação com uma performance intensa, destacando faixas como “My Enemy” e evidenciando o potencial do quinteto. Vale destacar que o Henrique Bitencourt (guitarra do Weedevil) toca muito, é uma mistura de John Bonham com Bill Ward, deixou o show ainda mais pesado.
Pontualmente, a introdução “The Demon Spell For Energy”, narrada pela ocultista Louise Huebner, ecoou pelo ambiente como um ritual de invocação. A sequência com “Anubis”, “Ghosts” e “Crucifix (I Burn for You)” estabeleceu imediatamente o tom da apresentação: pesado, hipnótico e carregado de identidade. A sonoridade do Lucifer bebe diretamente da fonte de bandas clássicas, mas com uma roupagem contemporânea que mantém o frescor sem abrir mão da estética vintage.
Ao longo do set, músicas como a sabbatistica “Riding Reaper”, “Wild Hearses”, “Slow Dance In A Crypt” foram recebidas com entusiasmo por um público completamente entregue. Os riffs marcantes e refrões envolventes transformaram o Hangar 110 em uma verdadeira missa negra.
Um dos momentos mais emblemáticos da noite aconteceu logo após a execução de “Lucifer”. Com sua presença magnética, Johanna se dirigiu ao público com a frase: “A má notícia é: todos nós vamos morrer. A boa é que vou levá-los ao necrotério, meu lugar favorito.”, arrancando reações entusiasmadas antes de anunciar “At The Mortuary”, conduzindo o show ainda mais fundo em sua estética macabra e teatral.
Apesar do fim da parceria pessoal e musical com Nicke Andersson, Johanna demonstrou segurança e domínio absoluto do palco. Sua performance transita com naturalidade e magia, equilibrando sensualidade, misticismo e intensidade. Duas performances que chamaram bastante atenção foram justamente as de Claudia González Díaz (baixo) e Coralie Baier (guitarra), não de forma espalhafatosa, mas pela eficiência e presença bem encaixada no conjunto da banda.
Mas seria um erro reduzir o Lucifer à figura de sua frontwoman. A banda como um todo demonstrou entrosamento e energia. Após “California Son”, o baterista Kevin Kuhn protagonizou um momento de interação descontraído ao inserir trechos de clássicos como introduções de “Run To The Hills” do Iron Maiden, “Crazy Train” do Ozzy Osbourne e “We’re No GonnaTake” do Twisted Sister, aquecendo o público para a reta final do show.
A parte derradeira ainda contou com a releitura de “Goin’ Blind”, do Kiss, executada com personalidade, antes do encerramento com “Fallen Angel”, faixa que simboliza a conexão entre a banda e seus fãs, chamados assim por Johanna.
Ao final, ficou evidente que a nova formação do Lucifer passou com louvor pelo teste ao vivo. Mais do que reafirmar sua identidade, a banda mostrou evolução, carisma e uma forte conexão com o público brasileiro, deixando no ar a expectativa por novas músicas e um retorno em breve.
Setlist Lucifer – 29/04/2026 – Hangar 110:
- Anubis
- Ghosts
- Crucifix (I Burn for You)
- Wild Hearses
- Riding Reaper
- Lucifer
- At The Mortuary
- Slow Dance In A Crypt
- The Dead Don’t Speak
- California
- Son Bring Me His Head
- Goin’ Blind (Kiss cover)
- Fallen Angel



































