Arch Enemy encerra primeira noite do Bangers com espetáculo de alto nível e o batismo emocional de sua nova formação 

Texto por Jessica Valentim (@jessvlntm) e Fotos por Marcos Hermes – MHermes Ar

O pano à frente do palco já anunciava o que estava por vir com os dizeres “Pure Fucking Metal” — uma promessa de metal em sua essência que foi cumprida nota por nota. Desde sua última visita ao Brasil, em 2022, o Arch Enemy passou por mudanças drásticas. Saíram o guitarrista Jeff Loomis (que se apresentaria no dia seguinte com o Nevermore) e a vocalista Alissa White-Gluz; ambos partiram de forma amigável, segundo comunicados oficiais. Para seus lugares, vieram Joey Concepcion (ex-Sanctuary) e, após muita especulação, a norte-americana Lauren Hart (Once Human).

O show, que encerrou o Hot Stage no sábado (25), foi anunciado em fevereiro, ocupando a vaga do Twisted Sister, que cancelou sua participação devido a problemas de saúde de Dee Snider. Com a “bênção” de Lemmy, o clássico “Ace of Spades” do Motörhead ecoou no Memorial da América Latina no som mecânico e avisava: o massacre estava prestes a começar. A intro instrumental “Khaos Overture” preparou o terreno para “Yesterday Is Dead and Gone” (em tradução livre, ‘ontem já era’) — uma mensagem pertinente para uma banda iniciando um novo capítulo.

Lauren tem a responsabilidade de preencher não apenas uma, mas duas lacunas históricas: a de Alissa e a da icônica Angela Gossow. Inclusive, a saída de Alissa gerou boatos sobre um possível retorno de Angela, que optou por seguir apenas como empresária do grupo. No palco, ficou claro que, apesar do carisma e determinação de Lauren, somente o tempo dirá se ela está totalmente apta ao posto. A apresentação de sábado deixou brechas; não por falta de talento ou técnica, que são inegáveis, mas por uma visível insegurança. A própria cantora deixou transparecer o peso do momento: visivelmente emocionada, Lauren veio ao centro do palco em lágrimas para agradecer o carinho do público, que gritava seu nome em coro. “Vocês fazem tudo valer a pena”, declarou.

Por outro lado, a “cozinha” e as guitarras seguem impecáveis. Michael Amott, líder e principal compositor, comandou as melodias e solos, ladeado pelo entrosamento de Daniel Erlandsson (bateria), Sharlee D’Angelo (baixo) e o já mencionado Joey Concepcion.

A produção foi digna de headliner, com fogos, fumaça e um desenho de luzes impressionante. Contudo, em certos momentos, a potência sonora beirou o excesso, fazendo com que os instrumentos se embolassem devido ao volume ensurdecedor dos graves.

O setlist foi uma viagem pela história da banda. Lauren perguntou à plateia: “Vocês querem ouvir uma música do primeiro álbum que Michael escreveu?”, resgatando a era de Johan Liiva com a clássica “Bury Me an Angel” (Black Earth, 1996). Da fase Alissa, foram apenas cinco canções: do álbum Will to Power (2017), “The World is Yours” (2ª) e “The Eagle Flies Alone” (10ª); do War Eternal (2014), a faixa-título (4ª); e do último disco, Blood Dynasty (2025), “Dream Stealer” (5ª) e a faixa título (7ª).

Também houve espaço para “To the Last Breath”, a única música lançada oficialmente com Lauren até agora — e que recentemente esteve no centro de uma polêmica após o guitarrista Kiko Loureiro insinuar semelhanças com seu trabalho autoral. Ao vivo, a faixa funcionou muito bem e foi executada com precisão, gerando uma curiosidade genuína sobre o que está por vir nesta nova fase.

Das demais, o público respondeu com fervor à frenética “Ravenous”, à devastadora “My Apocalypse” e ao triunfal hino “Nemesis”. Durante esta última, além de rodas abertas com sinalizadores, a produção lançou bolas de praia ao público — que, em um impulso de colecionador, foram rapidamente capturadas pela plateia, encerrando a brincadeira antes do esperado.

O encerramento do sábado não foi apenas sobre substituir o Twisted Sister; mas como ocupar o espaço com autoridade. Entre instrumentos embolados pelo volume e a catarse das rodas com sinalizadores, o Arch Enemy entregou um show que respeitou o passado sem se tornar refém dele. Lauren Hart pode ainda buscar sua segurança total, mas ao entoar ‘We are strong, we are one’, ela não estava apenas cantando um hino; ela estava pedindo passagem para liderar um dos maiores gigantes do metal.

Setlist Arch Enemy

1 – Intro: Khaos Overture + Yesterday Is Dead and Gone

2 – The World Is Yours

3 – Ravenous

4 – War Eternal

5 – Dream Stealer

6 – To the Last Breath

7 – Blood Dynasty

8 – My Apocalypse

9 – Bury Me an Angel

10 – The Eagle Flies Alone

11 – No Gods, No Masters

12 – I Am Legend/Out for Blood (‘Out for Blood’ não tocada)

13 – Dead Bury Their Dead

14 – Snow Bound (com intro solo de guitarra de Joey)

15 – Nemesis

16 – Fields of Desolation (outro instrumental)

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