Black Metal, Trash Metal e Hard Core – Tudo o que rolou no segundo Kool Metal Pré-Fest São Paulo

Pra felicidade dos ansiosos o fevereiro foi curto e o sábado, 12 de março, chegou pra esquentar o coração dos saudosistas das grandes noites de shows em SP. Aconteceu no Fabrique, o segundo Pré Kool Metal Fest, com casa cheia, público animado e bandas afiadíssimas.

Clique aqui para relembrar como foi o primeiro Kool Metal Pré Fest.

The Damnation e a grande recepção

Elevando a régua da noite, a abertura do rolê ficou a cabo das minas do The Damnation, um power trio fodido que eu ainda não tinha assistido ao vivo. Foi lindo ver a Renata Petreli com o seu punho furioso, discorrendo por melodias de um thrash metal que vez ou outra esbarram num metal old school, daqueles que arrepiam de ouvir. 

Era notável a grata surpresa de um público que chegou cedo pra descobrir do que essas minas são capazes. 

Tem um certo ar de novidade na apresentação. Dá pra sentir o frescor e o cheirinho de musicalidade que acabou de sair do forno.

Vão ver pra crer.

Sangue de Bode: Se Deus é Brasileiro o Diabo é Carioca

Não sei ao que se deve a proximidade que as bandas do rio de janeiro tem com o capiroto. Talvez seja o calor, as balas perdidas ou a suvaqueira do cristo redentor? Os ouvidos mais atentos reconhecem que quando a música do diabo vem de lá, ela é diferenciada. 

O Sangue de Bode fez a sua estréia num palco paulistano e no que depender da nossa equipe do Sonoridade, os mano são sempre bem-vindos, foi o meu show favorito da noite. 

A banda apresentou ao vivo o seu disco de 2020 chamado “A Sombra Que Me Acompanhava Era a Mesma do Diabo” e o que eu digo é: corram para ouvir faixa a faixa nos streamings 

O repertório da banda é recheado de momentos catárticos que nascem da combinação da guitarra do Gabriel Necrose com os guturais do João Verme, que em alguns momentos soam como boas referências do Deftones ao espetáculo pitoresco do Marilyn Manson, ao extremo do Napalm Death, é uma salada complexa de ritmos, palhetadas e levadas.

O que tem de mais legal no Sangue de Bode é o leque de referências sonoras que transformam a música deles em algo quase inrotulável. 

Fossilization: A banda que roubou minha brisa

O Fossilization nasceu durante a pandemia, originalmente formada por um duo composto pelos misteriosos V. e P, e rapidamente o EP de estréia “He Whose Name Was Long Forgotten” ganhou a atenção do cenário underground dentro e fora do Brasil, a banda marcou a sua estréia para o Kool Metal Fest e o que vimos foi uma demonstração do poder das forças ocultas. 

As luzes do Fabrique se apagaram, acesas ficaram somente as lâmpadas vermelhas, sombras invadiram o palco e daí pra frente eu não sei explicar que porra foi aquilo, só sei que o som era foda demais. 

Eu nunca sei a hora certa de acender o meu cigarro de maconha em eventos como esse, pro meu azar eu assisti ao show do Fossilization sob efeitos recentes da cannabis. A bad trip veio forte, confesso que senti o bafo do diabo na nuca. Tentei rezar mas reza de ateu não dá  em nada. Deixei pra lá, relaxei e curti o show… um baita show.

Damn Youth: O poder da Juventude

A energia dos moleques, é linda de ver a energia dos moleques. O Damn Youth são os caras. A banda mais perigosa do nordeste. Destrói tudo por onde passam. A banda de thrash metal do Ceará demonstrou mais uma vez o domínio do som, da fúria das guitarras e da energia do público. 

Já virou um rolê querido aqui em SP, as rodas de mosh ao som ao vivo do Damn Youth é uma experiência inesquecível. A palhetada furiosa de Camilo Neto entorpece os nossos ouvidos e a energia explosiva do vocalista Elton Luiz é um convite irrecusável pro público escalar o palco, driblar os cabos e mergulhar em stage dive. 

Foi no show da Damn Youth que rolou o único bis da noite. Ninguém queria o fim. 

Surra: Eles são bons meninos

Quem fechou a noite foi o Surra.

Já faz um tempo que eles ocupam um lugar de destaque no cenário do hard core nacional. Foi a primeira vez que eu os vi ao vivo. A potência da banda é um mergulho profundo na mesma potência da juventude que resiste nas cidades do Brasil. 

Em ano de eleição o show do Surra é um evento político. É a resistência dos que se arrastaram pelos cantos da sobrevivência nos últimos anos e ousam botar a roupa, partir pro rolê e ocupar os espaços sem o medo da morte.

Precisamos de mais shows do Surra. E Precisamos de mais eventos como esses que foram promovidos pela produção do Kool Metal Fest.

Bandas como o Surra e festivais como o Kool Metal Fest fazem a cena de uma cidade imensa como São Paulo existir.

Vamos testemunhar mais momentos como esse, no dia 25/05 acontece no Carioca, o Kool Metal Fest, com uma programação imperdível:

Ratos de Porão lançando o seu novo disco, os deuses do death metal Krisiun, a estréia da Crypta no Brasil, a banda belga Belphegor e muito mais…

Para comprar os ingressos clique no link

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