Do rock psicodélico ao shoegaze, a programação de 2026 abre espaço de sobra para se perder no barulho e curtir diferentes estilos.
Ir ao Balaclava Fest por uma banda favorita e acabar descobrindo outra no caminho faz parte da experiência. Quem já conhece o evento, que é sempre elogiado por sua curadoria, sabe que sempre vale reservar espaço para as que ainda não entraram na sua playlist. Ao longo de 26 e 27 de setembro, a programação passa pelo pop de guitarras de Sharp Pins, pelas histórias de Pedro the Lion, pela psicodelia de Winona Riders e por sons bem mais difíceis de prender a uma etiqueta. Escolhemos cinco artistas de gêneros diferentes para ajudar você a montar a sua programação e conferir novos sons na 16a edição do evento.
Winona Riders com rock psicodélico
Domingo, 27 de setembro
A banda argentina Winona Riders parte do garage rock e da psicodelia, mas não parece interessada em ficar presa na estética e sonoridade dos anos 1960. Em seus discos, guitarras ácidas convivem com impulsos de proto-punk e ritmos que flertam com o universo de Madchester. Há músicas que avançam sem pedir licença e outras que se estendem até você esquecer onde começaram. Para quem gosta de um show que pode ficar mais estranho – e mais interessante – a cada minuto, é um nome para marcar no domingo.
Para começar: “En Mi Radar”
Sharp Pins com jangle pop
Sábado, 26 de setembro
Sharp Pins é o projeto de Kai Slater, músico de Chicago que também toca no Lifeguard. Suas canções têm guitarras brilhantes e melodias que remetem ao pop dos anos 1960, mas chegam com a textura charmosa de uma gravação lo-fi. Slater parece gostar de deixar à vista o processo de fazer as músicas: os arranjos são cheios de ideias, e a produção não tenta polir cada canto.
O resultado, em Balloon Balloon Balloon (2025), tem tanto de jangle pop quanto de garage. É a escolha para quem gosta de descobrir uma música pela manhã e já querer cantar o refrão à noite.
Para começar: “Popafangout”.
Pedro the Lion – indie rock e emo
Sábado, 26 de setembro
David Bazan, à frente do Pedro the Lion, escreve há décadas sobre fé, culpa, família e as coisas que as pessoas fazem quando não sabem lidar umas com as outras. Sua ligação com o emo vem dessa disposição para expor conflitos pessoais, mas o modo como constrói as canções também conversa com o indie rock e o slowcore. Entre tantas guitarras que pedem movimento no festival, suas músicas oferecem outro ritmo de escuta.
O disco Santa Cruz (2024) faz parte de uma série de cinco álbuns em que o músico revisita lugares onde viveu. É um bom ponto de entrada para conhecer sua escrita.
Para começar: “Don’t Cry Now”, do álbum Santa Cruz (2024).
High Vis com post-punk – e um o pé no hardcore
Domingo, 27 de setembro
O grupo londrino High Vis vem do hardcore e preserva sua urgência, mas aprendeu a abrir espaço para melodias expansivas e groovadas, com refrões que parecem feitos para serem cantados em grupo. Em Guided Tour (2024), essas influências convivem sem que a música perca o impacto.
Talvez “post-punk” seja o jeito mais rápido de apresentar High Vis a alguém que nunca ouviu a banda. Só não convém esperar que ela se comporte sempre como uma banda de post-punk.
Para começar: “Guided Tour”.
Adorável Clichê com shoegaze
Domingo, 27 de setembro
O shoegaze costuma ser descrito pelas suas paredes de guitarra, mas, em Adorável Clichê, também vale ouvir o que acontece dentro delas. A banda catarinense combina ruído e dream pop em canções delicadas, cantadas em português, que deixam a emoção bem à frente da névoa sonora que o instrumental cria. Em sonhos que nunca morrem (2024), as referências ao gênero estão presentes, mas a intimidade das letras dá ao grupo uma identidade própria. É o tipo de som que pode envolver uma sala inteira sem deixar de parecer pessoal.
E, para quem vai ao festival principalmente por DIIV ou Wishy, o show da Adorável Clichê é uma chance de conhecer como uma banda brasileira trabalha sonoridades próximas às deles a seu próprio modo.
Para começar: “distantes”.
Dois dias para sair da playlist de sempre
Esses cinco artistas são só um pequeno recorte. No total, serão 16 shows, distribuídos entre sábado e domingo. O Balaclava Fest acontece no Tokio Marine Hall, em São Paulo. Os ingressos estão disponíveis na Ingresse, com desconto para o Combo de dois dias, sujeito à disponibilidade, e parcelamento em até 10 vezes sem juros.


