Resenha: Lost Society – Hell Is A State Of Mind (2026)

O filósofo francês Jean-Paul Sartre certa vez disse que “o inferno são os outros”. Agora, a banda finlandesa de metal LOST SOCIETY surge para desafiar essa máxima com o título de seu próximo álbum, “Hell Is a State of Mind” (“O Inferno é um Estado de Espírito”). Particularmente, concordo com ambas as ideias, mas não vamos nos desviar do assunto. E o fato é que o novo disco do LOST SOCIETY, “Hell Is a State of Mind”, será lançado em 6 de março de 2026, via Nuclear Blast.

Antes de mergulharmos nos detalhes deste álbum, vamos esclarecer algumas coisas. Em primeiro lugar, para aqueles que ainda sentem saudades da fase thrash metal da banda, este não é o álbum para vocês, melhor seguir em frente. Em segundo lugar, entrar na audição com ideias preconcebidas como “isso não é metal” ou “isso é emo demais” não vai ajudar em nada, pois você apenas reforçará essas impressões na sua própria cabeça. Em terceiro lugar, a banda ainda está em um processo de descoberta quando se trata de seu novo som, e este álbum evidencia essa busca por meio de sua diversidade sonora e de detalhes musicais contraditórios. Portanto, o que o LOST SOCIETY tenta fazer aqui é reivindicar um nicho que seja “irreprimido, inconfundível e assumidamente próprio”.

No entanto, o que o álbum não carece é de convicção ou confiança naquilo que oferece, mas sim de coesão e consistência, já que as músicas puxam para direções muito distintas sem uma paisagem sonora sólida que una todas as ideias conflitantes. Isso já fica evidente nos singles lançados até agora: desde a faixa groovada ao estilo Rob Zombie, “Dead People Scare Me (But the Living Make Me Sick)”, passando pela mistura de metal moderno com elementos orquestrais em “Blood Diamond”, até a mais emocional “Is This What You Wanted”, com suas cordas e atmosfera cinematográfica, são três músicas distintas, com climas igualmente distintos. Isso não significa que seja tudo ruim, pois há muitos momentos que funcionam e várias canções bastante boas; o problema é que nem tudo flui bem em conjunto, e em certos momentos a desconexão chega a ser um pouco brusca.

Falando dos pontos positivos: os elementos orquestrais acrescentam frescor ao som e conferem uma textura rica às músicas, além de reforçarem o peso emocional das letras. Pode ser um desafio conciliar a crueza do heavy metal com o drama e a teatralidade das cordas em um contexto que não é nem metal sinfônico nem power metal, mas o LOST SOCIETY apostou tudo nessa ideia, e o resultado é tão insano e imprevisível quanto se poderia esperar. As faixas de abertura, “Afterlife” e “Blood Diamond”, apresentam (em sua maior parte) uma combinação bem-sucedida de metal moderno com grandiosidade orquestral, sustentadas por refrães marcantes, riffs afiados e a alternância entre vocais limpos e guturais de Samy Elbana. Mais adiante no álbum, “Kill the Lights” e “No Longer Human” seguem fórmula semelhante, sendo músicas pesadas com padrões de bateria poderosos e acentos orquestrais cortantes que atravessam a névoa de guitarras e baixo. A faixa-título e encerramento, “Hell Is a State of Mind”, mergulha de vez na proposta ao integrar os elementos orquestrais de forma mais orgânica ao design sonoro, alternando entre trechos mais suaves e orquestrais e momentos mais intensos conduzidos pelas guitarras.

Por outro lado, que diabos é “Synthetic” e por que está posicionada como a terceira faixa do tracklist? Sendo um verdadeiro turbilhão de elementos amontoados, ela acaba soando mais dissonante e desconcertante do que qualquer outra coisa, interrompendo totalmente o fluxo do álbum, e leva um tempo até que o disco volte aos trilhos após esse descarrilamento frenético. O “hino de Halloween” “Dead People Scare Me (But the Living Make Me Sick)” é outro que não se encaixa muito bem no planejamento sonoro mais cuidadoso do restante do álbum, já que se apoia demais em sua levada groovada, riffs pesados e ataque vocal acelerado. Apesar do título interessante, “Personal Judas” é mais uma experiência que não deu certo e acabou contribuindo para a sensação de excesso, com sua mistura de eletrônicos e guitarras distorcidas.

No geral, “Hell Is a State of Mind” é uma espécie de monstro de Frankenstein em forma sonora, com partes que funcionam muito bem, outras que simplesmente não se misturam com o restante e algumas que parecem não pertencer a essa combinação, deixando o resultado final um tanto irregular. O álbum apresenta boas ideias, mas, na maioria das vezes, a execução carece de refinamento. Tudo isso resulta em um trabalho desigual e inconsistente, apesar dos elementos orquestrais e do metal servirem como base para a maior parte das faixas. É louvável que o LOST SOCIETY esteja tentando construir seu próprio nicho como tantas bandas fizeram antes, mas será necessário adotar uma abordagem mais consistente na composição e ter um domínio mais firme de seu som moderno para que todas as peças finalmente se encaixem.

Tracklist

1. Afterlife
2. Blood Diamond
3. Synthetic
4. Is This What You Wanted
5. L’appel du Vide
6. Kill The Light
7. No Longer Human
8. Dead People Scare Me (But The Living Make Me Sick)
9. Personal Judas
10. Hell is A State of Mind

Lineup

  • Samy Elbanna – vocals, guitars
  • Arttu Lesonen – guitars
  • Mirko Lehtinen – bass
  • Tapani Fagerström – drummer

Gravadora: Nuclear Blast

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