Blackberry Smoke entrega aula de southern rock na Audio e transforma São Paulo em território da Geórgia

Com setlist abrangente e performance visceral, banda norte-americana reforça sua conexão com o público brasileiro após sete anos de espera

Fotos por Flávio Santiago (@onstage666) – Fotos gentilmente cedidas pela Onstage 

Após um hiato de sete anos longe dos palcos brasileiros, o Blackberry Smoke retornou a São Paulo no último sábado (11), na Audio, com a missão de reafirmar por que é considerado um dos principais nomes do renascimento moderno do southern rock. E conseguiu, com autoridade, carisma e um repertório que percorreu diferentes fases da carreira, a banda transformou a casa em uma verdadeira extensão do sul dos Estados Unidos, embalada por um público visivelmente emocionado e participativo do início ao fim. A realização da turnê foi da com realização da Solid Music Entertainment e Caveira Velha Produções.

Desde os primeiros acordes de “Good One Comin’ On”, ficou claro que a noite seria especial. A faixa abriu os trabalhos com energia direta, funcionando como um convite imediato à imersão no universo da banda, prontamente aceito por uma plateia que já cantava junto em uníssono. Na sequência, “Workin’ for a Workin’ Man” manteve o ritmo elevado, com sua pegada clássica e refrão marcante, ecoando forte entre os fãs, que acompanharam cada verso com muita emoção.

“Payback’s a Bitch” trouxe um groove mais carregado, enquanto “Hammer and the Nail” reforçou a identidade da banda com riffs sólidos e aquele clima típico de estrada poeirenta. Já em “Till the Wheels Fall Off”, o Blackberry Smoke mostrou sua habilidade em equilibrar peso e melodia, conduzindo o público, que seguia cantando e reagindo a cada virada, com naturalidade.

A primeira virada emocional da noite veio com “Lucky Seven” e “Hey Delilah”, que trouxeram uma atmosfera mais introspectiva e cadenciada, criando momentos de conexão mais íntima entre banda e plateia. Mas foi com “Pretty Little Lie”, a minha favorita, que essa relação atingiu outro nível, um dos pontos mais altos do show, com o público cantando junto a banda, transformando a Audio em um grande coral. A banda como um todo é impecável, mas o grande destaque vai para o vocalista Charlie Starr: um frontman completo, carismático, comunicativo e sempre sorridente, dono de uma voz poderosa que facilmente rivaliza com a de cantores de qualquer estilo. Ao seu lado, a formação atual conta com Richard Turner no baixo e backing vocals, Paul Jackson na guitarra e backing vocals , Brandon Still nos teclados, e Benji Shanks na guitarra, bandolim e dobro, todos contribuindo para a solidez e a identidade sonora do grupo.

“You Hear Georgia” reforçou o orgulho das raízes da banda, com sua construção envolvente e narrativa forte, enquanto “Waiting for the Thunder” elevou novamente a intensidade, com uma performance vibrante e carregada de atitude, acompanhada de braços erguidos e vozes sincronizadas.

Na sequência, “Sure Was Good” trouxe leveza e balanço, preparando terreno para um dos momentos mais criativos da noite: “Sleeping Dogs”, que surpreendeu ao incorporar trechos de “Come Together”, dos Beatles, em uma fusão orgânica e cheia de personalidade, recebida com entusiasmo imediato pelo público.

A reta final do set principal manteve o nível alto. “Azalea” e “Prayer for the Little Man” exploraram nuances mais emocionais, enquanto “One Horse Town”, um dos maiores clássicos da banda, a faixa foi recebida quase como um hino, com o público cantando cada palavra de forma intensa. “Ain’t Got the Blues” trouxe uma pegada mais solta, contrastando com a delicadeza de “Sunrise in Texas”, executada com sensibilidade e atenção total da plateia.

Encerrando o set regular, “Run Away From It All” funcionou como uma síntese da proposta da banda: liberdade, estrada e sentimento, novamente com o público acompanhando cada frase da música.

O bis veio com ainda mais peso e referências. “Poison Whiskey”, clássico do Lynyrd Skynyrd, foi uma homenagem direta às raízes do southern rock, executada com respeito e intensidade. Já “Ain’t Much Left of Me” encerrou a noite em grande estilo, incorporando trechos da clássico “When The Levee Breaks”, do Led Zeppelin, em um momento poderoso, com a plateia entregue, cantando e celebrando cada segundo final.

A apresentação do Blackberry Smoke na Audio foi uma celebração ao southern rock. A noite deixou claro que o southern rock segue mais vivo do que nunca, e que, no Brasil, ele encontra um público à altura de sua intensidade.

Setlist – Audio – 11/04/2026

  1. Good One Comin’ On
  2. Workin’ for a Workin’ Man
  3. Payback’s a Bitch
  4. Hammer and the Nail
  5. Till the Wheels Fall Off
  6. Lucky Seven
  7. Hey Delilah
  8. Pretty Little Lie
  9. You Hear Georgia
  10. Waiting for the Thunder
  11. Sure Was Good
  12. Sleeping Dogs – (With Come Together interlude)
  13. Azalea
  14. Prayer for the Little Man
  15. One Horse Town
  16. Ain’t Got the Blues
  17. Sunrise in Texas – (Michael Tolcher cover)
  18. Run Away From It All
  19. Poison Whiskey – (Lynyrd Skynyrd cover)
  20. Ain’t Much Left of Me – (With When The Levee Breaks interlude)
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