Antes dos horários nobres e dos palcos lotados: um pequeno roteiro de descobertas com artistas da cena brasileira que fazem valer cada minuto no começo do Lollapalooza 2026 e transformam a experiência do festival em algo muito mais amplo e interessante.
Se você costuma frequentar festivais e sempre chega só para ver os headliners, já parou pra pensar no tanto de coisa boa que você está deixando passar? Em eventos do tamanho do Lollapalooza, é comum que os primeiros horários sejam tratados como aquecimento, quase um pano de fundo para o que “realmente importa” mais tarde. Mas essa lógica ignora justamente um dos aspectos mais ricos de um festival: o encontro com artistas que ainda não estão no centro do hype, mas que ajudam a desenhar o presente e o futuro da música brasileira.
O Lollapalooza, ao longo dos anos, se consolidou como um grande termômetro do pop global, mas também como uma vitrine estratégica para a cena nacional. Entre um headliner internacional e outro, surgem brechas importantes para artistas brasileiros ocuparem palcos gigantes, testarem novas audiências e ampliarem o alcance de trabalhos que, muitas vezes, nasceram em circuitos pequenos, casas independentes e cenas locais bem específicas.
Por isso, prestigiar esses shows não é só “descobrir banda nova”. É acompanhar de perto movimentos que estão acontecendo agora, ver artistas em um momento decisivo de suas trajetórias e entender o festival como algo que vai além do espetáculo grandioso. Pensando nisso, reunimos cinco nomes da cena brasileira que fazem valer cada minuto no começo do Lollapalooza 2026. Vem conferir:

Cidade Dormitório
A sergipana Cidade Dormitório carrega uma trajetória que foge completamente dos atalhos fáceis da cena alternativa. Ao longo de mais de dez anos de atividade, o trio foi moldando uma identidade própria ao cruzar a urgência do punk com camadas psicodélicas e letras que observam, sem romantizar, os impasses dos relacionamentos e da vida adulta. É um som direto, barulhento quando precisa ser, mas sempre atento à tensão emocional que sustenta cada faixa.
No álbum mais recente, RUÍNA ou O começo me distrai (2022), a banda aprofunda essa proposta ao apostar em composições mais densas, riffs repetitivos e uma atmosfera quase hipnótica, sem abrir mão da energia direta que sempre marcou seus shows. No fim de 2025, a banda ainda sinalizou novos caminhos com o single “Barco Amnésia”, que mantém o espírito cru do grupo, mas flerta com estruturas mais abertas e um senso de deriva que dialoga bem com sua fase atual.
Assistir ao show no Lollapalooza BR será uma oportunidade de percorrer, mesmo que em um show curto, de pouco mais de uma hora, diferentes momentos da trajetória da banda. Um convite para conhecer, ou revisitar, uma das histórias mais consistentes da cena independente brasileira recente, logo nos primeiros horários do festival.
terraplana
Quem frequenta os rolês da cena indie com certeza já conhece esse nome. Diretamente de Curitiba, a terraplana vem se consolidando como um dos nomes mais interessantes do shoegaze e do dream pop nacional. Com camadas densas de guitarra, vocais etéreos e uma atmosfera melancólica, a banda constrói um som que flerta com o introspectivo sem perder potência.
Em natural (2025), seu disco mais recente, a terraplana expandiu sua paleta sonora, apostando em texturas mais complexas e arranjos que funcionam tanto em fones de ouvido quanto em grandes sistemas de som. No palco, o grupo cria uma espécie de transe coletivo, perfeito para quem quer começar o dia de festival de forma imersiva, deixando o barulho externo da cidade de São Paulo de lado por alguns minutos.
Jonabug
Jonabug, de Marília (SP), representa uma faceta mais experimental e híbrida da nova cena brasileira. O projeto se move com naturalidade entre o rock alternativo, o pop torto e certa herança punk, sempre com um olhar atento para melodias grudentas e arranjos que não se acomodam no óbvio. Existe ali uma energia juvenil e músicas que partem de inquietações pessoais, atravessadas por humor ácido e uma sensibilidade que conversa diretamente com a geração atual.
O disco de estreia, três tigres tristes (2025), lançado recentemente também em vinil, marca esse momento de afirmação artística. As canções revelam uma compositora interessada em testar limites, sem perder o senso de identidade.
No contexto do Lolla, o show da Jonabug aparece como uma chance de acompanhar de perto um nome em plena fase de expansão e apostar na descoberta.
Papangu
De João Pessoa, o Papangu talvez seja um dos nomes mais singulares dessa lista. A banda mistura metal progressivo, ritmos nordestinos, psicodelia e elementos do rock experimental em uma proposta difícil de rotular. O álbum Lampião Rei (2024) chamou atenção pela ambição conceitual e pela forma como dialoga com imaginários regionais sem cair em caricaturas. Ao vivo, o Papangu entrega um show intenso, técnico e ritualístico, que transforma o palco em um espaço de confronto sonoro. Que tal chegar cedo e aproveitar a oportunidade rara de testemunhar uma proposta radical ocupando um espaço tradicionalmente dominado por fórmulas mais seguras?
Stefanie
Rapper, compositora e uma das vozes mais afiadas da cena paulistana, Stefanie carrega uma trajetória marcada pela independência e pela construção paciente de um discurso próprio. Em seu álbum mais recente, BUNMI (2025), ela explora temas como identidade, ancestralidade, vivência periférica e autonomia artística, sempre com rimas precisas e beats que dialogam tanto com o boom bap quanto com sonoridades mais contemporâneas.
No palco, Stefanie entrega presença, controle e mensagem num show que não depende de artifícios grandiosos para impactar. Começar o dia com uma apresentação assim é também lembrar que o rap brasileiro segue sendo um dos espaços mais férteis de criação e reflexão.
Além disso, em festivais como o Lollapalooza, a experiência vai muito além da música. Para quem chega cedo e está disposto a encarar algumas filas, é possível participar de diversas ativações de marcas patrocinadoras, conhecer projetos interativos, garantir brindes e circular pelo Autódromo com mais calma, antes da superlotação dos horários noturnos. Chegar cedo não é só uma questão de ver mais shows, mas também de viver o festival de forma mais ampla, atenta e curiosa.
Com os ingressos à venda no site da Ticketmaster, ainda dá tempo de se planejar para viver o Lollapalooza 2026 desde o começo. Acesse e confira as opções disponíveis clicando aqui.

