Poucas bandas do death metal conseguiram atravessar mais de 40 anos mantendo identidade, relevância e peso como o Obituary. Nascidos na efervescente cena da Flórida, os norte-americanos construíram uma discografia sólida, marcada por riffs groovados, vocais inconfundíveis e uma resistência quase obstinada às modas do metal extremo. A seguir, um panorama álbum por álbum dessa trajetória.

Slowly We Rot (1989)
O álbum de estreia do Obituary é um marco fundacional do death metal. Cru, violento e direto, apresenta riffs simples e sufocantes aliados ao vocal gutural quase primitivo de John Tardy. A produção ainda rústica contribui para o clima de horror e decomposição que definiu o gênero no fim dos anos 80. Aqui, o Obituary ainda soa mais próximo do thrash extremo, mas já aponta para uma identidade própria. Um clássico absoluto da cena.
Destaques:
• Slowly We Rot
• Internal Bleeding

Cause of Death (1990)
Com produção mais refinada e participação de James Murphy nas guitarras, o Obituary dá um salto técnico sem perder brutalidade. Cause of Death é mais denso, sombrio e cadenciado, ajudando a estabelecer o “groove mórbido” que viraria marca registrada da banda. As músicas ganham estruturas mais definidas, e os riffs se tornam ainda mais memoráveis. Para muitos fãs, é o melhor disco da carreira.
Destaques:
• Chopped in Half
• Cause of Death

The End Complete (1992)
Considerado o álbum mais acessível do Obituary, The End Complete equilibra peso extremo com refrões memoráveis. O disco amplia o alcance da banda sem comprometer sua agressividade, alcançando sucesso comercial dentro do underground. A sonoridade é mais limpa e direta, com riffs ainda mais marcantes e cadência quase hipnótica. Um ponto alto da fase clássica.
Destaques:
• The End Complete
• I’m in Pain

World Demise (1994)
Lançado em meio à transformação do metal extremo nos anos 90, World Demise incorpora elementos mais modernos e uma produção polida. O Obituary flerta com grooves mais arrastados e uma abordagem quase industrial em certos momentos. Apesar de dividir opiniões, o álbum mostra uma banda disposta a experimentar sem abandonar sua essência. Um retrato fiel da época.
Destaques:
• Don’t Care
• Final Thoughts

Back from the Dead (1997)
Após um período conturbado, o Obituary retorna com um disco mais seco, pesado e introspectivo. Back from the Dead aposta em climas sombrios e andamento mais lento, refletindo um momento menos expansivo da banda. Embora menos celebrado, o álbum mantém a integridade sonora do grupo e reforça seu apego à brutalidade simples.
Destaques:
• Back from the Dead
• Threatening Skies

Frozen in Time (2005)
Depois de anos afastados, o Obituary volta em plena forma. Frozen in Time soa como uma declaração de princípios: pesado, direto e fiel às raízes do death metal da Flórida. O disco é bem recebido por fãs antigos e por uma nova geração, provando que a banda ainda tinha muito a dizer. Um retorno sólido e respeitado.
Destaques:
• Insane
• On the Floor

Xecutioner’s Return (2007)
Aqui, o Obituary abraça de vez o death metal old school. A produção crua e a abordagem direta remetem aos primeiros álbuns, mas com a experiência de décadas. É um disco agressivo, sem concessões, feito claramente para os fãs mais puristas. Um retorno consciente às origens.
Destaques:
• Xecutioner’s Return
• Redneck Stomp
Darkest Day (2009)

Com um som mais encorpado e moderno, Darkest Day apresenta riffs mais elaborados e atmosferas densas. A banda demonstra maturidade ao equilibrar brutalidade e dinâmica, explorando variações rítmicas sem perder peso. É um disco sólido, que reafirma o Obituary como força ativa no death metal contemporâneo.
Destaques:
• Darkest Day
• Blood to Give

Inked in Blood (2014)
Lançado em um momento de renovado interesse pelo death metal clássico, Inked in Blood é um dos discos mais elogiados da fase recente. O álbum combina groove, agressividade e refrões fortes, mostrando uma banda confortável com sua identidade. O Obituary soa confiante, violento e extremamente coeso.
Destaques:
• Inked in Blood
• Violent by Nature

Obituary (2017)
O álbum autointitulado reforça a ideia de que a banda não precisa reinventar sua fórmula. Pesado, direto e eficaz, o disco mantém alto nível de qualidade e mostra entrosamento absoluto entre os integrantes. É a prova de que a longevidade do Obituary está diretamente ligada à sua fidelidade sonora.
Destaques:
• Ten Thousand Ways to Die
• Sentence Day

Dying of Everything (2023)
O trabalho mais recente do Obituary mostra uma banda envelhecida apenas no calendário. Dying of Everything soa urgente, pesado e extremamente atual, sem abrir mão das raízes. Com riffs esmagadores e vocais ainda brutais, o álbum reforça o status do grupo como uma das instituições definitivas do death metal mundial.
Destaques:
• Dying of Everything
• The Wrong Time

