Helloween celebra 40 anos com clássicos, surpresas e uma noite histórica em São Paulo

Banda alemã transforma a Suhai Music Hall em uma grande celebração de quatro décadas de história, reunindo clássicos, surpresas e três de suas vozes mais importantes

Fotos por Gustavo Diakov (@xchicanox)

Celebrar 40 anos de carreira no heavy metal não é uma tarefa simples. Para o Helloween, porém, a comemoração ganhou uma dimensão ainda maior na noite de 19 de setembro, quando a banda alemã levou sua turnê 40 Years Anniversary para a Suhai Music Hall, em São Paulo.

Com aproximadamente duas horas e quinze minutos de duração, o show percorreu diferentes momentos da carreira do grupo e apostou em um setlist que equilibrava clássicos absolutos, músicas menos frequentes e algumas surpresas. O resultado foi uma apresentação dinâmica, marcada pela interação entre Michael Kiske, Andi Deris e Kai Hansen, pela força instrumental da formação atual e por uma plateia completamente entregue.

A noite começou com a introdução de “Let Me Entertain You”, de Robbie Williams, preparando o público para a entrada da banda. Quando os primeiros acordes de “March of Time” surgiram, a Suhai imediatamente explodiu. A escolha foi significativa: uma faixa extremamente querida pelos fãs e que não costuma aparecer com tanta frequência nos repertórios recentes.

Na sequência, “The King for a 1000 Years” trouxe Andi Deris para o centro das atenções, mostrando a força da fase iniciada pelo vocalista na década de 1990. A música ganhou ainda mais dimensão com a presença de Kiske, reforçando a característica mais marcante da formação atual: duas vozes históricas dividindo o mesmo palco.

“Future World” veio logo depois, com Kai Hansen assumindo alguns trechos dos vocais. A participação do guitarrista e vocalista foi um dos elementos mais nostálgicos da apresentação, especialmente para os fãs que acompanham a banda desde os primeiros anos.

O repertório então avançou para a atual fase com “This Is Tokyo”, faixa de Giants & Monsters (2025), antes de retornar à força dos clássicos com “We Burn”. Andi Deris entregou uma interpretação vigorosa, enquanto a plateia respondeu em coro.

“Twilight of the Gods” trouxe novamente Michael Kiske aos vocais, mantendo a velocidade e as melodias características do Helloween. Já “Ride the Sky” colocou Kai Hansen novamente em evidência. Ouvir o músico interpretando uma composição tão importante para a primeira fase da banda foi um dos momentos mais simbólicos da noite.

Depois, “Into the Sun” trouxe uma atmosfera mais melódica e serviu como respiro antes de outra surpresa: “I’m Alive”. A faixa de Keeper of the Seven Keys Part I foi executada pela primeira vez nesta turnê justamente no último show brasileiro, arrancando uma das reações mais entusiasmadas do público.

Andi Deris voltou aos vocais em “Hey Lord!”, representando mais uma vez a fase posterior da discografia, enquanto “Universe (Gravity for Hearts)” apresentou um lado mais progressivo do material recente.

Depois do solo de bateria de Daniel Löble, veio um dos momentos mais aguardados: “I Want Out”. Normalmente associada à reta final dos shows, a música apareceu mais cedo e transformou a Suhai em um gigantesco coral.

A intensidade deu lugar a um dos momentos mais bonitos da apresentação. Michael Kiske e Andi Deris retornaram ao palco apenas com violões para uma introdução que passou por “Suspicious Minds”, de Elvis Presley, e “Yesterday”, dos Beatles, antes de desembocar em “A Tale That Wasn’t Right”.

O formato acústico deixou as duas vozes completamente expostas e criou um dos momentos mais emocionantes da noite. Quando a banda entrou novamente e Michael Weikath executou o conhecido solo da música, a apresentação ganhou ainda mais força.

A calmaria durou pouco. “A Little Is a Little Too Much”, outra faixa de Giants & Monsters, recolocou a banda em alta velocidade. Em seguida, “Heavy Metal (Is the Law)” trouxe Kai Hansen novamente aos vocais, em uma celebração direta do próprio espírito do gênero.

A parte principal do show terminou com “Halloween”, uma das músicas mais emblemáticas da história do Helloween. Longa, dinâmica e teatral, a faixa funcionou como uma síntese perfeita da trajetória da banda e encerrou o set principal em grande estilo.

Mas ainda faltava o bis.

A introdução de “Keeper of the Seven Keys” abriu caminho para “Eagle Fly Free”, recebida com uma das maiores explosões da noite. Kiske mostrou novamente sua impressionante capacidade vocal, enquanto a banda entregou uma performance pesada e precisa.

Na sequência, “Power” colocou Andi Deris novamente em destaque. O público cantou junto do início ao fim, reforçando a importância da fase Deris na história do grupo.

Para encerrar, “Dr. Stein” reuniu novamente Kiske e Deris e trouxe a banda de volta ao universo de Keeper of the Seven Keys, incluindo o tradicional encerramento relacionado ao álbum.

Mais do que uma sequência de clássicos, o show mostrou como o Helloween conseguiu transformar sua própria história em uma celebração coletiva.

Michael Kiske continua impressionante nos vocais, enquanto Andi Deris demonstra que sua voz se tornou tão importante para a identidade da banda quanto o material clássico. Kai Hansen, por sua vez, acrescenta uma dose especial de nostalgia sempre que assume o microfone.

No instrumental, Michael Weikath, Sascha Gerstner, Markus Grosskopf e Daniel Löble sustentam uma formação extremamente entrosada, com as três guitarras proporcionando peso e dinâmica ao repertório.

Visualmente, o espetáculo também foi grandioso, com telões, iluminação e elementos relacionados ao universo de Keeper of the Seven Keys acompanhando as diferentes fases do show.

O único ponto abaixo do nível da apresentação foi o som em alguns setores da Suhai Music Hall, que apresentou momentos embolados e estridentes. Ainda assim, a energia da banda e a resposta do público conseguiram superar o problema.

Com um repertório que passeou por “March of Time”, “The King for a 1000 Years”, “Future World”, “This Is Tokyo”, “We Burn”, “Twilight of the Gods”, “Ride the Sky”, “Into the Sun”, “I’m Alive”, “Hey Lord!”, “Universe”, “I Want Out”, “A Tale That Wasn’t Right”, “A Little Is a Little Too Much”, “Heavy Metal (Is the Law)”, “Halloween”, “Eagle Fly Free”, “Power” e “Dr. Stein”, o Helloween entregou uma comemoração que não ficou presa ao passado.

A banda revisitou sua história, resgatou músicas inesperadas e, principalmente, mostrou que quatro décadas depois de seu início continua capaz de transformar um palco em uma verdadeira celebração do heavy metal.

São Paulo não apenas assistiu aos 40 anos do Helloween. A cidade cantou, pulou e celebrou cada capítulo dessa história junto com a banda.

HELLOWEEN – 19/09 – SUHAI MUSIC HALL

  1. March of Time
  2. The King for a 1000 Years
  3. Future World
  4. This is Tokyo
  5. We Burn
  6. Twilight of the Gods
  7. Ride the Sky
  8. Into the Sun
  9. I’m Alive (exclusivo de SP)
  10. Hey Lord!
  11. Universe (Gravity for Hearts)
  12. Solo de bateria
  13. I Want Out
  14. A Tale That Wasn’t Right (com trechos de “Suspicious Minds”, de Elvis Presley, e “Yesterday”, dos Beatles; início acústico com Michael Kiske e Andi Deris; banda entra depois)
  15. A Little Is a Little Too Much
  16. Heavy Metal (Is the Law)
  17. Halloween
  18. Bis:
  19. Invitation + Eagle Fly Free
  20. Power
  21. Dr. Stein (com “outro” de “Keeper of the Seven Keys”)
Nos sigam e deêm um like na gente \m/
error
fb-share-icon

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *