Foto por Fernanda Pistoresi Arantes
O vocalista do Testament, Chuck Billy, falou abertamente sobre a transformação pessoal que viveu após enfrentar um câncer raro no início dos anos 2000. Em entrevista ao Dr. Music para divulgar sua autobiografia Holding My Breath: The Two Testaments Of Chuck Billy, o cantor afirmou que a experiência o aproximou mais da espiritualidade do que da religião.
Criado em uma família católica, Billy explicou que sua relação com a fé mudou ao longo dos anos, especialmente após entrar em contato com diferentes culturas durante as turnês e aprofundar sua conexão com suas raízes indígenas norte-americanas.
“Bem, eu fui criado como católico, então cresci dentro da religião — catecismo, todas essas coisas durante a escola. Minha mãe era muito religiosa. Então eu diria que fui criado de forma religiosa. Era o que eu conhecia. Não conhecia nada além disso.”
Segundo o músico, uma série de acontecimentos o levou a conhecer curandeiros indígenas justamente durante o período mais difícil de sua vida. A partir desse contato, passou a enxergar o processo de cura sob uma perspectiva diferente.
“Desde o primeiro deles que encontrei, adotei uma mentalidade muito forte de que, para mim, era uma questão de mente sobre matéria. Qualquer coisa que eu estivesse fazendo, acreditava que estava funcionando. Qualquer que fosse nosso objetivo, eu acreditava mentalmente que estávamos alcançando algo naquele momento.”
Billy relembrou que as experiências vividas durante o tratamento foram profundas e tiveram impacto duradouro em sua forma de compreender a espiritualidade.
“Depois de vivenciar toda a experiência indígena e passar por coisas inacreditáveis, que realmente abriram minha mente, além do resultado final de vencer a doença, eu poderia simplesmente dizer: ‘Graças a Deus’ ou ‘graças a qualquer força superior’.”
O cantor afirma que, após superar o câncer, passou a adotar uma visão mais ampla sobre crenças e religiões.
“Mas acho que isso me tornou mais espiritual do que religioso. E, ao longo desses mais de 20 anos, minha casa acabou ficando cheia de representações de diferentes divindades de várias crenças. Tenho estátuas de diversas religiões espalhadas pela casa. Não tenho apenas um deus em minha casa. Tenho representações de todos eles, porque hoje sou um cara espiritual.”
Um diagnóstico descoberto por acaso
Chuck Billy foi diagnosticado com seminoma de células germinativas, um tipo raro de câncer, no início dos anos 2000. Anos depois, em entrevista ao Legendary Rock Interviews, ele contou que a descoberta aconteceu de forma totalmente inesperada.
Na época, o vocalista havia começado a fumar e notou que estava ficando sem fôlego com frequência, algo que inicialmente atribuiu ao cigarro.
“Eu pensava que eram os cigarros que estavam me destruindo e que precisava parar de fumar. Foi a primeira coisa que notei.”
A situação mudou quando uma corretora apareceu inesperadamente oferecendo um comprador para sua casa. A venda acabou levando o músico a se mudar para outra cidade e trocar de médicos, decisão que se mostrou fundamental para sua sobrevivência.
Durante exames de rotina, os médicos identificaram uma massa no tórax e solicitaram exames complementares.
“Foi assim que descobriram. Se aquela mulher nunca tivesse batido à minha porta para comprar minha casa, eu provavelmente teria morrido sem sequer perceber o que estava acontecendo.”
O tumor já havia atingido proporções alarmantes.
“Ele estava crescendo a partir do meu coração e pressionando meus pulmões, por isso eu não conseguia respirar. Não havia espaço para meus pulmões se expandirem.”
Após passar por sessões de quimioterapia e combinar o tratamento convencional com práticas tradicionais indígenas, Billy foi declarado livre do câncer em 2002.
Memórias de uma vida dedicada ao metal
Previsto para chegar às lojas em 10 de novembro de 2026, Holding My Breath: The Two Testaments Of Chuck Billy revisita tanto a ascensão do Testament durante a explosão do thrash metal da Bay Area quanto a luta pessoal do vocalista contra a doença.
Escrito em parceria com Dave Erickson, o livro promete revelar bastidores da trajetória da banda, além de abordar temas como mortalidade, identidade cultural, superação e o papel da comunidade do metal durante sua recuperação.
A obra também destaca a importância do histórico show beneficente Thrash Of The Titans, realizado em 2001, que reuniu grandes nomes do thrash metal em apoio a Chuck Billy durante seu tratamento.
O lançamento conta ainda com prefácio de Rob Halford, do Judas Priest, e posfácio de Randy Blythe, do Lamb of God.
Essa versão está estruturada como matéria de portal de música, com linguagem mais fluida e foco jornalístico, preservando todas as citações principais de Chuck Billy.

Testament retorna ao Brasil em dezembro
A revelação chega em um momento especial para os fãs brasileiros da banda. Vale lembrar que a Liberation Music Company anunciou recentemente uma das excursões mais pesadas do calendário do metal em 2026. Testament desembarca no Brasil em dezembro acompanhado por Municipal Waste e Immolation para uma sequência de cinco apresentações.
A turnê passará por Curitiba (PR), São Paulo (SP), Limeira (SP), Belo Horizonte (MG) e Rio de Janeiro (RJ), reunindo três nomes de peso do metal mundial em uma série de shows que promete celebrar diferentes gerações da música extrema.
Para os fãs, será também uma oportunidade de ver Chuck Billy de perto mais de duas décadas após sua recuperação, liderando uma das bandas mais influentes da história do thrash metal e mostrando que sua trajetória de superação continua inspirando músicos e admiradores ao redor do mundo.

