Black Label Society transforma o Bangers em um capítulo de lealdade entre o entrosamento técnico e a saudade

Texto por Jessica Valentim (@jessvlntm) e Fotos por Rapha Garcia e Marcos Hermes – MHermes Ar

I give you all I’ve got / I give you my name in blood”. As palavras que formam o refrão de “Name In Blood” traduzem a essência do Black Label Society: uma promessa de entrega total. Segunda música do set no sábado (25), a faixa do mais recente trabalho, Engines of Demolition, deu o tom de um espetáculo de uma hora pautado pela identidade, lealdade e uma vulnerabilidade escondida atrás de uma armadura — que usa kilt.

Zakk Wylde é uma entidade do metal. No palco, o cenário é icônico: um pedestal adornado por crânios enfileirados e um crucifixo. Zakk domina o tablado, subindo constantemente em sua plataforma praticável com os cabelos ao vento e o punho erguido, conectando-se a uma força maior — talvez o próprio Ozzy.

A abertura ficou por conta de “Funeral Bell”, do clássico “The Blessed Hellride” (2003). Acompanhado por John “JD” DeServio (baixo), Jeff Fabb (bateria) e Dario Lorina (guitarra), o entrosamento do “Chapter” — como o próprio chama os fãs locais em cada país/cidade que passa — era evidente, mas logo nos primeiros acordes notou-se o calcanhar de Aquiles da apresentação: o volume baixo. Diferente de Evergrey ou Arch Enemy, que ocuparam o mesmo espaço com som encorpado (até demais), o BLS sofreu com uma mixagem que não fazia jus ao peso da banda.

O repertório foi uma escolha estratégica, focando em lançamentos de 2014 para cá e ignorando os três primeiros discos. A sequência trouxe a vigorosa “Destroy and Conquer”, que atropela como um trator; a hipnótica “A Love Unreal” e a visceral “Heart of Darkness”, que resgatou o clima das catacumbas de 2014.

Um dos momentos de maior expectativa foi “No More Tears”. Gravada originalmente por Zakk com o Madman e revisitada no álbum “Sonic Brew” do BLS (em uma versão repaginada e desnecessária), a versão aqui foi executada a partir de seu solo magistral. Zakk apontava para o céu a cada nota, em um nítido tributo: “isso é para você, Oz”.

As homenagens seguiram com a emocionante “In This River”. No telão, as imagens de Dimebag Darrell e Vinnie Paul reforçavam o peso da perda. Originalmente composta antes da tragédia de 2004, a balada ao piano tornou-se o adeus definitivo de Zakk aos amigos — e, desde o falecimento de Vinnie em 2022, também faz parte do tributo. Já em “The Blessed Hellride”, Zakk empunhou sua guitarra de dois braços (double-neck), mas o arranjo, sem a parte acústica do disco, foi prejudicado pela falta de graves, tornando o som excessivamente estridente.

“Set You Free” trouxe sua introdução enganosamente sutil antes de explodir em riffs pesados, mas a essa altura, o ritmo do show parecia mais lento que o habitual. O som baixo acalmou os ânimos, restando ao público apreciar a técnica de um líder que respira o que faz. O fôlego voltou com os hits de “Mafia” (2005): “Fire It Up” trouxe bolas de praia e diversão efêmera, enquanto “Suicide Messiah” fez a plateia finalmente rugir em uníssono, celebrando o hino que é pilar da discografia da banda.

O ápice emocional, contudo, foi “Ozzy’s Song”. Com o rosto de Osbourne projetado no telão, a comoção foi geral. Visivelmente emocionado, Zakk finalizou o momento com um singelo e sincero “I love you, Ozzy”.

Mas não seria um show de Wylde sem a “fritação” técnica. Houve duelos de guitarra com Lorina, solos nas costas e as firulas clássicas que transformam o show em uma grande jam session. Para os puristas, pode parecer excessivo; para quem entende a liturgia do BLS, é um momento de pura apreciação. O encerramento com “Stillborn” selou uma apresentação que, apesar das oscilações técnicas e de intensidade, reafirmou que Zakk Wylde joga em outra liga. Ele viu amigos partirem, mas permaneceu ali: resiliente, fiel e absoluto.

Setlist

1- Funeral Bell

2 – Name in Blood

3 – Destroy & Conquer

4 – A Love Unreal

5 – Heart of Darkness

6 – No More Tears (Ozzy Osbourne cover)

7 – In This River (Dedicada a Dimebag Darrell e Vinnie Paul)

8 – The Blessed Hellride

9 – Set You Free

10 – Fire It Up

11 – Suicide Messiah

12 – Ozzy’s Song (Dedicada a Ozzy)

13 – Jam Instrumental

14 – Stillborn

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