Texto por Jessica Valentim (@jessvlntm) e Fotos por Diego Padilha e Marcos Hermes – MHermes Ar
Enquanto o Korzus despejava seu thrash metal no Ice Stage, a abertura do Hot Stage no sábado (25) coube aos suecos do Evergrey. Rotular sua sonoridade apenas como “progressiva” é um reducionismo; a banda entrega um dark melodic metal que funde riffs técnicos, melodias vocais grandiosas e letras confessionais. Rótulos à parte, a apresentação — com o som impecavelmente alto — aqueceu corpo e alma de um público que, surpreendentemente para o horário, lotou a frente do palco.
Trajando uma jaqueta pesada (um ato de bravura sob o sol intenso!), o líder Tom S. Englund (guitarra e voz) subiu ao palco acompanhado por Henrik Danhage (guitarra), Johan Niemann (baixo), Jonas Ekdahl (bateria) e Rikard Zander (teclados). O aspecto visual foi um dos pontos altos do dia: o telão e as luzes operaram em total sinergia com o clima introspectivo das músicas, criando uma atmosfera envolvente. É seguro dizer que, se a apresentação ocorresse ao entardecer, a beleza estética do show atingiria níveis ainda mais memoráveis.
Após um side show com 16 músicas no Manifesto Bar, em São Paulo, dias antes (22), a banda trouxe para o festival um setlist enxuto de 10 faixas. A escolha, no entanto, foi ousada: 40% do repertório focou em material recente ou inédito. Entre hits consolidados e a promoção do vindouro álbum “Architects Of A New Weave” (com lançamento previsto para 5 de junho), quem esperava por um desfile de clássicos pode ter sentido falta de hinos antigos. Mas isso não tirou o brilho da performance; mesmo para quem não é fã fervoroso, a conexão entre artista e público foi impactante.
A abertura foi um tiro certeiro com “Falling from the Sun”, cujo refrão magnético cativou de imediato. Em seguida, “Where August Mourns” exibiu uma linha de baixo belíssima e confirmou por que a banda agrega cada vez mais adeptos a cada ciclo. A pesada “Weightless” manteve a energia em alta antes das escolhas mais peculiares começarem. “The World Is on Fire”, single do novo disco, ainda carrega aquele frescor de novidade, enquanto “Eternal Nocturnal” resgatou o vigor da plateia. Outro destaque foi “Call Out the Dark”, que, apesar da estrutura simples, entregou um solo de guitarra emocionante — aquela fusão de técnica e sentimento que o Evergrey domina como poucos.
A nostalgia deu as caras com a excelente “King of Errors”, transportando o público de volta a 2014. Já a trinca final foi um teste para os ouvidos curiosos: a complexa faixa-título do novo álbum, “Architects of a New Weave”, a inédita “Leaving the Emptiness” e o encerramento com a pesada e gloriosa “OXYGEN!”.
Ao fim, o gosto que fica é levemente agridoce devido às escolhas ousadas do setlist, mas a execução foi impecável. O Evergrey não apenas tocou; eles entregaram um dos shows mais potentes e visualmente deslumbrantes de todo o festival.
Setlist
1 – Falling From the Sun
2 – Where August Mourn
3 – Weightless
4 – The World Is on Fire
5 – Eternal Nocturnal
6 – Call Out the Dark
7 – King of Errors
8 – Architects of the New Weave
9 – Leaving the Emptiness
10 – OXYGEN!









