O guitarrista Dino Cazares fala sobre revisitar um disco clássico após 30 anos, a influência do Fear Factory no metal, a apresentação no Bangers e o conceito do novo álbum
Depois de quase três anos de sua última passagem pelo Brasil, o Fear Factory se prepara para fazer sua estreia em um grande festival no país, fazendo parte do line-up da edição 2026 do Bangers Open Air, que acontece nos dias 25 e 26 de abril, no Memorial da América Latina, em São Paulo. A apresentação será a segunda na capital paulista com a nova formação, com Milo Silvestro nos vocais e Pete Webber na bateria.
Em entrevista ao Sonoridade Underground, o guitarrista Dino Cazares falou sobre a celebração de 30 anos do álbum Demanufacture, a influência do Fear Factory no metal, o show no Bangers e o novo disco.
30 anos de um clássico e a influência no metal
Em 1995, o Fear Factory lançava seu segundo trabalho, o álbum Demanufacture. Aclamado pela crítica e pelos fãs, sendo considerado por muitos o melhor trabalho da banda, o disco se consagrou como uma das obras mais importantes e influentes do metal industrial. Trinta anos depois, o grupo celebra o legado do álbum com uma turnê comemorativa, na qual toca Demanufacture na íntegra.
Depois de tantos anos, o guitarrista Dino Cazares comenta como tem sido revisitar o disco e a resposta do público ao longo da turnê:
“Tem sido ótimo. Sabe, há muitas músicas que normalmente não tocamos ao vivo, como “A Therapy for Pain” e “Dog Day Sunrise”. Tem várias faixas ali que não fazem parte do setlist regular, então é muito bom poder revisitar, tocar todas essas músicas e, sabe, o público adora, porque, de novo, eles conseguem ouvir sons que a gente não costuma tocar.”
Além do icônico Demanufacture, o Fear Factory construiu uma trajetória e discografia respeitadas no cenário da música pesada, tornando-se referência para diversas bandas e influenciando toda uma geração. Já em 1992, quando lançaram seu disco de estreia, a sonoridade diferenciada do grupo se destacava no cenário do metal, algo que Dino confirma ao analisar a influência e importância da banda para a nova geração.
“Então, ah, eu definitivamente consigo ver isso. Quer dizer, acho que até voltando ao nosso primeiro disco, Soul of a New Machine, nós oferecíamos algo diferente do que estava sendo feito na época. E, sabe, aqueles riffs mais pesados sincronizados com os bumbos da bateria, alternando entre partes pesadas e muitos refrões — muita coisa daquilo não era comum naquele período. E eu realmente acho que isso mudou o cenário de como as pessoas passaram a combinar esses estilos.”
Disco novo
A banda se prepara para lançar o sucessor de Aggression Continuum, último disco de inéditas lançado em junho de 2021. O álbum será o primeiro trabalho com a nova formação, o que gera uma expectativa ainda maior nos fãs. Como o Fear Factory tem uma preocupação com o conceito de seus álbuns, a curiosidade sobre a temática da obra e se haverá alguma conexão com trabalhos anteriores do grupo é inevitável. Dino, mesmo sem poder compartilhar muitas informações, fala um pouco sobre o processo de criação do disco.
“Sempre pensamos nessa questão do orgânico versus o digital, homem versus máquina. Também pensamos na ideia de homem e máquina se unindo, se integrando, tornando-se uma coisa só. Já falamos também sobre o papel humano — esperamos isso — e sobre os industrialistas, pessoas que estão fabricando produtos para a robótica. Já exploramos muitas versões diferentes desse conceito. Agora estamos na era digital, com tudo sendo guiado por IA, então muito disso se baseia nisso. A gente realmente sentou e desenvolveu um conceito para o álbum. Essa parte foi a que levou mais tempo, acho — liricamente, na história e no conceito, foi a mais demorada. Mas está ficando incrível. Mal posso esperar para que as pessoas ouçam. Com certeza estamos planejando lançar músicas ainda este ano.”
Bangers Open Air e um recado para os fãs
Integrando o line-up do Bangers Open Air no dia 25, ao lado de nomes como Killswitch Engage, Jinjer, In Flames, Arch Enemy e Crypta, entre outros, esta será a primeira vez do Fear Factory tocando em um grande festival no Brasil. Mesmo com um tempo reduzido, já que o setlist das bandas costuma ser mais curto em festivais, a banda pretende celebrar um de seus álbuns mais icônicos e, talvez, surpreender os fãs, caso o tempo de palco permita.
“Bem, nós vamos tocar Demanufacture na íntegra mas vocês podem esperar que a gente vá com tudo. Quer dizer, se tivermos tempo, também vamos tocar algumas músicas extras, de outros discos clássicos. E o público aí é sempre incrível — em toda a América Latina: Brasil, Argentina, Chile, Peru, Uruguai, Colômbia, México. Todos os fãs são muito apaixonados, e é sempre ótimo tocar aí porque eles enlouquecem, vão à loucura. É divertido pra caralho, e a comida… a comida, fala sério.”
Para finalizar, o guitarrista mandou um recado para os fãs brasileiros:
“Obrigado pelo apoio durante todos esses anos, cara, a gente realmente agradece muito. E estamos felizes por ter a oportunidade de voltar aí para tocar novamente. Esperamos retornar no próximo ano com um novo álbum.”

