Orchid chega ao Brasil: lenda do screamo/emoviolence invade São Paulo

Confira a entrevista exclusiva com a banda pioneira do screamo e emoviolence – e que estreia no Brasil com show único neste sábado (24), no Hangar 110.

Pela primeira vez em sua carreira, a influente banda norte-americana Orchid, um dos nomes mais reverenciados no universo do screamo e do emoviolence chega ao Brasil para um show histórico em São Paulo, neste sábado (24), na icônica casa Hangar 110. 

Em entrevista exclusiva ao Sonoridade Underground, a banda fala sobre trajetória, legado, reencontros e o que significa tocar esse repertório hoje, diante de um público que esperou anos para viver isso ao vivo. Confira o bate-papo completo:

Melissa Buzzatto – Esta pergunta é mais diretamente direcionada ao Jason, pois se baseia em uma entrevista que ele concedeu ao canal do YouTube “Hal Capone” há cerca de cinco anos — embora eu acredite que todos possam compartilhar suas próprias perspectivas. Lembro de ter assistido àquela entrevista e começado a refletir mais profundamente sobre as motivações por trás do retorno do Orchid depois de tantos anos. Claro que simplesmente gostar de tocar música juntos já é um grande motivo, mas o Jason mencionou na época a mudança dos integrantes para o Brooklyn, um envolvimento mais próximo com questões políticas e o desejo de criar a partir desse lugar. Tendo isso em mente, gostaria de perguntar: as questões políticas atuais também tiveram um papel no retorno do Orchid? E que outros fatores foram decisivos para trazer a banda de volta aos palcos?

Resposta:

Não foi político na sua origem, mas para mim a arte é sempre política, então, se isso tem alguma ressonância agora, fico feliz com isso.

Melissa Buzzatto – Nos últimos anos, temos visto um forte ressurgimento da cena underground emo e hardcore, com tanto o retorno de bandas influentes dos anos 1990 quanto o surgimento de muitas bandas novas, muito jovens, revivendo uma cena que parecia dormente. Você acompanha alguma banda dessa “nova geração”? Se sim, quais? E, aproveitando a oportunidade, você conhece alguma banda da cena brasileira, como a Magnólia, que vai abrir o show de vocês aqui no Brasil?

Resposta:

Estou conhecendo agora! Eu sou da opinião de que, depois que você passa dos 40, suas opiniões sobre punk/hardcore deveriam ser completamente desconsideradas. Isso é para os jovens, e deveria ser mesmo.

Melissa Buzzatto – Você sente alguma diferença na forma como o público reage hoje em comparação com os shows que vocês faziam nos anos 1990 e início dos anos 2000?

Resposta:

Hoje é tudo, no geral, muito maior. Antes tocávamos em porões e salões de associações (legion halls). Então é quase como se fosse uma banda nova, no sentido de como precisamos encarar a performance.

Melissa Buzzatto – O Orchid é frequentemente citado como uma banda pioneira do screamo e do emoviolence, além de um grande símbolo do gênero e de seu movimento. Durante os anos ativos da banda, antes do hiato, vocês já sentiam esse tipo de reconhecimento? Em outras palavras, vocês tinham consciência de que estavam sendo pioneiros de um certo som naquela época? E como você enxerga esse tipo de “rótulo” hoje?

Resposta:

Não, não tínhamos nenhuma sensação de sermos pioneiros de algo. Tínhamos influências muito fortes das quais tirávamos referências. Para nós, parecia apenas hardcore. É legal que as pessoas ainda se importem e valorizem a arte que fizemos, mas não cabe a mim dizer isso.

Melissa Buzzatto – Ainda falando sobre pioneirismo: quem são os pioneiros para o Orchid? Quais bandas vocês consideram fundamentais — aquelas que inspiraram e revolucionaram a forma como vocês fazem música em grupo e ajudaram a moldar o Orchid no que ele é hoje?

Resposta:

São muitas, e não posso falar por todo mundo, mas para mim bandas como Nation of Ulysses, Bikini Kill e Los Crudos mudaram a forma como eu pensava que uma banda poderia se apresentar. Musicalmente, havia uma forte influência de Uranus e Per Koro. Além disso, muito grindcore… claro.

Melissa Buzzatto – Mesmo que o retorno do Orchid seja relativamente recente, é difícil não se perguntar se vocês já estão pensando em criar algo novo — o que também se conecta com a primeira pergunta. Considerando o estado atual do mundo, da política e até da própria música, você sente que existem novas urgências que precisam ser expressas através da música do Orchid? Existem planos ou ideias concretas para lançar material novo em breve?

Resposta:

Não há planos. Atualmente, só queremos preservar e honrar a coisa que criamos, e não “turvar as águas” com material novo. E, em termos de novas urgências, acho que é a mesma coisa de quando começamos. O único vilão é o capitalismo.

Melissa Buzzatto – Por fim: como você está se sentindo em relação à primeira visita do Orchid ao Brasil? O que você espera dessa experiência?

Resposta:

Estamos muito felizes por termos sido convidados para vir até aqui, e só queria que ficássemos por mais tempo.

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