Banda se apresenta em São Paulo após 18 anos e promete repertório repleto de clássicos
. Crédito: Chapman Baehler
O My Chemical Romance retorna ao Brasil após 18 anos para dois shows em São Paulo, nos dias 5 e 6 de fevereiro, no Allianz Parque. A apresentação do dia 6 ainda possui ingressos disponíveis, à venda pelo site da Eventim. A abertura ficará por conta da banda punk sueca The Hives.
A passagem da banda pelo país marca um dos eventos mais aguardados do calendário musical de 2026. Ícone absoluto dos anos 2000, o My Chemical Romance teve papel central na consolidação do rock alternativo da época e retorna ao Brasil em um contexto diferente: fãs que acompanharam o auge da banda agora dividem espaço com uma nova geração interessada em ver ao vivo um dos nomes mais influentes do gênero no século 21.
A última e única visita do grupo ao país aconteceu em 2008, durante a turnê do álbum The Black Parade. Desde então, a banda retomou as atividades e vem esgotando datas ao redor do mundo com a turnê Long Live: The Black Parade, que celebra o disco lançado em 2006. Nos shows mais recentes, o álbum tem sido executado na íntegra, seguido por uma segunda parte dedicada a sucessos de diferentes fases da carreira, como “Helena”, “The Ghost of You” e “Na Na Na (Na Na Na Na Na Na Na Na)”.
Ainda não há confirmação oficial se o formato apresentado nos Estados Unidos e na Europa será mantido no Brasil. O anúncio das datas brasileiras não menciona o nome da turnê, e a produtora descreve o espetáculo como “um show imperdível com seus maiores hits”. O primeiro show da turnê na América Latina acontece em 25 de janeiro, em Lima, no Peru, e deve indicar se o conceito completo será trazido para a região.
A narrativa da Long Live: The Black Parade
Nas apresentações mais recentes, o My Chemical Romance aposta em um espetáculo altamente teatral e conceitual. A turnê revisita o universo criado em The Black Parade, álbum que narra a história de um personagem conhecido como O Paciente, que reflete sobre sua vida enquanto enfrenta a morte.
A nova encenação expande esse conceito e introduz o país fictício de Draag, governado pelo Grande Ditador Imortal, em um regime autoritário. No palco, a banda se apresenta como parte de uma trama distópica, interagindo com personagens como o Atendente, o Palhaço (interpretados por Charlie Saxton) e Marianne (Lucy Joy Altus). Ministérios fictícios, como o “Ministério do Recondicionamento Gratuito” e o “Ministério das Relações Operísticas”, fazem parte da narrativa visual e simbólica do show.
Para reforçar a imersão, músicas do álbum receberam novas introduções, trechos inéditos e finais estendidos, criando versões exclusivas para a turnê. O universo visual também inclui a criação de uma língua fictícia, chamada Keposhka, desenvolvida pelo designer Nate Piekos, colaborador frequente da banda.
A proposta estética e narrativa gerou debates internacionais. Alguns veículos apontaram leituras políticas implícitas no espetáculo. O jornal espanhol AS, por exemplo, destacou reações negativas de setores conservadores nos Estados Unidos. Já a Paste Magazine observou coincidências entre o anúncio da turnê e o contexto político norte-americano, levantando interpretações sobre críticas a regimes autoritários.
Clássicos, hits e lados B
Após a execução completa de The Black Parade, o repertório costuma incluir sucessos consagrados e faixas menos populares junto ao grande público. Segundo registros recentes do site setlist.fm, músicas como “I’m Not Okay (I Promise)”, “Thank You for the Venom”, “Boy Division” e um cover de “Bullet With Butterfly Wings”, do The Smashing Pumpkins, têm aparecido nos shows.
Com produção grandiosa, forte carga emocional e apelo nostálgico, a volta do My Chemical Romance ao Brasil promete ser um dos momentos mais marcantes do ano para os fãs de rock alternativo.

