Banda é formada por veteranos da cena do Triângulo Mineiro, com ex-integrantes do Uganga e membros do Attero
Crédito: João Felipe Prestes
O Basta, nova banda do Triângulo Mineiro, estreia no streaming nesta sexta-feira (25) falando de algo que todo mundo enfrenta: o que fazer com aquilo que não dá para controlar. Inevitável, primeiro single da banda de Araguari e Uberlândia (MG), trata de perdas e mudanças sem confundir aceitação com desistência, ideia que o quinteto busca no estoicismo.
Ouça aqui: basta-inevitavel.sbmt.to
Cantado em português, o hardcore melódico do Basta usa a velocidade do gênero para falar de dúvidas, escolhas e dias estranhos que dão nome ao EP “Manual para Dias Estranhos”.
Na formação estão três ex-integrantes do Uganga e o baixista do Attero.
Estoicismo punk
Esta primeira música do Basta trata de incerteza, impermanência e medo do desconhecido, mas sem tom de lamento.
A letra reconhece os limites da vida e, ao mesmo tempo, cobra responsabilidade pela forma como cada um reage a eles.
“Algumas mudanças, perdas e acontecimentos são inevitáveis, mas a maneira como lidamos com eles ainda depende de nós”, resume a banda.
A referência filosófica aparece também no nome do EP. O Enchiridion, texto mais conhecido do estoico Epicteto, começa justamente separando o que depende de nós do que não depende, e seu título em grego significa “manual”.
Referências
Rápida, melódica e com refrão para cantar junto, Inevitável deixa clara a origem do som do Basta: o hardcore melódico e o skate punk que ganharam o mundo nos anos 1990 pelos selos Epitaph e Fat Wreck Chords. Pennywise, NOFX, Face to Face e Bad Religion estão entre as principais influências, ao lado do Rise Against.
No Brasil, as referências são Dead Fish, Noção de Nada, CPM 22, Blind Pigs e Garage Fuzz, bandas que provaram ser possível falar de temas pessoais, sociais e existenciais em português sem perder intensidade.
“A ideia é carregar essas referências, mas falar sobre o que somos e vivemos hoje”, diz a banda.
Cena do interior
Os integrantes do Basta não só tocaram na cena do Triângulo Mineiro, como ajudaram a construí-la.
O baterista Marco Paulo Henriques comanda desde 2011 o Vitrola Ambiente Cultural, em Araguari, integra a equipe idealizadora do Festival Triangulice e criou o Festival Pegando Fogo, que já soma 33 edições e recebeu atrações de todo o país e de fora dele, como Terrordome (Polônia) e 13 Bats (Espanha). Também editou o fanzine Páginas Vazias por 20 edições, algumas com tiragem de até 3 mil exemplares distribuídos pelo Brasil.
O baixista Raphael “Sapão” Rabelo criou o Udi Rock, festival que por anos levou nomes importantes da música pesada a Uberlândia, e ajudou a fundar o coletivo e selo Valvulado, coprodutor do Festival Jambolada.
Dividir palcos, organizar shows e manter espaço aberto para a música autoral faz parte da identidade da banda desde o início.
Formação
O Basta começou em 2024, reunindo amigos de longa data com a proposta de fazer música de forma independente e sem seguir tendências. Antes do lançamento, as músicas do EP já passaram pelo palco, o que ajudou a banda a definir sua personalidade.
Raphael Franco (vocal) soma mais de 25 anos de música independente. Foi baixista do Uganga, com quem gravou seis álbuns de estúdio e um ao vivo registrado na Alemanha, e fez mais de 25 shows fora do país. No Basta, troca o baixo pelo microfone.
Thiago Soraggi (guitarra) gravou com o Uganga os discos “Caos Carma Conceito” (2010), “Eurocaos” (2010), “Opressor” (2014) e “Servus” (2019), e com o Attero o álbum “Sobrevida” (2020). Tocou em festivais como Goiânia Noise, Abril Pro Rock e Jambolada e hoje trabalha como guitar tech da dupla Victor & Leo.
Marco Paulo Henriques (bateria) passou por Zuêra e Dull Kids antes de integrar o Uganga. Tem como referências Travis Barker (Blink-182), Byron McMackin (Pennywise) e Leandro Nô (Dead Fish).
Raphael “Sapão” Rabelo (baixo) cresceu ouvindo moda de viola com o pai e coloca na mesma playlist Tião Carreiro e Pardinho, Cartola, Satanic Surfers e No Fun At All. Tocou em Krow e Esquiva e segue no Attero.
Felipe “Capacete” Santos (guitarra) começou a tocar aos 11 anos, depois de ouvir o riff de “Alive”, do Pearl Jam. Passou por bandas como Multus, Rockem e Rockaos.

FICHA TÉCNICA
Single: “Inevitável”
Lançamento: sexta-feira, 25 de setembro de 2026
EP: “Manual para Dias Estranhos” (2026)
Gênero: hardcore melódico e skate punk
Origem: Araguari e Uberlândia (MG)
Formação:
Raphael Franco: vocal
Felipe “Capacete” Santos: guitarra
Thiago Soraggi: guitarra
Raphael “Sapão” Rabelo: baixo
Marco Paulo Henriques: bateria
