Memphis May Fire faz “músicas emocionalmente honestas”, diz Matty Mullins

Banda norte-americana, referência mundial do metalcore, desembarca no Brasil junto aos conterrâneos do Blessthefall para 3 apresentações conjuntas na última semana de agosto

Memphis May Fire | Crédito: Divulgação

A música precisa provocar algo nos próprios integrantes do Memphis May Fire antes de chegar ao público. É assim que Matty Mullins explica, em entrevista recente ao Teaser Talk, a busca da banda por composições emocionalmente honestas, feitas sem tentar agradar programadores de rádio ou representantes de gravadoras.

O Memphis May Fire traz maturidade e confiança aos três shows que realiza no Brasil nesta última semana de agosto: dia 27/08 no Mister Rock, em Belo Horizonte; dia 29/08 no Carioca Club, em São Paulo; e dia 30/08 no Tork n’ Roll, em Curitiba.

A turnê tem os também norte-americanos do metalcore Blessthefall em todas as datas e os cariocas do Reckoning Hour nas apresentações brasileiras. A realização é da Liberation Music Company. Ingressos no site do Clube do Ingresso.

“Nunca vamos sentar e escrever um disco tentando agradar alguém. Começamos fazendo música para nós, e nossos fãs se conectaram com isso”, afirma Mullins na conversa com o Teaser Talk, gravada durante o Inkcarceration Festival, nos Estados Unidos, e publicada em julho.

A declaração surge quando a apresentadora Hollie Nicole pergunta o que o Memphis May Fire se recusa a mudar depois de 20 anos de atividade. Mullins cita a liberdade de compor sem orientar um disco pelo que deseja uma pessoa ligada ao rádio, à gravadora ou a qualquer outro setor externo à criação. A resposta não descreve isolamento. Ela estabelece quem toma a decisão final.

A banda chega a esse ponto depois de atravessar mudanças profundas no metalcore e na própria indústria musical. Formado em 2006, o Memphis May Fire viveu o crescimento da Warped Tour, a ascensão da Rise Records, o auge comercial do gênero e a posterior fragmentação provocada pelo streaming. O caminho passa por 8 álbuns e por diferentes tentativas de equilibrar peso, melodias acessíveis e letras confessionais.

Em 2026, Mullins coloca Remade in Misery (2022) e Shapeshifter (2025) entre os 2 trabalhos mais bem-sucedidos dessa trajetória. Ele não apresenta uma métrica única para a comparação. O maior resultado da banda em uma parada tradicional continua pertencendo a Unconditional, que chegou ao 4º lugar da Billboard 200 em 2014.

Os discos recentes medem força de outra maneira. Eles mantêm músicas em circulação por períodos mais longos, renovam o público dos shows e sustentam etapas de turnê em diferentes continentes. O próprio vocalista conta que as faixas de Shapeshifter recebem, em algumas apresentações, uma reação superior à de músicas antigas consideradas obrigatórias no repertório.

Shapeshifter e a identidade reencontrada

Essa resposta aparece depois de uma fase de redefinição. Em entrevista publicada em março pela revista britânica Amped, Mullins reconhece que o Memphis May Fire já explorou novos caminhos a ponto de quase abandonar suas raízes. O álbum mais recente parte de uma segurança diferente.

“Agora sabemos quem somos em nossa essência, e isso significa que também podemos ultrapassar limites”, afirma o vocalista, em tradução do inglês.

Shapeshifter carrega essa tensão desde o título. O álbum mantém a alternância entre vocais agressivos e refrães melódicos que acompanha o Memphis May Fire desde sua projeção, mas amplia a presença de elementos eletrônicos, vulnerabilidade e passagens próximas do R&B. A experimentação deixa de servir como tentativa de reposicionamento e passa a trabalhar dentro de uma identidade já reconhecida pela banda.

O processo de composição também se abre. Durante boa parte da carreira, Mullins e o guitarrista Kellen McGregor concentraram a criação dos instrumentais e das linhas vocais. As sessões com outros compositores, iniciadas durante a pandemia, mudaram essa dinâmica. À Amped, o vocalista conta que as colaborações reacenderam seu interesse pela escrita e retiraram o peso de controlar todas as etapas.

A mudança ajuda a entender o sentido de “músicas emocionalmente honestas”. O Memphis May Fire aceita novos parceiros e amplia sua paleta sonora, mas preserva o critério apresentado por Mullins: a canção precisa despertar alguma coisa dentro da banda antes de buscar espaço no mercado.

Um disco que continua em circulação

A maneira de lançar música segue a mesma lógica. Remade in Misery e Shapeshifter foram construídos por sequências de singles, em campanhas que mantiveram cada faixa em evidência antes da chegada dos discos completos.

Em 2025, o Memphis May Fire lançou “Overdose”, com Christian Lindskog, vocalista do Blindside, e “The Other Side”. No dia da chegada de Shapeshifter, em 28 de março, publicou ainda vídeos para “Versus” e “Love Is War”. As músicas completaram uma série iniciada em 2024 com “Chaotic”, “Paralyzed”, “Necessary Evil”, “Infection”, “Hell Is Empty” e a faixa-título, conforme a cronologia reunida pelo Lambgoat.

O catálogo segue sem uma faixa inédita em 2026. A banda concentra o ano na estrada e na conclusão do ciclo de Shapeshifter. Ao Teaser Talk, Mullins informa que o trabalho no próximo disco começa depois do encerramento dessa agenda.

O lugar do Memphis May Fire no metalcore

O giro mundial destaca o Memphis May Fire no alto escalão do metalcore. O itinerário do álbum incluiu Estados Unidos, Europa, Reino Unido, Dubai, Sudeste Asiático, Austrália e, agora, América Latina.

A banda ocupa a faixa dos veteranos internacionais que continuam levando material recente a festivais, clubes e teatros, em vez de depender exclusivamente das músicas responsáveis pela projeção inicial.

Sleep Token e Spiritbox aparecem na entrevista à Amped como exemplos de bandas pesadas que alcançam arenas, uma escala distante da realidade do gênero durante os primeiros anos da Warped Tour. Mullins vê essa expansão como uma mudança permanente. O público que cresceu com o metalcore continua presente, enquanto novas gerações descobrem a mesma linguagem por outras bandas e plataformas.

O Memphis May Fire circula em um patamar diferente do ocupado por esses nomes de arena. Sua posição está na continuidade internacional, na capacidade de manter turnês próprias e na resposta de um público formado em momentos distintos da carreira.

No Reino Unido, onde a banda não tocava desde 2019, Mullins encontrou fãs que continuavam à espera de seu retorno. A surpresa veio da recepção às músicas recentes, capazes de disputar o momento mais intenso do show com faixas presentes no repertório há mais de uma década.

Na Austrália, a última passagem registrou 5 apresentações esgotadas e mais de 1.600 pessoas em listas de espera. A procura levou o Memphis May Fire a retornar ao país em abril, ao lado do Blessthefall. Em entrevista ao site The Rockpit, Mullins relaciona essa demanda à percepção de que o trabalho atual da banda ainda importa para o público.

A renovação aparece até na idade de quem acompanha os shows. Ao Teaser Talk, o vocalista fala sobre fãs dos primeiros anos que agora levam os filhos às apresentações. Algumas dessas crianças receberam nomes inspirados na banda. O catálogo passa a circular entre gerações sem transformar o palco em uma revisão exclusiva do passado.

“A proposta é cobrir todo o espectro do que somos, com as músicas que as pessoas carregam há anos misturadas ao material novo que define onde estamos agora”, afirma Mullins ao The Rockpit, em tradução do inglês.

A volta ao Brasil 12 anos depois

Esse encontro entre catálogo e presente ganha um recorte particular no Brasil. A passagem anterior aconteceu em agosto de 2014, com Killswitch Engage e Battlecross, justamente no ano em que Unconditional alcançou o 4º lugar da Billboard 200. Um registro da Metal Blade Records confirma apresentações em Curitiba, São Paulo e Rio de Janeiro entre 22 e 24 de agosto daquele ano.

A informação corrige o ano de 2012 publicado atualmente na página de venda dos ingressos. O intervalo de 12 anos está correto, mas a primeira passagem aconteceu em 2014.

Na turnê atual, o Memphis May Fire percorre a América Latina com o Blessthefall, que também apresenta um disco lançado em 2025, Gallows. A rota começa na Cidade do México, passa por Bogotá, Santiago e Buenos Aires e termina com as apresentações brasileiras.

O Reckoning Hour completa o encontro no Brasil. Formada no Rio de Janeiro, a banda leva aos 3 shows seu metalcore de acento mais pesado e estabelece uma ligação direta com a produção nacional do gênero.

Depois da etapa sul-americana, o ciclo de Shapeshifter se aproxima do fim. Mullins pretende iniciar o próximo disco assim que essa agenda for concluída. Os shows no Brasil encontram o Memphis May Fire nesse intervalo: com as músicas recentes ainda conduzindo a turnê e uma nova fase de composição prestes a começar.

SERVIÇO

Memphis May Fire + Blessthefall em Belo Horizonte/MG

Data: 27 de agosto de 2026

Local: Mister Rock (Av. Tereza Cristina, 295, Prado,
Belo Horizonte/MG)

Ingresso: www.clubedoingresso.com/evento/memphismayfire-blessthefall-bh

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Memphis May Fire + Blessthefall em São Paulo/SP

Data: 29 de agosto de 2026

Local: Carioca Club (Rua Cardeal Arcoverde, 2899, Pinheiros, São Paulo/SP)

Ingresso: clubedoingresso.com/evento/memphismayfire-blessthefall-sp

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Memphis May Fire + Blessthefall em Curitiba/PR

Data: 30 de agosto de 2026

Local: Tork n’ Roll (Av. Marechal Floriano Peixoto, 1695, Curitiba/PR)

Ingresso: clubedoingresso.com/evento/memphismayfire-blessthefall-curitiba

Blessthefall | Crédito: Douglas Sonders

Mais informações

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