Nick Barker revela drama de saúde: “Achei que perderia minhas pernas”
Reprodução/Facebook
O lendário baterista Nick Barker (Brujeria, Cradle of Filth e Dimmu Borgir) participou recentemente do podcast The False Face, onde conversou com o apresentador Paul McNamee por mais de três horas. Durante a entrevista, ele falou sobre seus recentes problemas de saúde e revelou que desenvolveu uma condição potencialmente fatal chamada calcifilaxia.
“A saúde está melhorando dia após dia. Estou em um momento muito positivo mentalmente, porque desenvolvi uma condição com risco de morte chamada calcifilaxia…”, contou Barker, de 53 anos. “Vou explicar um pouco sobre isso. Ela tem apenas 50% de taxa de sobrevivência. É esse o nível de gravidade. Basicamente, me prescreveram um medicamento chamado varfarina, que é um anticoagulante, e ele fez com que os vasos sanguíneos das minhas panturrilhas calcificassem. Então surgiram grandes lesões arroxeadas. Parece que um tubarão arrancou pedaços das minhas panturrilhas. Fiquei com cicatrizes muito severas, e tudo isso foi causado por esse remédio.”
“Nós descobrimos o problema a tempo, porque tudo começou como uma pequena bolha de sangue, do tamanho de uma ervilha, com um pouco de hematoma ao redor. Na época, não achei que fosse nada demais. Doía um pouco”, continuou. “Pensei: ‘Ah, devo ter me machucado dormindo ou batido em alguma coisa sem perceber’. Cara, era uma condição com apenas 50% de chance de sobrevivência. No auge da doença, as lesões nas minhas pernas estavam tão horríveis que a avó da minha esposa descreveu da melhor forma possível: ‘Parecia carne viva’. Imagine todas as terminações nervosas expostas… Cara, era uma dor absurda. Insuportável. Eu não conseguia nem dormir. Me colocaram em morfina, metadona e depois em outro medicamento chamado nabilona, um derivado do THC. Basicamente, eu estava completamente dopado, mas nada disso eliminava a dor. Apenas diminuía um pouco. Parecia que minhas pernas estavam pegando fogo o tempo todo.”
Felizmente, a interrupção do medicamento deu início à recuperação de Barker, embora ele tenha enfrentado tratamentos intensivos e outros problemas de saúde ao longo do processo.
“Pararam imediatamente com aquele remédio e, para tentar eliminar a substância do meu organismo, os médicos me colocaram em diálise cinco vezes por semana”, explicou. “Recebi vários medicamentos intravenosos durante as sessões de diálise para ajudar a expulsar aquilo do meu corpo. Todas as minhas feridas infeccionaram. Quase tive sepse. Isso foi no mês passado. Foi realmente uma situação de risco de vida. Minha esposa chegou às lágrimas. Quando olhamos para as feridas e o médico disse: ‘Você está cicatrizando. Isso é um bom sinal’, ela desabou. Disse: ‘Eu realmente achei que fosse te perder’, porque a doença tem apenas 50% de taxa de sobrevivência. As feridas são muito profundas e extremamente propensas à infecção. E, de fato, elas infeccionaram. Desenvolvi uma celulite infecciosa. Cara, minhas pernas, do joelho para baixo, estavam tão sensíveis que ninguém conseguia sequer tocá-las. Até colocar uma meia era um sofrimento. A dor era inacreditável. É justamente disso que muitas pessoas morrem: da infecção. Elas desenvolvem sepse. É algo semelhante ao que acontece com a meningite: quando evolui e não é tratada rapidamente, as chances são mínimas. Mas, enfim, eu estou aqui. Estou me recuperando.”
“Era um tormento 24 horas por dia, sete dias por semana. Eu simplesmente não conseguia dormir. A dor era intensa demais. E, quando finalmente conseguia pegar no sono, se minha esposa encostasse sem querer na minha perna durante a noite, eu acordava gritando de dor. Em determinado momento, achei que eles fossem amputar minhas pernas. Tenho um acordo com minha esposa: disse a ela que, se algum dia me disserem que precisam amputar minhas pernas, eu prefiro não continuar vivendo. Prefiro morrer com minhas pernas do que viver sem elas. Sou baterista. O que eu faria? Andar por aí em uma cadeira de rodas ou equipamento de mobilidade sem as pernas? Não. Não quero terminar assim. Prefiro me jogar de um penhasco.”
Nick Barker iniciou sua carreira profissional em 1993, quando entrou para o Cradle of Filth, embora toque bateria desde os 13 anos de idade. Além da marcante passagem pelo Dimmu Borgir entre 1999 e 2004, também construiu uma extensa carreira como músico de estúdio e de turnês, colaborando com bandas como Exodus, Testament, Gorgoroth e diversos outros nomes do metal extremo.

