Entre clássicos, surpresas raras e energia contagiante, a banda transformou o Allianz Parque em um grande coro coletivo, reafirmando seu lugar como ícone do hard rock.
Crédito: Guns N’ Roses
No último sábado de 4 de abril, o Guns N’ Roses subiu ao palco do Monsters of Rock no Allianz Parque, em São Paulo, para fechar uma edição que já entrará para a história do rock no Brasil. O festival, reconhecido por trazer ícones do hard rock e heavy metal à capital paulista, viveu um dia de tradição, diversidade e conexão entre gerações. E encontrou no Guns sua síntese perfeita entre explosão sonora e reverência ao passado.
A banda de Axl Rose (vocal), Slash (guitarra) e Duff McKagan (baixo) parecia ciente de sua missão: fazer o público cantar junto a cada refrão e transformar o Allianz Parque em um grande coro coletivo. Ao abrir com o clássico “Welcome to the Jungle”, a multidão respondeu à altura, o que fez jus à aura lendária da faixa.
O repertório navegou entre hits incontestáveis e momentos para os fãs mais saudosistas. Além de “You Could Be Mine”, “Civil War” e “Estranged”, a banda reservou surpresas raras no setlist, como “Bad Apples”, não tocada ao vivo há décadas e a inesperada “Junior’s Eyes”, em homenagem a Ozzy Osbourne e à fase do Black Sabbath.
Se nas últimas casas de shows o vocal de Axl dividia opiniões, nessa noite ele trabalhou com inteligência: sem esbanjar perfeição técnica, compensou com presença de palco, movimentos vibrantes e uma entrega que respeitou tanto os limites quanto o ímpeto roqueiro que o consagrou. Slash, com suas frases de guitarra hipnóticas, e Duff, sustentando graves precisos, foram âncoras fundamentais nessa jornada sonora.
O público, por sua vez, respondeu à altura. Cada clássico foi cantado em conjunto, transformando a apresentação em algo além de um show, uma celebração coletiva do hard rock. Mais do que revisitar hits consagrados, o Guns N’ Roses reafirmou sua relevância, mostrando que sua música segue viva e capaz de unir fãs de diferentes gerações em torno da mesma energia.
O espetáculo também evidenciou a capacidade do Monsters of Rock de equilibrar tradição e inovação. Bandas veteranas, como Lynyrd Skynyrd, mostraram que sua força permanece intacta, enquanto nomes mais recentes, como Dirty Honey, trouxeram frescor e novas sonoridades, reforçando a diversidade do evento. Essa mescla de experiências contribuiu para que o público tivesse uma visão completa da evolução do rock ao longo das décadas.
Apesar das críticas iniciais sobre o lineup, considerado por alguns o mais fraco de todas as edições, e questionamentos sobre a volta precoce do Guns N’ Roses a São Paulo, o festival se consolidou como um ponto de encontro relevante para fãs de todas as gerações. A participação ativa do público, aliada à qualidade das performances, transformou qualquer ceticismo em energia compartilhada e entusiasmo coletivo.
No encerramento do festival, ficou evidente que o Monsters of Rock 2026 cumpriu seu papel de consolidar a cena do rock no Brasil. A combinação de shows históricos e apresentações contemporâneas reforçou a importância do evento no calendário musical, garantindo que, independentemente de críticas ou expectativas, o festival continue a ser uma referência nacional para amantes do gênero.
Guns N’ Roses – Allianz Parque – 05/04/2026
- Welcome to the Jungle
- Slither (Velvet Revolver cover)
- It’s So Easy
- Live and Let Die (Wings cover)
- Mr. Brownstone
- Bad Obsession
- Rocket Queen
- Perhaps
- Dead Horse
- Double Talkin’ Jive
- Nothin’
- You Could Be Mine
- Civil War
- Junior’s Eyes (Black Sabbath cover)
- Knockin’ on Heaven’s Door (Bob Dylan cover)
- New Rose (The Damned cover)
- Atlas
- Solo de guitarra – Slash
- Sweet Child o’ Mine
- Estranged
- Bad Apples
- November Rain
- Nightrain
- Paradise City


























