Com propostas diferentes, mas igualmente interessantes, as duas bandas mostraram todo o seu potencial e entregaram performances atordoantes em show sold out na Audio Club
Fotos por Gustavo Diakov (@xchicanox)
Na teoria, o show conjunto das bandas Viagra Boys e Interpol pode parecer algo inusitado e pouco funcional. Já na prática, a combinação funciona muito bem, e o resultado é um dos side shows mais explosivos e hipnóticos da edição 2026 do Lollapalooza. A apresentação, que aconteceu na Audio Club, em São Paulo, no dia 19 de março, acabou se mostrando a melhor opção para os fãs que não queriam enfrentar a programação do festival, já que ambas as bandas tocaram um setlist maior do que o apresentado no evento que aconteceu no Autódromo de Interlagos.
Viagra Boys
O contraste musical entre as duas bandas foi exatamente o que deu o tempero especial da noite. O Viagra Boys abriu a noite com sua sonoridade calcada no punk, acompanhada de uma atitude mais despojada, sarcástica e com um humor ácido.
A banda sueca formada por Sebastian Murphy (vocal), Henrik “Benke” Höckert (baixo), Tor Sjödén (bateria), Oskar Carls (saxofone, flauta), Elias Jungqvist (teclados e percussão) e Linus Hillborg (guitarra) se conectou com o público da casa logo nos primeiros acordes de “Man Made of Meat”. A energia do grupo era contagiante e visceral, deixando suas músicas mais encorpadas no palco, mostrando que o Viagra Boys é uma banda que cresce muito ao vivo.
O vocalista Sebastian Murphy é um show à parte. Com seu estilo desleixado, sem camisa, com a calça mostrando seu “cofrinho”, fazendo dancinhas bizarras e engraçadas e jogando cerveja em si mesmo, ele prendia a atenção dos fãs e comandava o caos sonoro que o Viagra Boys proporciona.
Vale ressaltar que toda a banda é muito competente e cheia de personalidade, com cada um se destacando em momentos específicos do show, principalmente Oskar Carls, que tocava sua flauta e saxofone com muita atitude, e o tecladista Elias Jungqvist, que estava particularmente feliz e empolgado com o show.
O setlist, que percorreu toda a curta discografia da banda, deu mais destaque para os trabalhos mais recentes do grupo, o excelente Viagr Aboys (2025) e o ótimo Cave World (2022), trazendo faixas como “The Bog Body”, “Waterboy”, “Ain’t No Thief”, “Punk Rock Loser” e “Troglodyte”. Claro que clássicos como “Slow Learner” também marcaram presença. Em “Sports”, Sebastian foi cantar junto com os fãs da grade, em um dos melhores momentos da noite. Já em “Research Chemicals”, que fechou o show, Sebastian e Elias se jogaram no público, levando os fãs à loucura e promovendo uma explosão de adrenalina final.
O Viagra Boys é um dos nomes punk mais interessantes da atualidade, e o show de estreia no Brasil mostrou que a banda soa ainda melhor e mais intensa ao vivo, reforçando que o que é bom pode ficar ainda melhor. Depois de cancelar sua participação na primeira edição do Primavera Sound no Brasil em 2022, a banda retornou em seu melhor momento e fez valer a espera e a paciência dos fãs, entregando um dos shows mais divertidos e caóticos de 2026.
Viagra Boys – Audio Club (SP) 19/03/2026
01 – Man Made of Meat
02 – Slow Learner
03 – Waterboy
04 – Punk Rock Loser
05 – Ain’t No Thief
06 – Uno II
07 – Pyramid of Health
08 – Troglodyte
09 – ADD
10 – The Bog Body
11 – Sports
12 – Research Chemicals
Interpol
Depois da “bagunça” do Viagra Boys, o Interpol trouxe um tom mais introspectivo para o palco da Audio. Com um jogo de luzes mais escuras, criando uma estética mais sóbria para a apresentação, o vocalista e guitarrista Paul Banks, o guitarrista Daniel Kessler, o baixista Brad Truax (que acompanha a banda em turnês) e o baterista Urian Hackney, que estava substituindo Sam Fogarino, que está afastado por problemas de saúde, transformaram a Audio em um baile indie/pós-punk.
Apesar de poucas interações com o público, o Interpol deixou muito evidente a sua alegria em fazer mais um show sold out em São Paulo, já que, em sua última passagem pelo país, a banda fez duas apresentações na capital paulista devido à alta demanda. A relação com o público brasileiro é muito boa, proporcionando diversão para ambas as partes.
A apresentação do Interpol é hipnotizante. Mesmo sendo um show mais “parado”, a presença e postura dos integrantes, junto com a força de suas canções, criam uma conexão imediata com os fãs, que cantam todas as músicas, pulam e até dançam em alguns momentos.
A emoção do público é um dos pontos altos do show, reforçando a devoção e o comprometimento com a discografia do grupo, que foi totalmente contemplada ao longo da apresentação. Achar que apenas clássicos como “Obstacle 1”, “PDA” e “Take You on a Cruise”, faixas dos dois primeiros álbuns da banda — os icônicos Turn On the Bright Lights (2002) e Antics (2004) — são os momentos mais empolgantes da performance é um tremendo engano.
O engajamento dos fãs se estende por todo o repertório, não deixando a energia cair em faixas como “If You Really Love Nothing” e “Lights”. Para deixar a noite ainda mais especial, o Interpol ainda tocou, pela primeira vez ao vivo, sua nova canção “See Out Loud”.
Para o encore, o grupo reservou a sequência “Pioneer to the Falls”, “Roland” e “Slow Hands”, encerrando o show com chave de ouro.
O Interpol precisa de muito pouco para fazer um ótimo show. Seu repertório, sempre bem escolhido, e a consistência de sua apresentação, atrelados à devoção de seus fãs — que transformam o show em uma celebração do indie e do pós-punk — são suficientes para proporcionar uma noite emblemática. O tom hipnotizante da apresentação não abre espaço para desconexão, o que consolida o Interpol como uma das bandas mais sólidas de sua geração. Se puder ver a banda ao vivo, principalmente em um show solo, não deixe a oportunidade passar.
Interpol – Audio Club (SP) 19/03/2026
01 – All the Rage Back Home
02 – No I in Threesome
03 – C’mere
04 – Take You on a Cruise
05 – Rest My Chemistry
06 – Obstacle 1
07 – My Desire
08 – Into the Night
09 – Narc
10 – The Rover
11 – See Out Loud (Live debut)
12 – Evil
13 – Lights
14 – If You Really Love Nothing
15 – Not Even Jail
16 – PDA
Encore:
17 – Pioneer to the Falls
18 – Roland
19 – Slow Hands























