FEUERSCHWANZ: “NUNCA IMAGINEI QUE TOCARÍAMOS NA AMÉRICA LATINA OU MESMO FORA DO MUNDO DE LÍNGUA ALEMÃ.”

Uma das atrações inéditas do Bangers Open Air 2026 é o Feuerschwanz. A popular e irreverente banda de power metal alemã fará sua estreia nos palcos brasileiros nesta edição do festival, e para a ocasião, o guitarrista Hans Platz nos concedeu entrevista. Aqui, ele fala sobre a atual turnê, as mudanças de estilo ao longo dos anos e, claro, o que esperar da apresentação no maior festival de heavy metal da América Latina! Confira.

Fernando Queiroz: É a primeira vez de vocês na América Latina, então o que acha que podemos esperar dos shows? Acha que terão uma abordagem diferente em relação ao que fazem na Europa?

Hans Platz: Eu não acho que vamos mudar o setlist, porque tivemos a experiência de que existem os países de língua alemã, como Alemanha, Áustria e Suíça. E quando tocamos fora desses países, na Espanha, França, Inglaterra ou República Tcheca, as pessoas ainda assim entendiam a música, porque a música é uma linguagem universal. Todo mundo fala, se comunica e entende, e se formos bons no palco performando, então as pessoas vão entender do que estamos falando. Também tivemos a experiência de que o público espanhol, quando fomos à Espanha, ficou absolutamente louco com a música e foi uma grande festa. E esperamos que seja o mesmo na América Latina, porque pessoas são pessoas. Acho que as pessoas são iguais em todos os lugares. Mas para nós é extremamente empolgante ir até aí, obviamente, porque quando começamos como uma banda pequena tocando em feiras renascentistas, ninguém imaginaria que um dia iríamos para lá. Estamos realmente muito ansiosos por isso e para ver um público entusiasmado. Dizem que as plateias na América Latina são muito apaixonadas e cheias de energia.

Fernando Queiroz: O show será, claro, mais curto que um set completo. Vocês usarão a mesma base de setlist dos festivais europeus que vinham fazendo?

Hans Platz: Sim, provavelmente teremos algumas músicas novas do nosso álbum “Nightclub”, e estamos apenas começando nossa turnê na próxima semana. Vamos trazer algumas músicas novas que nunca tocamos ao vivo antes, e vamos levá-las para a América Latina e também para o Bangers Open Air.

Fernando Queiroz: Quando você entrou na banda, em 2008, e a banda era de um estilo bem diferente, imaginou que algum dia estariam tocando no Brasil?

Hans Platz: De jeito nenhum, nunca. Quer dizer, quando entrei na banda, ela era super pequena, e eu percebi que já existia uma grande conexão entre a música, a banda e o público. Uma ótima interação, que faz um show fantástico, que transforma uma noite em uma grande noite. Mas eu nunca imaginei que tocaríamos na América Latina ou mesmo fora do mundo de língua alemã. E é absolutamente louco que isso esteja acontecendo. Quando começamos, havia lugares onde dormíamos em barracas atrás do palco, em sacos de dormir e coisas assim. Então começamos bem de baixo, subindo lentamente. Por isso somos realmente muito gratos por tudo isso ter acontecido. E às vezes é estranho olhar para trás, e você precisa praticamente se beliscar para acordar de um sonho. Mas somos realmente muito gratos por isso.

Fernando Queiroz: Você mencionou os lugares que falam alemão. Acha que ter letras em alemão é algo que pode de alguma forma afastar o público ou considera um diferencial no power metal?

Hans Platz: Acho que sim. Porque praticamente todas as outras bandas cantam em inglês. No heavy metal, normalmente as bandas cantam em inglês, mesmo quando são bandas alemãs, obviamente. Então acho que, como começamos em outro gênero musical, nunca pensamos em cantar em inglês. Então começamos sempre cantando em alemão. E depois, quando nos tornamos mais metal — felizmente, porque eu sou guitarrista e quero tocar mais metal, então isso é uma coisa boa — nunca realmente questionamos mudar o idioma. Fizemos alguns experimentos, algumas misturas dos dois idiomas. Mas acho que isso, claro, nos diferencia das bandas de power metal que cantam em inglês. E pelo que parece, pelo que entendo ou leio no feedback dos fãs, as pessoas que não falam alemão preferem que continuemos cantando em alemão, e não em inglês.

Fernando Queiroz: Como veio essa ideia de mudar tanto de gênero, saindo de uma banda folk para power metal?

Hans Platz: Bem, eu fui aumentando um pouco mais o botão de ganho em cada show e em cada gravação. E então, de repente, nos tornamos uma banda de metal. Mas foi algo gradual. Acho que começou com o álbum “Methämmer”. E realmente decolou quando mudamos de gravadora, quando fomos para a Napalm Records. E durante a pandemia, nosso som ficou muito mais pesado. Mas foi algo que aconteceu aos poucos, não foi uma mudança da noite para o dia.

Fernando Queiroz: Vocês, assim como algumas outras bandas como o Alestorm ou o Gloryhammer, usam muito do humor e irreverência nas músicas. Comparando com o que o gênero era antigamente, acha que esse toque bem humorado ajudou a renovar o estilo?

Hans Platz: Sim, talvez. Quero dizer, como viemos de um gênero diferente. Originalmente, o Feuerschwanz era como uma banda de folk. Ela foi fundada pelo Hauptmann, e ele queria fazer uma versão cômica de todas as outras bandas de folk que se levavam muito a sério — com todos aqueles elfos e cavaleiros. Ele queria mostrar um outro lado da Idade Média: algo sujo, bêbado, fedido e coisas assim. Era essa parte que ele queria mostrar. E levamos essa ideia conosco quando fomos ficando mais metal. Ainda temos isso nas nossas músicas e nas letras — esse lado meio bêbado e bagunçado. Sim, absolutamente. Isso também vem um pouco do que você mencionou, como bandas tipo Alestorm e Gloryhammer. Existe espaço para tudo. Diversão, comédia e se divertir também são emoções. Assim como tristeza e tragédia. Muitas bandas preferem cantar sobre grandes histórias épicas, tragédia e tristeza. Mas a comédia tem o mesmo valor. Às vezes a comédia é subestimada. Mas rir e se divertir também é uma emoção. E ficar triste também é uma emoção. Ambas têm o seu lugar e são muito valiosas. Então acho importante que existam os dois tipos: bandas de metal muito sérias, que buscam emoções fortes, e bandas como nós, que criam diversão e comédia.

Fernando Queiroz: Tem sido frequente vocês fazerem um cover de músicas de estilos bem diferentes, que foram hits no passado, como gangnam style. Vocês pretendem continuar fazendo essas versões nos próximos discos?

Hans Platz: Bem, depende. Se encontrarmos uma boa música, nós vamos fazê-la. Se não, não vamos. Porque normalmente isso não é planejado. Geralmente essas ideias surgem em longas viagens de carro, quando começamos a conversar, conversar e conversar. E de repente alguém tem uma ideia idiota. No começo você acha que é idiota demais. Mas uma hora depois você já está levando a ideia a sério e pensa: “sim, vamos fazer isso”. Normalmente essas músicas e essas ideias nascem dessas conversas divertidas, basicamente. E se encontrarmos uma boa música, nós a faremos. Se não, fazemos outra coisa.

Fernando Queiroz: Pretendem em algum momento fazer uma filmagem de shows e lançar como material, como um DVD da Knightclub Tour? Apesar de hoje em dia DVDs serem algo meio ultrapassado…

Hans Platz: Temos um álbum ao vivo antigo, lá do começo da banda, mas ele já não nos representa mais. E acho que também temos um álbum bônus que foi gravado em Wacken Open Air em algum momento. Mas talvez um dia façamos um novo álbum ao vivo. Por que não? Quanto a filmagem, DVDs e Blu-rays já são coisa do passado, como você disse, porque na internet você encontra tudo: transmissões, pessoas gravando shows e coisas assim. Não faz muito sentido fazer uma grande produção desse tipo, porque fica caro demais. Mas talvez uma gravação ao vivo. Isso eu não descartaria, porque é algo que pode ser feito com muito mais facilidade.

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