Fiddlehead e Rival Schools: o encontro de duas gerações em uma noite intensa e explosiva

Com abertura das bandas Capote e Zander, a noite do último domingo transformou o palco da Fabrique em um encontro de gerações e estilos musicais, misturando nostalgia, hardcore e muita emoção.

Fotos por Daniel Agapito (@dhpito)

Nos últimos anos, o “Come to Brazil” tem sido levado muito a sério, e a frequência de shows em terras brasileiras tem se intensificado de maneira impressionante para os fãs de música. Mesmo com essa intensidade de apresentações, é curioso perceber que ainda existem algumas pendências de estreias no país, tanto de bandas “clássicas” quanto de nomes contemporâneos em ascensão.

No último domingo (22), duas dessas pendências foram sanadas. Do lado mais clássico, um dos grupos mais influentes do post-hardcore e do rock alternativo, o Rival Schools, finalmente fez seu primeiro show no Brasil. Já representando a nova geração do hardcore/post-hardcore, o Fiddlehead veio atender à chuva de pedidos dos fãs brasileiros nas postagens das produtoras de shows, em especial da NDP e da Powerline, que ouviram o público e fizeram o show acontecer.

Para completar a programação, rolou mais um encontro de gerações: a Capote, banda recente do underground, e o Zander, nome consolidado e influente da cena, foram escolhidas para abrir o evento.

Abertura com Capote e Zander

A Capote foi a primeira banda a subir no palco da Fabrique. Formado em 2023 na cidade de Santos, o grupo representa a nova geração que vem aquecendo a cena underground, marcando presença em festivais relevantes, como o Banda de Casinha, responsável por colocar novas bandas em destaque.

A mistura de rock alternativo, emo e indie da Capote encaixou muito bem na proposta da noite. Sabendo da importância do show, já que o Fiddlehead é uma de suas influências, a banda fez uma apresentação muito competente e coesa, aproveitando muito bem seu curto tempo de palco. O setlist contou com faixas como “Propaganda”, “Tentei Mudar”, “Joelho Ralado” e “Através de Minhas Mentiras”. Foi uma grata surpresa para quem chegou cedo e ainda não conhecia o som do grupo.

Na sequência, o Zander subiu ao palco com o jogo ganho. Um dos nomes mais relevantes da cena underground e adorado por boa parte dos fãs de hardcore, o grupo é exemplo de competência e profissionalismo. Com a casa já em fase de lotação — o que reforça sua posição no cenário musical nacional, já que o público não cogitava perder a apresentação, o Zander mostrou sua força, algo que infelizmente nem sempre acontece com bandas de abertura. Enfileirando hits e contando com o apoio e a participação do público, a banda entregou um show cheio de energia e emoção, tocando hinos como “Dezesseis”, “Auto Falantes” e “Humaitá”.

A aguardada estreia do Rival Schools

Mesmo sendo uma das bandas mais influentes e importantes do final dos anos 90 e do começo dos anos 2000, o Rival Schools só fez sua estreia no Brasil no último domingo. O guitarrista e vocalista Walter Schreifels, figura ativa na cena alternativa/hardcore, com passagens no currículo por bandas de renome como Quicksand, Gorilla Biscuits e Youth of Today, não conseguia esconder sua alegria no palco, o que trouxe uma atmosfera muito leve ao show.

A felicidade da banda deu um toque extra a uma performance contagiante, que encontrou no público o mesmo sentimento e energia. Quem estava presente e acompanhou o Rival Schools ao longo dos anos sabia muito bem o peso e a importância daquele momento, valorizando cada segundo. Era comum olhar para o lado e ver fãs com mais de 30 anos com um enorme sorriso no rosto, cantando músicas que marcaram sua geração.

Em contraponto, o público mais jovem, que provavelmente estava tendo um contato mais aprofundado com o som do Rival Schools — ou até mesmo conhecendo a banda ao vivo, certamente saiu da Fabrique com a sensação de que tinha “lição de casa” a fazer.

A presença de palco de Walter é impressionante. O vocalista e guitarrista conduziu a performance do seu jeito, sempre com um sorriso no rosto. O setlist teve foco maior no álbum United by Fate (2001), disco de estreia da banda e um clássico dos anos 2000. Músicas como “Travel by Telephone”, “Good Things”, “Used for Glue” e “Everything Has Its Point” fizeram os fãs cantarem juntos, emocionados. Já o álbum Pedals (2011) marcou presença com as faixas “69 Guns”, “A Parts for B Actors”, “Small Doses” e “Wring Out”.

O Rival Schools fez valer a espera e presenteou os fãs com um show memorável e nostálgico, além de impactar a geração mais nova, que estava ali principalmente pelo show do Fiddlehead.

Rival Schools – Fabrique Club (SP) 22/02/2026

1 – Wring It Out

2 – 69 Guns

3 – Everything Has Its Point

4 – High Acetate

5 – Favorite Star

6 – A Parts for B Actors

7 – Small Doses

8 – My Echo

9 – Used for Glue

10 – Travel by Telephone

11 – Good Things

12 – Undercovers On

13 – Hooligans for Life

A performance explosiva do Fiddlehead

Bastou o Fiddlehead subir ao palco para a Fabrique implodir, com stage dives e mosh pits tomando conta do centro da casa. O som urgente, intenso e visceral da banda ganha ainda mais força ao vivo, trazendo toda a energia do hardcore para a apresentação.

O vocalista Patrick Flynn, que, ao lado do baterista Shawn Costa, também integrou a icônica banda Have Heart, declarou seu amor por São Paulo e disse estar impressionado com a intensidade dos stage dives, reforçando a importância de os fãs cuidarem uns dos outros.

Usando uma camisa do Santos, Patrick mostrou toda sua potência vocal e energia, além de dividir o microfone várias vezes com o público na beira do palco, quase sendo levado pelos fãs que praticavam stage dives e aproveitavam para interagir brevemente com o vocalista.

O setlist percorreu toda a curta, porém consistente, discografia da banda, equilibrando bem a divisão de músicas entre os álbuns Springtime and Blind (2018), Between the Richness (2021) e Death Is Nothing to Us (2023). Faixas como “Grief Motif”, “The Deathlife”, “True Hardcore (II)”, “Tidal Waves” e “Eternal You” foram responsáveis por intensificar o caos dentro da Fabrique. Para quem gosta de shows de hardcore com uma atmosfera mais intimista, a performance do Fiddlehead foi um prato cheio.

Antes de tocar “Fifteen to Infinity”, Patrick chamou a tour manager Carox ao palco e agradeceu seu trabalho e amizade. Carox ainda participou da canção, reforçando a relação de amor e carinho entre ela e a banda. Já na reta final, “Lay Low”, uma das queridinhas dos fãs, rendeu um dos melhores momentos da noite entre o grupo e o público. Após os pedidos de “one more song”, a banda voltou ao palco para tocar “USMA” e “Loverman”, encerrando a apresentação com chave de ouro.

O Fiddlehead fez um show explosivo e intenso, mostrando por que é um dos nomes mais relevantes e promissores da nova geração. Com uma conexão extremamente forte com os fãs, a banda entregou uma performance irretocável em sua primeira passagem pelo Brasil. Que seja a primeira de muitas. Mais um golaço da NDP e da Powerline.

Fiddlehead – Fabrique Club (SP) 22/02/2026 

01 – Grief Motif

02 – The Years

03 – The Deathlife

04 – Sleepyhead

05 – Million Times

06 – True Hardcore (II)

07 – Tidal Waves

08 – Head Hands

09 – Spousal Loss

10 – Poem You

11 – My World

12 – Eternal You

13 – Sullenboy

14 – Get My Mind Right

15 – Fifteen to Infinity

16 – Heart to Heart

17 – Lay Low

Encore

18 – USMA

19 – Loverman

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About Luis Antonio

Publicitário, colecionador de discos, resenheiro, podcaster, editor, viciado em shows e devoto do Chino Moreno.Misturo Napalm Death e Justin Bieber na mesma playlist e sou entusiasta do nu metal até hoje.Você também me encontra no Podcore Podcast, Downstage, 4 Discos e Entre e Ouça!

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