DARK TRANQUILITY ENTREGA EMOÇÃO E ENERGIA EM SP

Banda apresentou um setlist inédito no país celebrando 30 anos de história, e uma homenagem emocionante no final.

Fotos por Amanda Sampaio (@amandasampaio.ph)

Consistente e competente. Esses são dois adjetivos que podemos adereçar ao Dark Tranquility, que retornou ao Brasil para entregar mais um show emocionante e enérgico. Os pioneiros do Gothemburg Melodic Death Metal regressaram a América Latina com a turnê “The Character Gallery”, celebrando os aniversários de dois álbuns icônicos, The Gallery, lançado em 1995, e Character de 2005.

O pontapé inicial de shows desse ano começou na capital paulista, com a estreia do Imperial Triumphant e do já conhecido Cynic na sexta-feira. No sábado, tivemos a apresentação do pesado grupo de Crossover, Corrosion Of Conformity com um show fervoroso. Porém, a fidelidade dos fãs de metal sueco se mostrou presente no Carioca Club no domingo. Faltando apenas 30 minutos para o começo do show, a pista da casa já estava com pouco mais de 70% da capacidade total e a sensação era de ansiedade em poder ouvir alguns clássicos obscuros do sexteto.

O grupo liderado pelo frontman e fundandor da banda Mikael Stanne contou com: Peter Lyse Karmark e Johan Reinholdz nas guitarras, Joakim Strandberg-Nilsson na bateria, e Martin Brandström nos teclados, este desde 1999. Jonathan Thorpenberg que assumiu a guitarra solo na última passagem da banda no país, foi escalado dessa vez para substituir o baixista Christian Jansson, que se ausentou da turnê por motivos familiares.

THE GALLERY E SUAS CANÇÕES QUE ENVELHECERAM COMO VINHO

Um capítulo essencial da história do metal sueco: The Gallery não só definiu uma parte essencial do DNA sonoro da banda, como também marcou uma geração de fãs mais antigos. “Punish My Heaven” e “Edenspring” abriram o show em energia elevada, invocando coros melodiosos e palmas coordenadas do público. “Lethe” transmitiu um caráter mais melancólico e um arranjo aprimorado e maduro. “The Emptiness From Which I Fed” já trouxe o verdadeiro “som de Gotemburgo”, com linhas de bateria aceleradas, riffs pesados com interlúdios melódicos sustentados pelo teclado.

Mikael Stanne mostra que seus vocais só melhoraram ao longo de três sólidas décadas de banda, carregando um carisma inigualável que é o ponto forte de sua performance. Johan Reinholdz rouba a cena facilmente nos solos de guitarra, executados de maneira idêntica aos dos seus antecessores, mas nada que ofusque o brilho de Peter Lyse que segura as bases de guitarra sem perder a presença de palco. “The Dividing Line” fecha a primeira parte do show envolto de palmas e ainda mais ansiedade para o segundo ato.

SEGUNDA PARTE DO SHOW TROUXE AINDA MAIS NOSTALGIA E EMOÇÃO AO PÚBLICO COM AS MÚSICAS DE CHARACTER

As palmas crescentes do público foram suprimidas pelo início explosivo da música “The New Build”, que juntamente a “One Thought” e “The Endless Feed”, foram tocadas pela primeira vez para os fãs brasileiros, tendo em vista que grande parte conheceu a banda pelo álbum Charater (2005). Isso com certeza trouxe um impacto diferente de todos os outros shows do DT por aqui, com a plateia entregue a performance energética da banda, batendo palmas espontâneas e entoando gritos ovacionando “Dark Tranquility”, o que deixou os músicos visivelmente animados todo tempo da apresentação. “Through Smudged Lenses” retomou a vibe pesada com um refrão cativante, que contrastou bem com a energia mais soturna e emotiva de “My Negation”, essa emanando coros do público do começo ao fim, com um dueto de guitarras de fazer a alma sair do corpo. Mikael Stanne agradeceu a plateia e enfatizou o quão especial aquele show estava sendo, e assim anuncia uma clássica obrigatória do setlist, “Lost to Apathy” encerrando a parte 2 de 3 do show, – que se terminasse por ali já teria sido bem entregue.

HITS NOVOS E ANTIGOS DEIXARAM A APRESENTAÇÃO AINDA MAIS MARCANTE

Um aspecto interessante que certificou o evento como um espetáculo foi o uso de backdrops nos atos de The Gallery e Character, que deram uma vibe retrô ao show, sendo depois subistituidos pelo telão de LED, reproduzindo a fase mais recente e moderna da banda. Isso tudo sendo bem projetado pelo jogo de luzes, que serviram de moldura para representação visual do concerto.

Martin Brandström comanda a faixa de introdução quase cinematográfica de “The Last Imagination”, Johan Reinholdz entra em cena tocando acordes etéreos que logo após se transformas em riffs corridos e pesados. 

“ThereIn” era de longe uma das mais aguardadas do set, cheias de gritos e coros intensos até chegar no refrão em que os fãs cantaram em uníssono.

A acelerada e pesada “Unforgivable” invocou um pequeno moshpit na pista – é uma daquelas músicas que você fica no mínimo batendo cabeça junto. Not Nothing” foi a última das três executadas do álbum Endtime Signals, e mostrou novamente a versatilidade dos vocais limpos e guturais de Stanne, envolto de um instrumental que remete a uma viagem cósmica e metafísica.

A energia contagiante se manteve em “Atoma” do álbum homônimo de 2016, que também virou hit obrigatório no setlist assim como “Terminus (Where Death Is Most Alive)” do clássico Fiction, encaminhando o set para o bis.

FINAL EMOCIONANTE COM UM TRIBUTO A TOMAS LINDBERG DO AT THE GATES

O sexteto então retorna ao palco para executar o bis, ainda sem deixar a energia do público cair, revisitando Phantom Days” do álbum Moment de (2020) e a clássica Misery’s Crown” que encerraria o set ali mesmo. Porém, Mikael Stane incia um discurso emocionado lembrando a memória de um dos seus melhores amigos que faleceu no ano passado, Tomas “Tompa” Lindberg, eterno vocalista do At The Gates. Com a foto do finado músico no telão, a banda executou o clássico “Blinded By Fear”, que encerrou de vez aquela que foi umas das apresentações mais marcantes da carreira da banda aqui no Brasil.

SETLIST:

Dark Tranquillity – “The Character Gallery” – Carioca Club (18/01/2025)

  1. Punish My Heaven
  2. Edenspring
  3. Lethe
  4. The Emptiness from Which I Fed
  5. The Dividing Line
  6. The New Build
  7. One Thought
  8. The Endless Feed
  9. Through Smudged Lenses
  10. My Negation
  11. Lost to Apathy
  12. The Last Imagination
  13. ThereIn
  14. Unforgivable
  15. Atoma
  16. Not Nothing
  17. Terminus (Where Death Is Most Alive)
  18. Phantom Days
  19. Misery’s Crown
  20. Blinded by Fear
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