Roy Khan: “Pensamos em lançar o disco no primeiro ou no segundo trimestre de 2027”

Foto por Amanda Sampaio (@amandasampaio.ph)

Conhecido por seu trabalho à frente do Kamelot até 2011, o vocalista Roy Khan é uma das mais aguardadas atrações do Bangers Open Air 2026. Agora em carreira solo – que, inclusive, iniciou no Brasil suas atividades –, o cantor norueguês conta, em entrevista, o que esperar do show no maior festival de metal da América Latina, além de seus planos para o futuro e o como está o momento com sua outra banda, o Conception. Para coroar, ele nos revela a janela de lançamento de seu primeiro disco solo, no momento em produção. Confira!

Fernando Queiroz: Você fez ano passado seu primeiro show solo aqui no Brasil, junto com o Edu Falaschi. Para quem foi naquele, o que você diria que podemos esperar de diferente na apresentação do Bangers Open Air?

Roy Khan: Vai ser um festival aberto, isso é uma coisa diferente. Não é exatamente parte do meu show, mas estou realmente ansioso para poder tocar em um festival no Brasil. E, bem, quer dizer, as músicas vão ser um pouco diferentes. Ao mesmo tempo, ainda estou meio que no ciclo de celebrar o The Black Halo e também, como você talvez saiba, vou fazer um show de aniversário do álbum One Cold Winter’s Night em novembro. Mas ainda estou nesse ciclo, embora haja outras músicas que eu não toquei antes. De qualquer forma, aquele foi um set curto, o que eu fiz em julho naquela época. Na verdade, desta vez minha banda será com músicos do Seven Spires, porque estou em um ciclo de turnê com eles e eles também vão tocar no Bangers. Então, desta vez estaremos com eles, não com o Maestrick, como da última vez. Mas o Charles Soulz, o tecladista deles, estará lá conosco, provavelmente.

Fernando Queiroz: Esse é o primeiro festival bem grande que você fará enquanto artista solo, então você sente alguma pressão maior em relação a essa ocasião do que nos shows em casas fechadas?

Roy Khan: Não muito. Quer dizer, claro, as trocas entre as bandas são extremamente rápidas. E se houver problemas técnicos ou algo assim, como por exemplo esquecer alguma coisa no backstage… sabe, a programação de horários em festivais é muito apertada. Então esse é um elemento que pode ser um pouco estressante. Mas não, na verdade não. Eu realmente não me importo. Eu simplesmente adoro qualquer palco, seja pequeno ou grande. Eu simplesmente amo essa situação, independentemente de como seja.

Fernando Queiroz: Quanto ao álbum que você disse que está produzindo com o a Adrienne Cowen, neste momento, como está o andamento da produção e composição?

Roy Khan: Já fizemos umas três sessões de composição, sabe, sessões de pré-produção. E não acho que haverá… A questão é que estou trabalhando em paralelo em um novo álbum do Conception, certo? Então precisamos organizar bem o tempo, meio que em ritmo dobrado, de certa forma, porque temos que separar períodos isolados para os dois projetos. E eu realmente não tenho muitas novidades além de dizer que está indo muito bem. Talvez umas seis ou sete músicas já estejam prontas, mais ou menos — pelo menos a estrutura principal. Estamos pensando em lançar no primeiro ou no segundo trimestre de 2027.

Fernando Queiroz: Em 2005, o The Black Halo foi meu primeiro contato com Goethe, então é algo especial para mim. Você tem intenção de fazer novamente algo baseado em alguma obra literária clássica?

Roy Khan: Eu realmente não tive nenhuma ideia ou pensamento específico ou concreto sobre isso. Mas, sabe, pode muito bem acontecer. É uma ideia! Porém, este próximo álbum não vai ser exatamente um álbum conceitual.

Fernando Queiroz: No seu ponto de vista, quando você voltou a cantar ao vivo com o Conception, e agora em carreira solo, depois de tantos anos, quanto e como você acha que a sua voz mudou nesses anos todos?

Roy Khan: Há algumas coisas que mudam bastante desde a primeira vez que você pega um microfone até quando fica mais velho. A primeira é que a sua voz fica mais escura; o timbre da voz muda. E a segunda é que você precisa ter mais cuidado com a forma como aquece a voz e com o cuidado físico em geral quando envelhece. Mas a minha voz não mudou tanto assim. Você acaba perdendo um pouco de alcance, certo? Normalmente perde alguns semitons na parte mais aguda, mas também ganha alguns na parte mais grave. Então, não sei… todo o registro vocal acaba descendo um pouco.

Fernando Queiroz: Pretende fazer mais turnês comemorativas de álbuns do Kamelot no futuro, como o Epica ou o Karma?

Roy Khan: Definitivamente existe a possibilidade de fazer outras celebrações de trabalhos do passado. Mas, por enquanto, estou focado no The Black Halo e também nesse chamado Winter’s Night Show. E depois, sabe, será a hora de apresentar material novo. Mas, claro, em conexão com isso… quer dizer, vai ser meio que uma mistura de material novo e antigo. E também posso incluir alguns shows acústicos, talvez só eu e um pianista ou algo assim. Mas com certeza vou garantir que continuo ocupado com essa paixão, que é a música — compor e se apresentar.

Fernando Queiroz: Já que você falou do Conception, você acha que esse novo disco que estão fazendo vai soar mais parecido com os materiais mais antigos da banda, ou vai ser algo mais voltado aos recentes?

Roy Khan: Na verdade, acabamos de voltar das montanhas, eu e o Tore Østby, o guitarrista. E estamos super animados e felizes com o material novo. Mas eu diria que ele é mais parecido com o material mais recente do que com o Conception antigo. Ainda assim, estamos tentando abrir novos caminhos e nos desafiar com direções e elementos diferentes que possamos trazer para a nossa música. Mas acho que teremos que esperar até o álbum sair para fazer esse julgamento.

Fernando Queiroz: Você acha que vai conciliar igualmente as bandas ou acha que em algum momento vai ter que escolher entre uma e outra?

Roy Khan: O Conception ainda é, sabe, a minha banda, e o trabalho solo também é algo que eu quero fazer. Então acabamos de assinar um novo contrato com uma gravadora. E, claro, eles têm algumas expectativas sobre como devemos fazer as coisas. Então precisamos garantir que planejemos tudo de forma a criar algum tipo de efeito de sinergia, para que um projeto alimente o outro, em vez de ficarem competindo entre si. Mas, claro, isso também significa que as coisas precisam ser bem programadas, com períodos separados em que eu possa me concentrar em um ou em outro. Mas tenho quase certeza de que vamos conseguir administrar isso muito bem.

Fernando Queiroz: Roy, seu sei que você tem raízes tailandesas. Eu gostaria de saber se você já quis ou quer incluir algo de cultura da Tailândia em algum momento nas suas músicas.

Roy Khan: Um pouco, sim. Tenho uma música chamada “Temples of Gold”. Mas não muito. Quer dizer, na verdade isso não foi algo que realmente pensei muito. Quero dizer, eu sou meio tailandês. Na verdade, sou um pouco americano também — tailandês e meio norueguês. Mas nasci e fui criado na Noruega. Então, culturalmente falando, eu realmente me sinto 100% norueguês. E nunca foi algo muito natural para mim trazer mais elementos da cultura tailandesa para a música além do que eu já fiz.

Fernando Queiroz: Nesses últimos anos, você acabou tendo uma grande ligação com o Brasil. Hoje, como você descreve sua relação com o país, e com o público brasileiro?

Roy Khan: Estive aí duas vezes em poucos anos e conheci pessoas fantásticas, que foram muito receptivas e muito prestativas. Também tive muitos momentos ótimos com o pessoal do Maestrick. Sou muito grato ao Edu por ter me convidado para os shows dele no Tokio Marine Hall. Também fiz algumas sessões de composição com brasileiros no Guarujá e passei uma semana em Rio Preto com o Maestric, quando nos preparamos para o show em julho passado. E, sim, foi ótimo. Eu amo o país. Quer dizer, o Brasil é, claro, um pouco exótico para um norueguês, certo? E também tenho essa conexão no sentido de que o Brasil sempre foi um mercado importante. Mas sim, acho que o Brasil é um daqueles países onde muitas coisas estão acontecendo ultimamente musicalmente.

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