Liderado por Lord Campbell, o Silver Dust comenta a chegada ao Brasil, influências no metal e a proposta visual que transforma seus shows em uma experiência imersiva.
Lord Campbell – Antes de tudo, obrigado pelo seu interesse, Guilmer. Estamos realmente ansiosos para conhecê-lo!
Guilmer – A estreia de vocês no Brasil acontecerá em um dos maiores festivais de metal da América Latina. O que significa para o Silver Dust fazer sua primeira apresentação no país no Bangers Open Air 2026?
Lord Campbell – Tocar no Brasil pela primeira vez é um marco enorme para nós. Crescemos ouvindo falar da energia lendária da cena metal brasileira, é um público que não apenas assiste a um show, eles vivem o show! Pessoalmente, sempre fui inspirado pelo poder bruto de Soulfly e Sepultura. Max Cavalera é um verdadeiro pioneiro, cuja influência na comunidade global do metal é imensurável.
Nos sentimos incrivelmente sortudos por entrar nesse território com o apoio da Dharma Music. Estou em contato com o grande Rodrigo Oliveira há muito tempo. Sou um grande fã do trabalho dele como baterista e produtor, e ter alguém do calibre dele acreditando no Silver Dust é uma verdadeira honra. Ele montou uma equipe fantástica para nos ajudar a crescer no Brasil e na América do Sul, e essa colaboração realmente não poderia ter acontecido em um momento melhor. O Silver Dust está mais forte do que nunca agora!
Gilmer – Symphony Of Chaos foi descrito como o melhor trabalho de vocês desde o início da carreira. O que mudou no processo criativo para que esse álbum alcançasse um nível tão grande de maturidade?
Lord Campbell – No que diz respeito à música e ao aspecto visual, eu sou o criador da banda: componho todas as músicas, escrevo as letras e cuido dos arranjos. Eu crio tudo do início ao fim, incluindo o design gráfico, logotipos e capas de álbuns.
Meu objetivo era criar um álbum um pouco mais metal do que os lançamentos anteriores do Silver Dust. Também queria evoluir vocalmente e consegui desenvolver técnicas que ainda não havia experimentado. Eu queria um disco em que cada melodia ficasse na mente das pessoas, com vocais poderosos, arranjos altamente produzidos, loops eletrônicos e orquestrações clássicas épicas.
Adoro trabalhar com diferentes plug-ins, sou apaixonado por programação e, olhando para trás, fico muito feliz com o resultado. Sinto que evoluí muito como compositor, e isso é uma sensação incrível. Mas uma vida inteira ainda não é suficiente para explorar tudo!
Guilmer – O álbum mergulha na “turbulência da alma humana”. Quais experiências pessoais ou reflexões influenciaram diretamente o desenvolvimento conceitual do disco?
Lord Campbell – Para mim, Symphony of Chaos é um reflexo sonoro da turbulência que vemos no mundo hoje. Eu acompanho as notícias de perto e me sinto profundamente afetado pela direção que a nossa sociedade está tomando.
Uma parte importante da minha filosofia pessoal é a defesa feroz dos direitos dos animais. Sou completamente contra a crueldade em qualquer forma. O consumo excessivo de carne no mundo é uma praga que causa enorme sofrimento tanto para os animais quanto para os humanos — uma grande ilusão que abordamos diretamente na música “I’m Flying”.
Mas o caos não é apenas global, ele também é profundamente pessoal. A faixa “Goodbye” é uma homenagem ao meu melhor amigo, que foi levado por uma doença grave cedo demais. Este álbum foi a minha maneira de lidar com esse luto, ao mesmo tempo em que refletia sobre o estado do mundo.
Guilmer – Depois de dividir o palco com bandas como Nightwish, KISS e Scorpions, como essas experiências impactaram o estilo de performance e a identidade artística do Silver Dust
Lord Campbell – Compartilhar o palco com ícones como Nightwish, Scorpions, Alice Cooper, Moonspell, Lordi e especialmente meus heróis do KISS é uma experiência tão incrível quanto inimaginável. Se alguém tivesse me dito no início da minha jornada que um dia eu tocaria ao lado dos meus ídolos, eu teria apenas sorrido e não acreditado.
Além da emoção, sou um estudante da arte do espetáculo. Adoro observar bandas que alcançaram esse nível de sucesso global para entender a “receita” delas. Observá-los do lado do palco, o mesmo palco em que acabamos de tocar, dá uma dimensão muito poderosa à experiência.
A lição mais importante que aprendi, especialmente com o KISS, é a importância do rigor, da tenacidade e da inovação constante. Fico fascinado com a trajetória de Gene Simmons e Paul Stanley: apesar dos obstáculos que enfrentaram, eles uniram suas forças para construir algo maior do que eles próprios. Manter esse nível de excelência por mais de 50 anos é extraordinário. Isso me ensina que, para se tornar lendário, você precisa tratar sua arte com disciplina absoluta e nunca parar de expandir os limites do seu show.
Guilmer – Lullabies alcançou a posição nº 8 nas paradas alemãs. Você sente que esse feito elevou a banda a um novo patamar dentro da cena metal europeia?
Lord Campbell – Acho que foram principalmente nossas turnês pela Europa que ajudaram a tornar a banda conhecida. Fazer turnê é a melhor coisa para uma banda. Na verdade, em breve anunciaremos nossa sexta turnê europeia, que durará um mês no início de 2027.
Guilmer – O Silver Dust é conhecido por apresentações que combinam atmosferas épicas com fortes elementos visuais. Os fãs brasileiros podem esperar uma produção especial para esse show de estreia em São Paulo?
Lord Campbell – Nós conhecemos o Bangers Open Air, e poder tocar lá é uma oportunidade tremenda. Estamos realmente animados para conhecê-lo e apresentar o Silver Dust ao público brasileiro pela primeira vez.
Sim, sabemos que os fãs brasileiros estão entre os mais exigentes do mundo, e nós absolutamente adoramos isso. Estamos ansiosos para apresentar algo diferente, algo novo para o público. Experimentar um show do Silver Dust significa viver uma experiência, entrar em outro mundo.
Guilmer – A carreira de vocês já os levou a mais de 26 países. Quais objetivos artísticos ainda permanecem e quais mercados são estratégicos para o Silver Dust nos próximos anos?
Lord Campbell – O objetivo é sempre ir mais longe, sempre mirar mais alto e continuar crescendo cada vez mais. América do Sul, Ásia e Estados Unidos são destinos que planejamos alcançar no futuro.
Guilmer – Formada em 2013 e hoje consolidada dentro do Gothic Metal contemporâneo, como você vê a evolução do gênero atualmente e qual o papel do Silver Dust nessa cena?
Lord Campbell – A imprensa europeia descreveu o Silver Dust como uma banda “burtoniana”. Como sou um grande fã de Tim Burton e de seus filmes, isso me pareceu totalmente natural. Sempre adorei a cultura e a arquitetura góticas. Sua história, figurinos, música clássica, objetos e lendas sempre me fascinaram.
Eu moro em Porrentruy, em uma região da Suíça que viveu um período gótico importante. Por isso, é fácil para mim criar videoclipesm nossa cidade realmente parece um cenário de filme. Isso pode ser visto em muitos dos nossos clipes, mas especialmente em nosso último single, “Salve Regina”.
Para mim, era óbvio que um dia eu criaria uma banda assim, com uma identidade forte, reunindo todos os elementos que amo do universo gótico enquanto desenvolvia uma identidade própria. Alice Cooper, Kiss e Marilyn Manson são artistas que me influenciaram muito. Mas, como você pode perceber, o Silver Dust tem sua própria identidade, e isso sempre foi muito importante para mim. Hoje, acredito que a evolução do gothic metal está indo muito bem e continua sendo muito interessante.
Queridos amigos brasileiros, mal podemos esperar para vê-los!
Lord Campbell – Silver Dust

