Colaborador de longa data do saudoso vocalista brasileiro, o fundador do Avantasia fala sobre os anos que passou afastado do colega, e como foram os últimos momentos ao lado dele, uma semana antes de sua trágica morte.
Foto por Leca Suzuki (@lecasuzukiphoto)
Em trecho cortado de entrevista ao site Igor Miranda gentilmente cedido ao Sonoridade Underground, Tobias Sammet, líder e vocalista principal do Avantasia, quando perguntado sobre se gostaria de ter trabalhado novamente com o falecido cantor brasileiro Andre Matos, disse não pensar muito em situações hipotéticas, e falou em tom emocionado sobre o último encontro com seu colega e colaborador de longa data, de quem ele diz sentir falta. O alemão disse ter sabido no dia que o amigo não estava muito bem, mas descreve a participação dele no show em São Paulo, uma semana antes de sua morte, como um momento muito agradável. Tobias também falou ter ficado incrédulo quando soube da morte de Andre – achou que era uma pegadinha, e só acreditou quando o produtor Sascha Paeth, que estava em contato com a família Matos, confirmou o ocorrido.
Tobias também explicou as razões de não ter feito mais turnês com Andre nos anos que se seguiram à turnê do álbum The Scarecrow.
“O que posso dizer é que quando nos reunimos – quer dizer, nunca realmente perdemos contato -, eu disse a ela o porquê de ele não estar mais nas turnês, pois o Michael Kiske em certo momento entrou em cena, e o Andre cantava várias músicas que o Michael tinha gravado, e eu falei para o Andre que eu tinha que ter feito aquilo, pois ele era a voz original de No Return, e Shelter From the Rain, Reach Out For the Light, e ele entendeu.
Apesar da ausência em turnês, o alemão diz que sempre esteve junto ao brasileiro, e que sempre gostou de trabalhar com ele, e que provavelmente teriam feito mais músicas juntos se o amigo não tivesse falecido.
O Andre estava conosco na turnê do Tinnitus Sanctus na Europa, e sempre nos encontrávamos, ele estava voltando conosco no The Wicked Symphony, onde cantou Wizard On a Broken Mirror. Quando nos reunimos no palco em 2019, foi ótimo, e falamos que tínhamos que fazer aquilo de novo, mais vezes, mas acabou não acontecendo. Eu nunca penso no que aconteceu no passado, do porque ele não estava presente em alguns dos álbuns – se você soubesse que alguém iria falecer, é claro que teríamos falado que deveríamos ter conversado com mais frequência, que deveríamos trabalhar juntos mais frequentemente, mas não faz diferença pensar nisso. O que eu posso dizer é que se ele não tivesse falecido, provavelmente estaria no próximo disco, e provavelmente estaríamos no palco juntos de novo. Mas não era para acontecer.
Também relembrou os últimos momentos que teve com Andre no dia do show uma semana antes da morte do cantor. Revelou que, já naquele momento, ele não estava muito bem. Tobias diz ainda hoje sentir muita falta do colega.
Foi ótimo ver ele no palco naquela noite, mas depois do show eu não consegui vê-lo, ele já tinha ido embora, e eu pensei ‘que estranho… fomos ao palco, nos abraçamos, e ele já foi embora’, mas então alguém (da produção) me falou que ele não estava muito bem. Achei estranho, mas pensei que iríamos conversar de novo dali alguns dias. Acho que seis dias depois, eu tinha acabado de voltar para a Europa, e recebi uma mensagem falando que ele tinha falecido. Na hora pensei que aquilo não podia ser verdade… era uma mensagem de nosso tour manager falando simplesmente ‘aparentemente o Andre faleceu esta manhã’ – achei que não era verdade. Então, liguei para o Sascha Paeth, que estava em contato com a família, e aparentemente era verdade. Então, é… eu sinto muita falta dele.”
Ao longo de muitos anos, Tobias e Andre colaboraram em diversas ocasiões. O brasileiro cantou nos dois primeiros álbuns do Avantasia, The Metal Opera I e The Metal Opera II, e fez parte da turnê do terceiro, The Scarecrow – mesmo não tendo gravado o disco. Aquela foi a primeira turnê que o Avantasia fez em sua história, e contou com um show lotado em São Paulo, em 2008. Depois disso, ainda gravou uma música, Wizard On a Broken Mirror, no álbum The Wicked Symphony.
Já o alemão, por sua vez, participou do disco Ritual, estreia do Shaman, onde gravou dueto com o colega na música Pride, que encerra o álbum. Ele repetiu a participação, agora ao vivo, no DVD e CD Ritualive, gravado em São Paulo, que também conta com a canção Sign of the Cross, outro dueto de ambos, presente no primeiro disco do Avantasia.
Leia a entrevista completa no site do Igor Miranda no link abaixo:

