A última passagem de Anette pelo Brasil foi com o Nightwish em 2008, mas no último final de semana a cantora esteve em São Paulo e fechou antigas feridas
Texto por Tamira Ferreira (@tamira.ferreira) e Fotos por Amanda Sampaio (@amandasampaio.ph)
A cantora Anette Olzon passou por diferentes projetos, mas teve sua carreira consolidada quando assumiu o lugar de Tarja Turunen no Nightwish, em 2007.
Entretanto, a trajetória da artista sueca dentro da banda finlandesa não foi das melhores. Anette sofreu muitos comentários de ódio por causa de sua voz que não seguia o clássico lírico das vocalistas de metal melódico e pelo fato de estar no lugar de Tarja, como se ela tivesse alguma culpa na demissão da cantora anterior.
Os ataques contra Anette vinham pela internet e nos shows do Nightwish. Um caso marcante foi a passagem da banda pelo Brasil onde muitos “fãs” xingavam e mostravam o dedo do meio para a cantora durante as apresentações da banda.
Em 2012, no meio da turnê norte-americana, Anette Olzon é demitida do Nightwish e não chega a concluir os shows do álbum Imaginaerum.
Nesse período, a cantora lançou álbuns solo e participou de diferentes projetos, mas é como enfermeira que ela atua profissionalmente desde sua demissão.
Quase 13 anos depois, Anette volta para os palcos e escolhe o Brasil para uma turnê passando por 7 cidades, cantando os álbuns do Nightwish em que a cantora participa: Dark Passion Play e Imaginaerum.
Um dos shows foi em São Paulo, no último sábado, e você confere como foi abaixo.
Banda de abertura agrada e chama atenção:
Chegamos ao VIP Station por volta das 19h30 e ainda havia uma grande fila para entrar no local, o que acabou causando o atraso da entrada da banda de abertura.
Perto das 20h, os curitibanos da Magistry subiram ao palco e encontraram uma casa de show cheia de fãs animados e ansiosos pelas apresentações da noite.
O que se pode dizer da banda de metal melódico é que eles conseguiram algo muito difícil para uma atração de abertura: seduzir o público.
Todos os olhares estavam atentos para o grupo formado por Lya Seffrin (vocal), Leonardo Rivabem (baixo), João Borth (guitarra), Johan Wodzynski (bateria), Leonardo Arentz (guitarra e gutural) e Thiago Parpinelli (teclado).
O Magistry tem uma base no metal melódico que se consolidou no começo dos anos 2000, como Epica e Nightwish, mas também bebe do metal moderno que está em alta com bandas como Spiritbox, Jinjer, entre outras.
Isso vem, principalmente, da combinação dos vocais limpos de Lya e dos guturais de Leonardo. A banda também tem um som mais cru e menos voltado para o clássico, diferente das bandas mais antigas.
Eles entregaram muito carisma, com olhares atentos ao público, sempre agradecendo a todos e interagindo com os fãs.
Do outro lado, a plateia estava concentrada assistindo ao show, agitando em resposta aos pedidos dos membros da banda. Era possível ouvir elogios vindo do público sobre a atração de abertura.
Com um setlist curto, o Magistry sai do palco agradecido e muito feliz com a recepção de todos que estavam ali. Foi uma agradável surpresa e quem chegou cedo teve a chance de apreciar um show tão impecável e animado.
Setlist Magistry:
Swing to the Circles of Time
Alchemy of the Inner World
Black Abyss
Divine
Me, the Moon and Venus
Lost Paradise
Cantora entrega carisma em turnê brasileira:
Uma rápida troca de instrumentos e tudo estava pronto para o show principal da noite.
Os comentários entre os fãs eram os mais diversos, mas o que chama atenção é que, para muitos, aquela seria a primeira oportunidade de ver a cantora ao vivo. Quando Anette saiu do Nightwish em 2012, o show de São Paulo já havia sido anunciado e muitos fãs já tinham ingressos comprados. Para muitos, existia uma ferida aberta pelo fato da cantora não ter vindo ao Brasil participar daquela turnê. Porém, o show de sábado foi o momento ideal para curar essa “ferida”.
Também era o momento de fazer jus à carreira e trajetória de Anette no Nightwish. Todos os fãs ali apreciavam e estavam agradecidos por estar vivendo aquele momento com a cantora.
Próximo das 21h, Anette sobe ao palco com o sorriso de orelha a orelha, olhando diretamente para cada fã que estava ali. Fora que o show não poderia começar de uma forma melhor: com a canção “7 Days to the Wolves”, do primeiro álbum em que a cantora participou, o Dark Passion Play.

O mais incrível era ouvir o quão alto os fãs cantavam todas as músicas. Era perceptível como todos queriam extravasar de alguma forma toda a sua paixão pelo Nightwish e por aquelas canções.
A própria vocalista comentou que conseguia ouvir a todos cantando e declarou seu amor pelo público.
O show continuou com “Storytime”, um dos maiores sucessos do álbum Imaginaerum, seguida por “Ghost River”, que teve o baixista Filipe Duarte assumindo os vocais que eram de Marko Hietala.
Filipe usa um vocal mais gutural nas canções, mas também consegue fazer os agudos característicos de Marko.
Nos instrumentos também estavam: Sanzio Rocha na guitarra, Vithor Moraes no teclado, Kiko Lopes na bateria. Todos músicos brasileiros de diferentes bandas do metal nacional.
Dois singles famosos do álbum Dark Passion Play não poderiam ficar de fora: “Bye Bye Beautiful”, canção que não é mais performada nos shows do Nightwish e “Amaranth”.

Mesmo com a sua saída conturbada do Nightwish, Anette ainda mostra respeito a Tuomas
Anette para por um momento para contar aos fãs que além dela não cantar essas músicas há mais de 12 anos, ela também não as ouvia desde então. Ela disse que, quando parou para ouvi-las, lembrou de como eram canções boas e comentou: “Tuomas Holopainen escreve excelentes canções”.
O show seguiu com muita animação e até mesmo o calor intenso dentro do VIP Station não atrapalhou o público de aproveitar ao máximo cada segundo daquela apresentação. Mas era hora de acalmar e emocionar a plateia com baladas marcantes dos dois álbuns.
Começamos com “Rest Calm”, que já levou vários fãs às lágrimas por causa de sua emocionante letra. As vozes de Anette e Filipe se entrelaçam trazendo ainda mais beleza para a apresentação.

Uma pequena pausa para Anette sair do palco e deixar seus músicos brilharem com “Last Of The Wilds”, canção instrumental do álbum Dark Passion Play.
Nem mesmo a música instrumental não tirou a animação do público que dançava e pulava enquanto era executada. Anette voltou para o palco e apresentou seus músicos, depois pediu um banco para se sentar: era hora de os fãs se emocionarem novamente.
A cantora contou que a próxima canção da noite foi o primeiro single do Nightwish com ela nos vocais. É uma balada que fala sobre uma garota que sofria bullying, algo que ela se identifica, pois também passou por isso na infância. A canção era “Eva”.
Muitos fãs se renderam ao choro durante “Eva”, mas ainda não era hora de secar as lágrimas, já que Anette iria cantar mais uma canção emotiva da banda: “Turn Loose The Mermaids”, faixa que nunca havia sido tocada pelo Nightwish.

Para voltar ao clima animado do começo do show, Anette chama a vocalista do Magistry, Lya Seffrin, para cantar “Sahara” junto com ela. As duas dançaram sorridentes durante toda a performance. Era visível a alegria de estar vivendo aquele momento no palco.
Uma breve pausa para um solo de bateria. Kiko Lopes aproveita para perguntar aos fãs se eles conheciam a música que ele iria tocar e começa a introdução de “Over The Hills and Far Away”, o que leva a todos à loucura e aos gritos.
As próximas músicas do show são algumas das mais longas do Nightwish. Tuomas tem algumas canções em seu catálogo de composições que passam dos 10 minutos, algumas chegando a 25 minutos. “The Poet and The Pendulum” é uma dessas, com 14 minutos, mas o fato de a canção ser longa não incomodava os fãs, que estavam ansiosos para ouvi-la.
Durante a passagem de Anette pelo Nightwish, a cantora ganhou o apelido de “Pastora”, principalmente por causa da canção “Meadows of Heaven”. Durante vários momentos do show, os fãs gritavam “Pastora” para Anette, que respondia com carinho e muito bom humor.
Ela disse que adorava o apelido e ficou muito feliz quando os fãs a chamaram assim. Anette também disse que o mundo estava muito instável, com vários acontecimentos ruins, então era bom ter um momento “gospel” para espalhar sentimentos positivos para o mundo. Era a hora de “Meadows Of Heaven”.

Antes do final do show, a cantora chama seu filho mais velho, Seth, para subir ao palco. Ela contou que, quando estava no Nightwish, Seth tinha apenas 5 anos e ela acabava perdendo muitos momentos com eles, como festas de aniversário. Mas, dessa vez, ela decidiu convidá-lo para ir na turnê com ela, e ele aceitou rapidamente.
Quando ela convida o filho para subir ao palco, ele está com uma cerveja na mão, a bandeira do Brasil enrolada no pescoço e um ar de que aquela cerveja não era a primeira que ele tinha tomado.
Ele vai até o microfone e pede para os fãs se unirem e gritarem “Pastora” para Anette. Conta até 3 e agita a todos para o grito.

Anette dá risada e diz que no começo da turnê ele falava apenas uma palavra, agora ele não parava mais de falar no microfone.
O show encerra com “Last Ride Of The Day”, com o clima de entusiasmo ainda em seu ápice.
Após a apresentação e os agradecimentos de Anette e sua banda, a cantora ainda para na ponta do palco para tirar fotos e autografar álbuns.
Anette encerrou o show de sábado com um sentimento de ter concluído algo inacabado com os fãs brasileiros e com quem a acompanhou desde o seu início na banda.
Infelizmente, a turnê acabou sendo mais curta, já que a cantora passou mal depois desse show e cancelou sua apresentação em Belo Horizonte. Mas ela já anunciou que está resolvendo a situação para marcar uma nova data para os mineiros.
Ela também já prometeu aos fãs que voltará para o Brasil com sua carreira solo.
O que nos resta agora é esperar para conhecer os planos futuros da artista e aguardar sua volta às terras brasileiras.
Setlist Anette Olzon:
1. Resurrection (John Debney song)
2. 7 Days to the Wolves
3. Storytime
4. Ghost River
5. Bye Bye Beautiful
6. Amaranth
7. Rest Calm
8. Last of the Wilds
9. Eva
10. Turn Loose the Mermaids
11. Sahara
12. The Poet and the Pendulum
13. Meadows of Heaven
14. Last Ride of the Day
15. Imaginaerum










































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