Nascida em 2010 como uma microcooperativa numa antiga granja, a banda de Tarragona construiu de forma independente uma carreira de cinco discos
Crédito: Silvia Missaghast
O Crim, banda de Tarragona (Catalunha, Espanha) que se tornou ícone do punk catalão com letras de protesto contra o capitalismo, a especulação imobiliária e a apatia social, sempre cantadas em catalão, anunciou em setembro sua separação indefinida após 17 anos e cinco discos de estúdio. Antes de parar, o Crim faz sua única apresentação no Brasil no dia 5 de novembro, quinta-feira, no Rock Together, em São Paulo.
A realização é da Fuerza Booking com a ND Productions. Os ingressos estão à venda na Fastix.
O show abre a turnê latino-americana de despedida da banda, que segue para Buenos Aires, Santiago, Bogotá, Lima, San José, Cidade do México, Nogales e Mexicali.
O som do Crim combina a crueza e a melodia de referências como Social Distortion, Leatherface e Cock Sparrer, com refrões feitos para cantar junto e guitarras melódicas, com referências de Sham 69 e do punk sueco de Asta Kask e Ebba Grön, com algo de Oi! e street punk.
O Crim comunicou a decisão em 16 de setembro. No comunicado, a banda explica que as exigências de uma indústria cada vez maior tornaram difícil manter o equilíbrio com o qual construiu a carreira, e reafirma o caráter independente que marcou sua trajetória. O Crim, no entanto, deixa a porta aberta: segundo a banda, um dia, sem data definida, ela volta.
A despedida será longa. O Crim segue em atividade até o fim de 2027, com shows especiais em salas pequenas, apresentações maiores e festivais, que serão anunciados aos poucos. Três dias depois do anúncio, a banda tocou no Mercat de Música Viva de Vic, na Catalunha, e o vocalista Adrià Bertran disse no palco que aquele havia sido o melhor show da vida do Crim.
Da granja aos palcos do mundo
O Crim nasceu em 2010, quando quatro colegas de apartamento, todos com vinte e poucos anos, começaram a tocar juntos nas tardes de quarta-feira. Nos primeiros anos, a banda funcionou como uma microcooperativa instalada numa antiga granja, onde os próprios integrantes gravavam as músicas, faziam as camisetas e organizavam os shows. Mais tarde, a parceria com a agência HFMN ampliou o alcance do trabalho sem tirar a independência que sempre definiu o Crim.
Em 17 anos, a banda tocou em 22 países, cruzou duas vezes o Atlântico e dividiu turnês e palcos com bandas que marcaram a adolescência de seus integrantes.
Em maio de 2025, o Crim foi a representação espanhola no cartaz da turnê “45 Years Doing What You Want”, do Bad Religion, ao lado de Agnostic Front, Strung Out e Belvedere, com shows em arenas da Espanha e na MEO Arena, em Lisboa.
“Futur Medieval”
O disco mais recente do Crim, “Futur Medieval”, saiu em novembro de 2025 pela cult BCore. As letras miram o egoísmo, o capitalismo, o domínio da tecnologia, a especulação imobiliária e a hipocrisia, e o título funciona como alerta para um futuro que pode ser tão brutal quanto a Idade Média.
A banda definiu “Res de Nou” como a “anti-canção do verão”, uma crítica a quem prioriza a pose antes da música, e “Carnets de Punk” mira quem distribui “carteirinhas de punk” na cena, escondido atrás das telas.

SERVIÇO
Crim em São Paulo
Data: 5 de novembro de 2026 (quinta-feira)
Horário: 19h
Local: Rock Together
Endereço: Rua Dr. Zuquim, 926, Santana, São Paulo (SP)
Ingressos: fastix.com.br/events/crim-em-sao-paulo
Realização: Fuerza Booking e ND Productions
