EM PLENA QUARTA-FEIRA, VOLA LOTA O HANGAR 110 EM ÓTIMA APRESENTAÇÃO

Fotos por Amanda Sampaio (@amandasampaio.ph)

Vamos a um ponto importante antes de mais nada: não sou conhecedor de metal progressivo. Tudo aqui dito é sob o olhar de alguém “de fora”. Para todos os efeitos, o que eu esperava do show era… nada. Uma página em branco – uma página em branco que saiu da apresentação com algo muito bom escrito em ótima caligrafia. Claro, de forma bem figurativa, isso quer dizer que mesmo quem não é chegado em um determinado gênero pode, sim, sair encantado com a performance de uma banda do dito estilo. Foi exatamente o que o Vola, em sua mais recente passagem pelo país, fez: conquistou, talvez não um fã, mas, sim, um admirador! E me fez entender porque, em plena quarta-feira, lotaram uma das mais tradicionais casas de rock da cidade de São Paulo.

PÚBLICO CHEGOU EM CIMA DA HORA, MAS QUANTIDADE SURPREENDEU:

Antes do show, na porta do Hangar 110, uma pequena e tímida fila se formava cerca de uma hora antes da abertura das portas. Levando em conta o dia da semana, era perfeitamente compreensível ainda haver pouca gente. Por sorte, quem produziu o show, a Overload, tinha noção disso, e o cronograma era bem organizado. Daria tempo para todos saírem do trabalho ou faculdade, tomarem um banho e irem para lá, mesmo que chegando “em cima da hora”. Foi exatamente o que ocorreu! No intervalo de dez minutos antes de começar, realmente muita gente chegou, e quando, pontualmente, o show começou, já era casa cheia!

VOLA FAZ SHOW PARA AGRADAR A TODOS, CONTEMPLANDO TODA SUA CARREIRA:

Ainda divulgando seu último disco, Friend of a Phantom, de 2024, foi com ele que começou o espetáculo, com I Don’t Know How We Got Here, seguida de We Will Not Disband.

De cara, já se percebia o zelo que tiveram com o som; tudo se ouvia perfeitamente, do vocal ao contrabaixo, tudo cristalino. Bem, a casa também ajuda! Embora não seja localizada no melhor bairro possível de São Paulo, e com uma aparência um tanto rústica, o Hangar 110 tem uma acústica excelente. Outro ponto bom da ocasião, é que mesmo lotado, estava tudo muito confortável! Como é comum no metal progressivo, os fãs não agitam muito, curtem de sua forma mais introspectiva, apenas gritando e cantando junto.

A partir dali, foi “fanservice” (no melhor sentido). Passearam por toda sua carreira, indo de músicas do seu debut, Inmazes (2015), com Stray the Skies e Your Mind is a Helpless Dreamer, até outras três de Applause of a Distant Crowd (2018). Claro, o último álbum esteve bem representado, mas o disco mais contemplado foi Witness (2021). Foi dele uma das canções que foram o grande momento da noite; a canção Cannibal, gravada com os guturais de Anders Friden, do In Flames, foi interpretada pelo vocalista Marcos da banda brasileira Hungr, em dueto com Asger Mygind. Fecharam “de mentirinha” com Bleed Out, e para o bis, Tray e Straight Lines. Essas escolhas, inclusive, deixam claro que o disco de 2021 é seu maior sucesso até o momento – não para menos, é um excelente disco! O show terminou com coros de “olê olê olá, Vola, Vola”. E o pior é que nesse caso, rima! Duas horas de show, com dezesseis músicas muito bem escolhidas e tocadas, que valeram cada segundo ali assistindo.

A VOZ DOS FÃS É A VOZ DA RAZÃO EM UM SHOW – SUCESSO ABSOLUTO:

É difícil para mim descrever direito o que vi ali. Uma banda muito técnica? Sem dúvidas! Entregam exatamente o que se espera de metal progressivo? Com certeza. Mas isso já sabemos. Achei interessante, a performance do baterista Adam Janzi e do tecladista Martin Werner, que mesmo sendo os membros mais “escondidos” no palco, de longe foram os que mais agitaram!

Eu deixo, porém, a voz dos fãs falar por mim, nesse caso. Qualquer um a quem você perguntasse ali, diria que o show foi fenomenal. E eu acredito! Como tira-teima, eu, que não sou fã, achei o mesmo. Se pararia para ouvir um disco deles no meu dia-a-dia? Não faria. Mas com certeza em próximos lançamentos, pegarei para ouvir com muito mais carinho agora que os vi.

No fim das contas, os dinamarqueses do Vola mostraram porque são um dos atuais nomes fortes do metal progressivo europeu na atualidade, sem se entregar ao “metal moderno”, ou os “core” para entrar nas paradas. Mostram que, apesar de fazerem aquele progressivo mais tradicional, competência e trabalho bem feito dão resultado. A alegria dos fãs ali provou por A+B isso.

Setlist:

I Don’t Know How We Got Here

We Will Not Disband

Stone Leader Falling Down

These Black Claws

Ruby Pool

Alien Shivers

Your Mind Is a Helpless Dreamer

Head Mounted Sideways

Cannibal

24 Light-Years

Applause of a Distant Crowd

Stray the Skies

Inside Your Fur

Bleed Out

Tray

Straight Lines

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