Madball reafirma força do NYHC em apresentação explosiva em São Paulo

São Paulo voltou a sentir o peso e a energia do hardcore nova-iorquino em mais uma passagem do Madball pelo Brasil.

Fotos por Allan Fernandes (@urso.imagens)

A banda volta ao Brasil praticamente um ano depois de seu último show no país, que celebrou os 30 anos do clássico álbum Set It Off. Dessa vez, fez a apresentação no Fabrique Club, que reuniu diferentes gerações da cena e transformou a casa em um verdadeiro caldeirão de intensidade, com rodas violentas, coros ensurdecedores e uma catarse coletiva que se manteve do primeiro ao último acorde.

Antes do quarteto de Nova York subir ao palco, três bandas ajudaram a aquecer o público e preparar o terreno para a avalanche sonora que viria na sequência.

A abertura ficou por conta da Fatal Blow, grupo de Balneário Camboriú que carrega mais de duas décadas de estrada. Mesmo diante de um público ainda em formação, a banda mostrou profissionalismo e peso em um set direto e sem rodeios. Com presença de palco sólida e execução precisa, o grupo entregou um hardcore vigoroso, aquecendo o ambiente para o restante da noite.

Na sequência, os paulistas do Escombro elevaram o nível de intensidade da casa. Com letras em português que abordam as tensões sociais e a realidade urbana brasileira, a banda apresentou um hardcore pesado e cadenciado, com forte influência do new school. Riffs densos e um groove agressivo dominaram o set, conquistando rapidamente o público e provocando as primeiras rodas mais intensas da noite.

O terceiro ato veio de fora do país. Os austríacos do Vacunt fizeram sua estreia em turnê pelo Brasil com um set curto, rápido e extremamente energético. Apostando em um hardcore de veia old school, com músicas velozes e diretas, a banda manteve o ritmo elevado da noite. O vocalista Zal chamou atenção pelo carisma e pela tentativa de se comunicar em português com o público, arrancando aplausos. Um dos momentos mais curiosos foi a versão de “Periferia”, do Ratos de Porão, uma versão matadora.

Quando as luzes se apagaram novamente e o palco foi tomado pelos integrantes do Madball, o clima já era de expectativa máxima.

Madball – Aula de hardcore

Liderado pelo vocalista Freddy Cricien, o Madball entrou em cena como um rolo compressor. Desde os primeiros acordes, ficou claro que o show seria intenso. A abertura com “Nuestra Familia” já colocou a casa em estado de ebulição, com o público cantando em uníssono e abrindo as primeiras rodas gigantes da noite.

Sem diminuir o ritmo, a banda emendou “Can’t Stop, Won’t Stop”, reforçando a conexão entre palco e plateia. A energia da música parecia ecoar no comportamento do público, que não dava sinais de cansaço. Em seguida veio “Hold It Down”, trazendo aquele groove pesado característico do hardcore nova-iorquino, com riffs densos e andamento marcante.

“Set It Off”, clássico absoluto do álbum homônimo lançado em 1994, foi um dos primeiros momentos de explosão coletiva. A música, considerada um dos hinos da banda, transformou o Fabrique em um verdadeiro campo de batalha hardcore, com rodas acontecendo sem parar.

A sequência com “Smell the Bacon” e “Lockdown” manteve o nível de agressividade lá em cima. “Lockdown”, outro clássico do início da carreira, foi cantada praticamente inteira pelo público, evidenciando o quanto o repertório do grupo permanece relevante décadas depois de seu lançamento.

Com “Get Out” e “Don’t Misstep”, o Madball mostrou a força de sua fase dos anos 2000, equilibrando peso e cadência. A banda parecia completamente à vontade no palco, reforçando a sensação de que São Paulo realmente funciona como uma segunda casa para o grupo.

A introdução de “Infiltrate the System” trouxe uma atmosfera ainda mais pesada, com riffs marcantes e um refrão que foi cantando bem alto pela plateia. Na sequência vieram “Across Your Face” e “Face to Face”, mantendo o clima de agressividade constante.

O ritmo seguiu implacável com “Fall This Time”, mantendo a energia da apresentação em alta, antes da execução de “Tethered”, faixa inédita apresentada como parte do novo álbum da banda, que, segundo anunciado no palco, deve ser lançado ainda neste mês. O material marca o primeiro lançamento de músicas inéditas desde 2018 e também inaugura uma nova fase na trajetória do grupo, sendo o primeiro trabalho sem o baixista de longa data Jorge “Hoya Roc” Guerra, que deixou a banda em 2023 para se dedicar à família.

Mesmo sendo uma composição recente, “Tethered” foi recebida com entusiasmo imediato pelo público e demonstrou que a banda continua plenamente capaz de produzir hardcore com a mesma intensidade, peso e urgência que consolidaram sua carreira ao longo das décadas.

A reta final do show foi uma sequência de clássicos que transformou o Fabrique Club em um verdadeiro ritual hardcore. “Flammable”, “New York City” e “Colossal Man” incendiaram a plateia, que parecia ter energia inesgotável.

Em “Down by Law” e “Rev Up”, o clima de confraternização entre fãs e banda ficou evidente, reforçando o espírito de comunidade que sempre marcou o hardcore.

Um dos momentos mais inesperados do set foi a execução de “It’s My Life”, clássico originalmente gravado pelo The Animals. A versão do Madball manteve o peso característico da banda e foi recebida com curiosidade e entusiasmo.

O encerramento veio com uma sequência devastadora: “For My Enemies”, “Look My Way”, “Doc Marten Stomp”, “100%” (tocada exclusivamente em São Paulo) e “Pride (Times Are Changing)”. Cada música parecia elevar ainda mais o nível de energia da casa, que quase veio abaixo.

Com décadas de carreira e inúmeras passagens pelo Brasil, o Madball segue mostrando por que permanece como uma das bandas mais respeitadas da história do hardcore. No Fabrique Club, em São Paulo, a banda não apenas revisitou sua discografia: entregou uma verdadeira aula de energia e conexão com o público.

Se depender da resposta explosiva da plateia paulistana, a relação entre Madball e Brasil ainda tem muitos capítulos pela frente.

Setlist Madball – South America Tour 2026 – Fabrique Club – 06/03/2026

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