São Paulo vive noite de metal extremo com Obituary no Overload Beer Fest 2026

Festival em São Paulo reúne Cemitério, D.E.R., Eskröta, Vulcano e Obituary em celebração ao metal extremo, com execução de “Cause of Death” na íntegra e casa lotada no Carioca Club.

Fotos por Raíssa Correa (@showww360)

O Overload Beer Fest transformou o Carioca Club, em São Paulo, em um epicentro do death metal e do grindcore no último dia 21 de fevereiro. Com casa cheia e público formado por diferentes gerações de fãs da música extrema, o evento reuniu nomes nacionais e internacionais em uma noite marcada por celebrações, participações especiais e execuções de álbuns clássicos na íntegra.

Pontualmente às 18h, o Cemitério deu início ao festival. O trio formado por Hugo Golon (vocal e baixo), Douglas Gatuso (guitarra) e Guilherme Fructuoso (bateria) apresentou um set focado em sua fase mais clássica, com destaque para“A Volta dos Mortos Vivos”, “Holocausto Canibal” e“Pague para Entrar, Reze para Sair”.

Mesmo responsável pela abertura, a banda encontrou pista já aquecida. As primeiras rodas de mosh surgiram ainda nas músicas iniciais, impulsionadas pela condução firme da bateria e pela presença de palco de Golon. O som direto, com referências explícitas ao terror e ao death metal oitentista, estabeleceu o tom da noite.

Na sequência, o D.E.R. assumiu o palco com uma proposta ainda mais acelerada. Divulgando o álbum Tempo Severo (2025), o grupo apresentou praticamente o disco na íntegra, reforçando sua identidade dentro do grindcore nacional.

Thiago (vocal), que comemorava aniversário na data, interagiu com o público em meio a uma performance marcada por músicas curtas, mudanças bruscas de andamento e uma sonoridade crua. Ao lado de Mauricio (baixo), Barata (bateria) e Renato (guitarra), o vocalista conduziu uma apresentação técnica e intensa, sustentada por riffs rápidos e bateria parecendo uma metralhadora de tão pesada. A recepção foi imediata, com o público respondendo à altura em movimentação constante na pista.

Substituindo o Surra, que entrou em hiato no início de 2026, a Eskröta subiu ao palco sob expectativa elevada. Yasmin Amaral (guitarra e vocal), Tamy Leopoldo (baixo) e Jhon França (bateria) apresentaram repertório centrado no álbum Blasfêmea, trabalho que ampliou a projeção do trio no cenário nacional.

Com forte presença cênica, a banda incorporou elementos visuais à performance, como o lançamento de bolas verdes ao público, criando interação direta com a plateia. O ponto alto ocorreu na execução de “Filha do Satanás”, que contou com a participação especial de Hugo Golon, do Cemitério. O set também incluiu“A Bruxa” e “Mulheres”, reforçando o discurso crítico e a energia combativa que caracterizam o grupo.

A atmosfera de casa cheia evoluiu para lotação máxima quando o Vulcano subiu ao palco. Representando uma das formações mais tradicionais do metal extremo brasileiro, a banda executou praticamente na íntegra o clássico Bloody Vengeance, consolidado como marco do gênero no país.

Com Zhema Rodero (guitarra) e Luiz Carlos Louzada (vocal) à frente, acompanhados por Ivan Pellicciotti, Cleiton Nunes (baixo) e Bruno Conrado (bateria), o grupo apresentou uma sonoridade encorpada e segura. A participação especial de Angel nos vocais em faixas como “Death Metal” acrescentou peso simbólico à apresentação. A sequência com “Spirits of Evil”, “Dominios of Death” e “Guerreiros de Satã” foi recebida com entusiasmo por um público majoritariamente conhecedor da obra da banda.

Obituary encerra com execução integral de “Cause of Death”

Responsável por encerrar o Overload Beer Fest, o Obituary transformou o Carioca Club em um verdadeiro templo do death metal clássico. A apresentação integrou a turnê comemorativa de Cause of Death (1990), álbum considerado um dos pilares do gênero, e foi recebida com expectativa máxima por parte do público, que já ocupava cada centímetro da casa.

A introdução com“Redneck Stomp” funcionou como um chamado às armas. O instrumental pesado e cadenciado serviu para preparar o terreno antes da execução integral de Cause of Death. Assim que os primeiros riffs tomaram conta do sistema de som, a resposta foi imediata: mosh pits se abriram no centro da pista, enquanto fãs das primeiras filas acompanhavam cada virada de bateria e cada frase de guitarra com atenção quase reverencial.

“Infected” marcou o início oficial da imersão no álbum de 1990. A combinação entre os riffs densos de Trevor Peres e Kenny Andrews e a base sólida de Terry Butler no baixo criou uma parede sonora encorpada, fiel à essência do disco, mas com peso e definição contemporâneos. John Tardy, com seu timbre inconfundível, um dos mais característicos da história do death metal, mostrou-se em plena forma, sustentando os guturais com clareza e presença.

“Chopped in Half” elevou ainda mais a temperatura. Um dos momentos mais aguardados da noite, a música foi cantada em coro pelo público, que transformou o refrão em um dos pontos de maior comunhão entre banda e plateia. Já em “Circle of the Tyrants”, cover do Celtic Frost presente na versão original do álbum, a execução precisa reforçou o respeito do grupo às próprias influências, mantendo a atmosfera sombria que caracteriza a faixa.

Ao longo da apresentação, Donald Tardy foi peça central na sustentação da intensidade. Sua bateria, firme e agressiva, conduziu as transições de andamento com naturalidade, alternando passagens cadenciadas e explosões rápidas sem perder definição. O entrosamento entre os irmãos Tardy permaneceu evidente, refletindo décadas de estrada e coesão musical.

Visualmente, o palco manteve estética sóbria, priorizando iluminação em tons escuros e focos direcionados, valorizando a atmosfera densa que envolve o repertório. Não houve excessos: o protagonismo foi da música. Entre uma faixa e outra, John Tardy limitou-se a interações pontuais, agradecendo a recepção brasileira e destacando a importância de celebrar um álbum que atravessou gerações.

Após a execução completa de Cause of Death, a banda ainda reservou fôlego para o encore.“I’m in Pain” reacendeu a movimentação no centro da pista, enquanto“Slowly We Rot” encerrou a noite com força simbólica, remetendo ao início da trajetória do grupo e ampliando o recorte histórico da apresentação.

O saldo foi de uma performance tecnicamente sólida, fiel ao material original e ao mesmo tempo atual em sonoridade e impacto. Ao final, o público deixou o Carioca Club com a sensação de ter testemunhado não apenas um show, mas a celebração de um capítulo fundamental da história do death metal executado por seus próprios protagonistas.

Setlist – Obituary – 21/02/2026 – Carioca Club

Setlist

Redneck Stomp

Sentence Day

A Lesson in Vengeance

The Wrong Time

Cause of Death

Infected

Body Bag

Dying

Cause of Death

Circle of the Tyrants (Celtic Frost cover)

Chopped in Half

Turned Inside Out

Encore:

I’m in Pain

Play Video

Slowly We Rot

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