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UFO: Michael Schenker relembra a criação da faixa que hoje abre os shows do Iron Maiden! – (Planet Rock 06 – Março/2018)

UFO: Michael Schenker relembra a criação da faixa que hoje abre os shows do Iron Maiden! – (Planet Rock 06 – Março/2018)

Por: Vagner Mastropaulo

A vantagem de ler sobre faixas clássicas é que elas são atemporais. Logo, não faz
tanta diferença se a matéria é recente ou antiga. Bebendo na fonte da edição 6 da revista
inglesa Planet Rock (março/18), traduzimos sua página 20, a seção How I Wrote…, em que
o guitarrista Michael Schenker discorre diretamente em primeira pessoa sobre Doctor
Doctor, do UFO, nada mais, nada menos do que a intro dos shows do Iron Maiden:
Michael Schenker sobre o grande sucesso do UFO, criado com uma unidade de eco e
com letra escrita por seu vocalista, “provavelmente sobre sexo”.
“Em 1973, o Scorpions recebeu um pedido para abrir para o UFO e nós os
conhecíamos porque músicas como Boogie For George estavam indo bem na Alemanha.
Mas quando eles chegaram para a passagem de som, não tinham um guitarrista. Eles
estavam prestes a cancelar, mas então chegamos a um acordo para que eu os ajudasse. Eu
e Pete Way, baixista do UFO, fomos ao banheiro para que eu pudesse aprender as músicas
[risos]. Eu tinha dezoito anos e era muito ligeiro em lidar com as coisas. Fiz um set de
quarenta e cinco minutos com o Scorpions e então toquei por uma hora com o UFO. Acho
que eles gostaram do que ouviram porque eles me abordaram para que eu me juntasse a
eles assim que eles voltassem a Londres.
Eu sempre dizia ao Scorpions: ‘Qualquer banda da Inglaterra que me pedir para me
juntar a eles, eu irei!’. As pessoas na Alemanha não entendiam o que eu estava fazendo.
Eu queria estar na Inglaterra, onde ser um músico de rock era, de fato, uma profissão
aceita.
Phil Mogg – o vocalista – e os demais caras do UFO não falavam alemão e eu mal
falava inglês, mas deixávamos a música falar por nós. O universo provavelmente conspirou
tudo dessa forma, de modo que, ao invés de apenas fazermos piadas, como Pete teria
preferido, nós trabalhávamos.
Doctor Doctor surgiu como uma das minhas faixas instrumentais. Os acordes da
progressão rítmica vieram comigo usando uma máquina de fitas magnéticas Echoplex. Eu
estava morando em Palmers Green, em Londres, à época. Um dia, Phil e eu estávamos a
caminho da Chrysalis Records e toquei para ele a minha demo de Doctor Doctor no meu
pequeno gravador portátil de fitas enquanto estávamos subindo a escada rolante. Ele
disse: ‘Adorei isso, mas tem como você retirar um pouco da guitarra solo?’. Fiz uma nova

versão para ele, com espaço suficiente para ele escrever uma melodia vocal e a letra. Acho
que a música é provavelmente sobre sexo, mas nunca realmente presto atenção nas
letras. Se quero ficar encantado por palavras, leio um livro.
Gravamos Doctor Doctor e o álbum Phenomenon no Morgan Studios, no norte de
Londres. Eu me lembro dos vinte e cinco passos para cima e para baixo entre a sala de
controle e a sala onde tocávamos. Havia muito exercício. O produtor Leo Lyons (baixista do
Ten Years After) era um cara muito adorável, mas não era realmente experiente o
suficiente para tirar o som de guitarra mais distorcido que eu queria. Eu era apaixonado
por Black Sabbath, mas Leo sempre queria abaixar as coisas. Doctor Doctor ficou muito
mais poderosa em Strangers In The Night, o álbum ao vivo de 1979, mas ele foi produzido
por Ron Nevison e ele sabia algo sobre sonoridade que Leo não sabia.
Deve ter havido shows em que não toquei Doctor Doctor, mas não muitos. Em 2008,
no meu retorno, decidi tocar as melhores músicas de Michael Schenker e Doctor Doctor
tinham de estar entre elas.
Nunca me dei conta, lá em 1974, que Doctor Doctor se tornaria uma música grande
assim. Eu apenas curtia tocar guitarra e dei minha contribuição para o rock, quase
inconscientemente. Quando falei isso para o Kirk Hammett, ele me disse: ‘Fala sério!’”.

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