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18/05. As despedidas à Ian Curtis e Chris Cornell

18/05. As despedidas à Ian Curtis e Chris Cornell

A data de 18/05 marca a perda de dois grandes ícones da músical mundial, com a diferença de 37 anos. Ian Curtis, do Joy Division nos deixava em 1980 e Chris Cornell ( Soundgarden, Audioslave, Temple of the Dog) em 2017. O que ambas as mortes tem em comum: suicídio

Ambos com tamanha representatividade, no cenário da música cada qual em seu tempo, e bem sucedidos no que faziam, leva alguns a questionar, o que leva alguém, ter o sonhado reconhecimento de sua arte, que muitos querem, tirar as próprias vidas.

O Joy division, foi um dos percursores do dito movimento pós – punk, que se disseminou, chegando ao mainstream no início dos anos 80, oriundo da Europa, berço de clássicas bandas como como The cure, The Smiths. Que ao longo dos anos, se tornaram influências e um agregado a diversas bandas e gêneros, como o gothic rock, o darkwave, até as vertentes pop/eletrônicas da música ´´dark“, porém, tendo a sua importância respeitada e reconhecida pelos apreciadores do rock e da música em geral. Tendo como fim o ano de 1980, ano de suicídio de Ian, e nascimento do New Order, com os membros remanescentes, Peter Hook, Stephen Morris e Bernard Summer.

Chris Cornell, tem sua notoriedade, á princípio com o Soundgarden, banda formada em 1984, mas que se solidificou na cena, se tornando um dos ícones do GRUNGE, ao lado de bandas como Nirvana, Pearl Jam e Alice in Chains. Com o Temple of The Dog, um supergrupo, que contava com Eddie Veder do Pearl Jam, e no começo dos anos 2000 com o Audioslave, banda formada com membros remanescentes, do até então extinto, Rage Against The Machine. Dono de uma voz única, incomparável, sua voz poderia até ter semelhança com a dos demais vocalistas do Grunge na época, afinal é a semelhança que caracteriza um movimento, e o segrega, mas, seu tímbre, poucos têm, ou terão, tamanha qualidade.

O fato é que ambos tinham a melancolia, as vzs intrísica, mas sempre presente em suas músicas, letras expressivas, mas com mensagens poéticas, muitas vezes notadas, apenas por aqueles que conseguem identificar nas entrelinhas das composições, muitas vezes pq, essa é a magia, que a música nos proporciona, e nos cria a paixão o vínculo. Que é a capacidade de vermos, pensamentos e sentimentos, que muitas vezes não somos capazes de expressar, tão bem desenhados em letras, ou no conceito de álbuns.

Não é plenamente saudosismo, dizer que, embora tenhamos aqueles, que mantém as suas influências vivas, e reproduzam na música que façam, algo de alma, que vivemos tempos de tamanha superficialidade, futilidade, e falta de real engajamento ou identificação musical. Um movimento sólido que levante bandeiras e seja voz, fazendo a diferença, e sendo ouvido pela maioria, seja por qual razão, social, política, filosófica, religiosa, etc. O que faz um contraponto, com o tempos que vivemos, onde o acesso a tudo é mais fácil, através da tecnologia, acesso a cultura em geral, não só a música. Será que era a dificuldade que fazia com as coisas fossem vividas em sua essência?

Um outra contraponto é, que nítidamente, vivemos os tempos mais sombrios, nesta geração. E não falo apenas do atual cenário, causado pela Pandemia, que só salientou o que ja era uma verdade. Falo que vivemos a geração mais ansiosa, mais deprimida, dentre outros diversos transtorno psico – sociais envolvidos, e que refletem direto nas nossas relações, para com as pessoas e para com o mundo. Pra muitos, a música sempre foi, e ainda é um refúgio, pois faz com que muitos não se sintam sozinhos, ou ET’s no mundo que vivem, justamente pq, através dela, veêm suas sensações narradas, como mencionei acima.

Porém, o preço as vzs é muito caro, para aqueles que não se adaptam, não veem, não sentem, e não vivem o mundo da forma como ele é, muitas vezes cruel, injusto, doloroso, enlouquecedor. E pra quem vive a arte, sente, e a tem como essência, mesmo tendo a possibilidade de usá-la como seu grito, muitas vezes não é o suficiente para desentalar, o que os sufocam, e então, eles decidem silenciar-se, pra sempre.

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