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O coletivo ‘Levante das Minas’ reuniu grandes bandas do cenário crust com vocais femininos

Depois de uma enorme expectativa, aconteceu no último sábado uma reunião memorável para celebrar a atividade feminina no underground brasileiro. O Coletivo Levante das Minas realizou o Women n’ Crust no Morfeus Club que trouxe bandas crust de várias cidades brasileiras com vocais femininos (e não só vocais) para celebrar a importância da mulher na música, especificamente na cena Crust. A apresentação de aproximadamente 4 horas reuniu várias gerações de mulheres que cantaram e deixaram seu recado: as mulheres estão na ativa.

Oriunda do Rio de Janeiro, a Sterko subiu ao palco perto das 23h30 abrindo o evento e trazendo uma sonoridade vista com menos frequência: dois vocais femininos que se completavam. As músicas traziam importantes temas, dentre eles, a realidade sobre o feminismo nas favelas, a doutrinação da igreja e a ação do estado.

Antes da segunda apresentação da noite, Geraldine Almeida que é uma das organizadoras do evento, pega o microfone para frisar a importância das mulheres no local e pede respeito às minas. Sob aplausos da plateia, é anunciada a segunda atração da noite: Nuclear Frost. A banda que tem se tornado um nome cada vez mais forte na cena possui um som rápido, pesado e agressivo. Como de costume, a vocalista Gabi Gomes esteve no controle tocando sucessos como “Orgasmo” e deixando o público em êxtase. Referência dentro e fora do território nacional, a banda representa o que há de melhor no d-beat, crust e black metal nacional.

Diretamente de São José dos Campos, após o tão aclamado lançamento “Anti Auto Ajuda”, é o Manger Cadavre é a terceira banda que sobe ao palco. Donos de um grande posicionamento, após seu primeiro som, a banda deu espaço à uma denúncia aberta e seguiu as apresentações. Mesclando grandes sucessos e músicas desse último álbum, o público pode sentir mais de perto a evolução da banda. Com uma excelente mistura de hardcore e crust, o Manger Cadavre consegue atingir público de todas as áreas.

Em seguida, no começo da apresentação da Rastilho, um importante recado foi dado pela veterana Elaine Campos: precisamos nos atentar ao objetivo de alguns eventos. Ela fez um comentário certeiro antes de começar: muitas pessoas fumando no local fizeram com que algumas mães com seus filhos não pudessem assistir aos shows. É necessário estarmos atentos às condições de todas as pessoas que estão ocupando esses espaços, se não o discurso se torna inválido. E é exatamente sobre isso que Rastilho fala em suas letras: inclusão das minorias, ocupação dos espaços e força das mulheres dentro e fora do underground.

 

Rastilho

Completando 20 anos e com uma longa história na carreira, a Trassas dispensa apresentações. Além de Priscila nos vocais, a banda também conta com a Fernanda no contrabaixo. A casa lotada se empolgou com a apresentação onde a presença de palco se mostrou constante. Com uma sonoridade pesada, a banda ainda abusa de criatividade, originalidade e autoconfiança. Sem sombra de dúvidas, Priscila se mostrou uma das presenças mais fortes e agressivas da noite.

 

E como se não bastasse, quando a Vasen Kasi subiu no palco, algo novo podia ser visto: um neo crust com grandes propostas se encaixava na voz potente de Mars Martins. Com integrantes espalhados pela capital e interior, a banda está conquistando um grande espaço e traz um som de peso. Além disso, todo o conteúdo recentemente lançado pela banda pode ser encontrado nas plataformas digitais.

Fechando a noite da melhor forma, diretamente de Porto Alegre e referência no estilo d-beat, Anne Crust subiu ao palco com a Warkrust trazendo guitarras ensurdecedoras. A banda iniciou suas atividades em 2014, e já lançou discos com bandas fora do Brasil, incluindo a lendária Crude SS.

 

Essa foi uma noite daquelas que chamamos de históricas. Arrisco dizer, que parte desse resultado, foi o encontro de bandas tão importantes e mulheres tão engajadas que estão na ativa e fazendo a diferença no underground. Uma madrugada pesada e com a representatividade que devemos ter. 

Texto: Haila Maciel

Fotos: Chris Justtino 

Galeria de fotos completa: https://www.facebook.com/pg/justtinophotography/photos/?tab=album&album_id=2800526466642714&__tn__=-UC-R