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Show do Pussy Riot agita fãs em São Paulo!

De casa cheia ao som de clássicos hits femininos foi que se deu início aos shows no Fabrique Club, nessa noite do dia 20 de Abril. Além das apresentações musicais, o evento exibiu uma sólida e encorpada exposição de artes ligada ao empoderamento feminino.

Com coordenação invejável e uma voz impecável, a multi-instrumentista Marianne Crestani, de Blood Mary Uma Chica Band abriu as apresentações. Durante algumas canções autorais, ela oferece um brinde com a cor vermelha avivada aos que prestigiam o evento. Acredite que, apenas ela, toca todos os instrumentos que estão no palco e canta. Realmente uma inspiração para todos nós. Para conhecer seu trabalho, acesse: https://www.facebook.com/BloodyMaryUnaChicaBand/

 

Logo após, são as garotas da Sapataria que sobem ao palco. Com uma mensagem objetiva, elas falam sobre como é enfrentar a auto-aceitação em questões rotineiras e rebater as situações preconceituosas que são expostas todos os dias por serem lésbicas. A apresentação contou com a imagem sobreposta do – “Ele não”, menção feita à Jair Bolsonaro que tem como principal objetivo protestar contra a candidatura da atual presidência da República. A banda deixou seu zine disponível com as letras, gratuitamente, para que todos pudessem conhecer mais sobre a banda. Para mais informações, acesse: https://www.facebook.com/bandasapataria/

 

Ingrid Martins, poeta da batalha de rimas Dominação (só para o gênero feminino) foi quem deu continuidade as apresentações. Poemas sobre como ser mulher preta e a liberdade dos próprios peitos: “Bico que marca a camiseta é natural, então disfarça essa careta, não há mal para eu deixar livre minhas tetas, não preciso de aval” marcaram o público que a aclamou em grande estilo. Acompanhe mais sobre o trabalho da poeta em: https://www.facebook.com/euingridmartins

 

Chegada a grande hora, O grupo Pussy Riot foi a principal atração do festival que contava com uma esmagadora presença feminina. Temas de protesto e política, foram, como de costume, seu grande feito. Uma caixa preta com um cartaz mantinha os dizeres: “Quem matou Marielle? ” Foi destacada em frente ao palco onde os fãs prestigiavam os sons de ‘’Organs’’, ‘’Bad Girls’’ e ‘’Police State’’.

 

Pela primeira vez no Brasil, o conjunto também visitou outros países como Uruguai, Colômbia, Peru, Chile e Argentina.

Pussy Riot, formado em 2011, é um grupo de punk rock feminista russo que se tornou conhecido por realizar, em Moscouflash mobs de protesto contra o estatuto das mulheres na Rússia e, mais recentemente, contra a campanha do primeiro-ministro Vladimir Putin.

 

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Após o show, conversamos com a banda Sapataria:

Sonoridade Underground: Para vocês, qual é a importância desse evento, na cena feminina nos dias de hoje?

 

Sapataria: O evento foi importante para nos ajudar a levar nossa mensagem para mais pessoas, somos uma banda relativamente nova, então eventos desse porte nos colocam em contato com mais pessoas de outras realidades.

 

Para cena feminina como um todo o evento foi incrível para celebrar o crescimento das bandas compostas por mulheres feministas no Brasil. Reunir atividades promovidas como a do Girls Rock Camp e a apresentação da Ingrid do Slam na visibilidade para uma série de realizações fantásticas feitas por mulheres.

 

S.U: O que falta para eventos desse porte, acontecerem com mais frequência?

 

Sapataria: Falta um pouco de sensibilidade por parte de pessoas que detém mais espaço dentro da cena e poderia abrir o diálogo para que mais lgbts e mulheres fossem chamados para se apresentar em festivais de grande porte. Ontem ficou evidente que existe público, existe demanda e isso não pode ser ignorado.

 

S.U: Como é para vocês, fazerem parte do evento?

 

Sapataria: Para nós foi incrível porque todas artistas que se apresentaram tem uma certa influência para Sapataria, seja com as artes visuais como as artes das Guerrilla Girls, o Slam das Minas com a Ingrid Martins ou o som da Bloody Mary, que sempre cola para somar nos eventos, foi muito gratificante. Para nós foi muito importante pois tivemos uma grande projeção e vários convites para entrevistas. Sentimos uma grande receptividade do público, embora nosso som tenha uma pegada diferente da Pussy Riot.

 

S.U: Vocês lançaram álbum recentemente, como foi a recepção do público quanto ao álbum? Já tem previsão de novo single ou algo do tipo?

 

Sapataria: A recepção foi boa, gravar nos abriu portas, conseguimos tocar fora da São Paulo e receber convites de eventos maiores. A gravação mudou a história da Sapataria positivamente.

 

Temos muitas músicas que precisamos gravar, até o final desse ano esperamos lançar um novo EP e mais algumas novidades.

 

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Galeria de Fotos: https://www.flickr.com/photos/xdiakovx/albums/72157677848208577/with/46756457095/

 

Texto: Haila Martins Maciel
Fotos dos shows: Gustavo Diakov – Fotos da Exposição: Haila Martins Maciel
 
Agradecimentos:
Erick Tedesco/Tedesco Comunicação e Mídia/Powerline Produções/Banda Sapataria